Existem três fundamentos da sabedoria: discrição ao aprender, memória ao reter e eloquência ao contar.

Antiga tríade irlandesa

01 Setembro 2014

Ai que ele vem aí...! [Diário de Bordo XXIII] O Dia do Blogue (enquanto plataforma) foi ontem e eu não sabia


Antes de mais nada - primeiro Diário de Bordo pós-férias! Mudei o nome para "Ai que ele vem aí...", pois no meu caso é difícil dizer bem o que vem aí. Seja o doutoramento, o basquet, o texto, o concerto, o que for, acaba por ser uma generalização do que possa estar ainda por chegar e que no post se concretiza. Este primeiro dia foi esgotante - o ter de deixar a minha família no norte, a viagem de 300 kms, chegar a Lisboa e ir directa para uma farmácia (isto de abusar do nosso corpo durante um mês inteiro tem consequências... continuo doente!), disparar para um almoço - interessantíssimo - que resultou numas quantas novidades que divulgarei brevemente, e a restante tarde dedicada a algum descanso e a um projecto que começo amanhã. Mas não é disto que quero falar e, antes sim, de algo que me passou ao lado no dia de ontem (tenho desculpa, estava no aniversário dos meus priminhos) - O Dia do Blogue! 

Há pouco estava a visitar alguns blogues/sites que apoio e ao visitar o Clube dos Livros, vi que tinha este post com imensas questões pertinentes e um artigo do Observador que também dá que pensar. Sou bloguer, oficialmente, desde 13 de Dezembro de 2008 e muito mudou desde então. Modéstia à parte (pronto, chamem-me arrogante), tenho sido pioneira em várias coisas no meio em que estou inserida, mas também tenho sentido, em primeira mão, todas as resistências inerentes às novidades. O Paulo Lima, autor do Clube dos Livros, coloca várias questões de que já falei aqui no blogue e no separador Opinião Blog Morrighan podem encontrar umas quantas. 

As que eu quero focar aqui hoje são as do artigo do Observador - a questão de estar na moda ter um blogue, mas também o blogue acabar por dar fama a quem o escreve. São muitos os casos em que pessoas começaram um blogue só porque sim e que hoje em dia vivem do mesmo. Normalmente são de moda, ou algo do género mais comercial e popular, e isso faz-me questionar muitas vezes o porquê de não acontecer com blogues literários, por exemplo. As respostas podem ser várias, mas eu acho que se prende com a identidade de cada um, de cada blogue. Ser-se original, trazer algo diferente e que se destaque, não é fácil. Hoje em dia, vejo um fenómeno - não agradável - a acontecer frequentemente: a mímica. 

Imitar ideias é diferente de aplicar ideias. Aplicar uma ideia, na minha opinião, é pegar nessa ideia e moldá-la ao nosso jeito, à nossa personalidade, à tal imagem de marca que cada um tem. Algo que me deixa muito desgostosa é ver autênticas transferências de ideias sem que com isso haja qualquer transformação pelo meio. Como quer um blogue criar uma imagem de marca, se basta uma pesquisa rápida e umas perguntas indiscretas para se perceber que o conteúdo não é genuíno? Também a dependência de parceiros limita essa personalidade, essa liberdade que tanto deve estar inerente a cada blogue. Liberdade de opinião, de gostos, de opções... De expressão! Seja sob que género for. Quando se tem um parceiro que fornece material para apreciação, é bom que ambas as partes tenham a noção dos moldes em que tal é feito. As editoras que trabalham comigo, por exemplo, sabem que quando me enviam um livro, a opinião que vão receber é sincera - seja positiva ou negativa! E esse é um compromisso omisso e constante que cada blogue deste tipo tem com o seu público. Então à medida que se cresce e se ganha mais seguidores, torna-se uma responsabilidade que deve ser cumprida! 

Acho que é este o maior entrave nos blogues literários para não vingarem. Falar de livros numa espécie de troca por troca não chega - pelo menos para quem quer mais do seu blogue do que apenas uma exposição dessas mesmas opiniões (o que é mais do que válido, atenção! Falo de quem gostava de poder viver do blogue como outros vivem). A solução não a posso dar porque também não a tenho, ainda não a procurei de verdade. Não ganho um único cêntimo com o blogue, mas sei que a felicidade que ele me proporciona tem sido o combustível necessário para continuar. Se se sentem assim em relação aos vossos blogues e que não precisam de fazer mais, então continuem porque o que interessa é que se sintam bem. Agora se acham que querem mais e que podiam fazer mais, FAÇAM! Arrisquem, lutem, dêem o vosso cunho às vossas acções, peçam conselhos, procurem outras opiniões. Eu não sei que rumo o Morrighan vai tomar no futuro, mas sei que tenho sempre vontade de fazer mais, de intervir mais, e com isso tenho tido experiências inacreditáveis e conhecido pessoas fantásticas. Não pensem que as oportunidades que tenho tido caem do céu. Luto por cada uma delas com provas do meu esforço e da minha dedicação através do trabalho que faço aqui no blogue.

Um assunto que dá pano para mangas mas, resumindo, um blogue deve ser um espaço de independência e de liberdade de expressão. É isso que eu espero de um blogue e que não encontro em muitos outros meios de comunicação, seja por serem institucionais, por terem assumido outro tipo de postura, o que for. Na definição directa, um blogue é um diário que passou do papel para a internet. Posto isto, e sendo cada pessoa única, seria bom que cada blogue fosse único. Pensem nisso e naquilo que querem realmente dos vossos projectos, quem os tem. 

Vá, prometo posts menos sérios para a próxima, mas convido-vos a debaterem algum destes temas se acharem que tal. Beijos e até ao próximo Diário de Bordo! 

Vencedor do Passatempo: O Estranho Ano de Vanessa M, de Filipa Fonseca Silva


Viva! Hoje temos mais um vencedor, desta vez para O Estranho Ano de Vanessa M, de Filipa Fonseca Silva. Este passatempo contou com 499 participações e o vencedor escolhido através do random.org foi:

Jéssica Filipa de Sá Casal, 12

Parabéns Jéssica! Tens um mail na tua caixa de correio para responderes com os teus dados para que os livros possam ser entregues. Obrigada a todos mais uma vez e em breve mais passatempos!

Entrevista a Carina Portugal, Escritora Portuguesa

Conheço a Carina há já uns anos e ela é das leitoras, que me lembre, mais antigas do blogue. Ao longo do tempo fui lendo pequenas coisas suas e, como gostei, fui dando por mim à espera que ela publicasse algo "maior" para entrevistá-la. O que é certo, e com esta entrevista vocês perceberão também isso, é que a Carina nunca deixou de publicar e, para mim, não fazia mais sentido esperar. Bem consciente do que a rodeia e do nosso panorama literário, podemos encontrar várias auto-publicações, participações em antologias e fanzines/webzines. Eu própria já a li e gostei. Uma pessoa humilde, de postura discreta, mas com um potencial enorme. Elogios à parte, ora vejam lá o que é que ela nos contou! (Já estive com a Carina mais que uma vez pessoalmente, e ela é mesmo tímida. Nem sequer quis falar para o gravador, então "obriguei-a" a escrever!)

Olá Carina! Como não gostas de falar para um gravador, escreve-nos lá um bocadinho sobre ti e de onde vem esta tua paixão pela literatura e pela escrita!
Desde pequenina que adoro fantasia, talvez por culpa de todos os desenhos animados que devorava. Se existir algum gene para isso, a culpa pode ser dele. Mas desde que me lembro que ia para a rua tentar construir “castelos” com caixas de cartão, lutar à espada com gravetos… acho que esta faceta contribuiu muito para o meu gosto pela literatura e pela escrita. Conhecer novos mundos é fantástico, construí-los é ainda mais interessante. É como dar vida e voz a uma parte do universo que está invisível. E gravadores são coisas do demo que devemos combater com estacas e água benta.


És do ramo da Biologia Molecular e Genética... Nunca pensaste em tirar um curso mais relacionado com as letras?
Pensei várias vezes, mas acabei sempre por pôr a ideia de lado. Por um lado porque gosto muito de Biologia e todos os seus meandros (é quase tão fantástica como a Fantasia), e depois porque acho que, como em muitas outras áreas, se realmente o quisermos, podemos aprender de tudo um pouco sem recorrer a um curso.


O teu percurso académico tem influenciado, de alguma maneira, o teu gosto declarado pelo fantástico? Quais é que são as tuas mais influências/referências?
Não posso “culpar” o meu percurso académico pelo meu gosto. A culpa foi maioritariamente das minhas amizades que me alimentaram este gosto que já andava comigo há muitos anos, dando-me a conhecer livros e autores que me encantaram. As primeiras influências vieram, sem dúvida, da J.K.Rowling e do Tolkien, foram os dois grandes pilares que alicerçaram a minha vontade de devorar livros. Tenho algures escondidas algumas fanfics de teor muito duvidoso. Actualmente estes dois pilares continuam presentes pelo seu significado e a sua qualidade, mas juntaram-se-lhes outros, dos quais realço a Juliet Marillier e a Robin Hobb, todos uma enorme fonte de inspiração. E de certeza que existem muitos que ainda não descobri.


Hoje em dia, embora menos, ainda existe bastante preconceito em relação ao fantástico. Sendo leitora e escrevendo também nesse género, que opinião é que tens disso?
Respeito quem tenha lido e não goste ou não se interesse pela Ficção Especulativa, também existem géneros que não me chamam de todo a atenção. No entanto, muitas vezes esse preconceito advém de pessoas que não sabem nem querem saber, que não se dão ao trabalho de conhecer o que há além do que pensam. Por vezes o mais grave é quando estas pessoas falam mal daquilo que não conhecem, tentando influenciar outros. E, infelizmente, neste mundo há demasiada gente influenciável.


Passando à vertente escrita, o que é que te dá mais prazer escrever?
Nada em geral, tudo em particular. Ou seja, há sempre partes que me dão mais prazer escrever do que outras. Gosto principalmente de explorar os sentimentos das personagens como resposta a uma dada acção, com ênfase nos sentimentos mais profundos. E confesso que adoro escrever as partes em que os vilões fazem a sua “aparição”. Se ouvires alguém dizer que eu adoro matar personagens é mentira. Tudo mentira.


Onde foste buscar o fascínio pela mitologia?
A mitologia é um alicerce do passado, sobre a qual se ergueram grandes impérios. É feita de magia, mas também de História, um ponte entre a realidade e o maravilhoso. Para mim, é a Mãe da Fantasia.


Apesar de ainda não seres muito conhecida (ainda!) o teu reportório escrito já começa a tomar uma dimensão considerável. Tem sido tua ambição saltar para uma grande editora ou tens-te dado bem com as auto-publicações?
De momento, e para o que tenho publicado, as auto-publicações digitais são o suficiente. Adoraria publicar numa grande editora, contudo não me considero ainda merecedora disso, acho que ainda tenho que trabalhar bastante e melhorar. E procrastinar menos…


Também apareces em várias antologias/webzines com pequenos contos. Preferes o conto à narrativa mais longa?
Na verdade prefiro a narrativa mais longa, porque dá mais espaço de exploração do mundo, das personagens, e de tudo o que é interessante e está por descobrir. Mas o conto também tem as suas vantagens, uma delas é as ideias não terem muito por onde se dispersar. Por norma, é mais rápido de escrever, sem olhar a pormenores que não sejam os essenciais. Enfim, vai directo ao assunto. E um conto bem escrito pode ser muito melhor que uma narrativa longa. Já li contos que me arrancaram lágrimas e narrativas longas que só me fizeram encolher os ombros.


Nos últimos tempos, tens também explorado a diversidade sexual. O que é que te motiva a fazê-lo?
Primeiro de tudo, simplesmente gosto muito da temática, não só aplicada à Literatura como ao Audiovisual. Para além disso, é algo que está presente no nosso mundo desde sempre, apesar de todo o preconceito que sempre existiu. A diversidade sexual não é assim tão abordada na Literatura quanto isso. Tem direito a mais visibilidade, a mais expressão.


Sonhas um dia vir a viver da escrita ou tens presente que terás sempre um emprego paralelo?
Por vezes imagino como seria viver da escrita, mas não são assim tantos os autores que o conseguem. Acho que o emprego paralelo vai estar sempre lá, pelo menos até ganhar o euromilhões! O que talvez seja ainda mais improvável do que viver da escrita.



Se os livros desaparecessem, se não pudesses sequer voltar a escrever, que efeito é que isso teria em ti?

Seria muito mau não poder voltar a escrever, contudo acho que conseguiria sobreviver a isso. Mas se os livros desaparecessem… bem, já ficaria com um trauma se me tirassem os meus livros, que são como meus filhos. Prefiro não imaginar um desaparecimento à escala universal.


E música, ouves? Que bandas é que mais gostas?
Confesso que oiço mais música do que leio ou escrevo. Provavelmente só não há música a tocar ao pé de mim quando estou a dormir. Neste preciso momento estou a ouvir Loreena Mckennitt – Nights from the Alhambra. A música é uma fonte de inspiração, de incentivo, e é também uma espécie de calmante natural. Quanto a bandas favoritas, temos Nightwish, Raphsody of Fire, Two Steps From Hell… mas adoro ouvir bandas sonoras e música clássica (a minha noveleta “Coração de Corda” foi toda ela escrita ao som do Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky).


Que outros hobbies é que tens para além da leitura?
Jogar computador, ver anime, ler manga e webcomics (sim, eu sei que é leitura, mas há quem se esqueça disso), passear por espaços bem verdinhos e com muita sombra (tenho um gene vampírico que me faz fugir do sol), jogar RPG… e comer doces, mas isso já é mais uma necessidade intrínseca.


Que locais é que gostavas de visitar, até numa onda de inspiração artística, que ainda não visitaste?
Irlanda, Índia, Egipto, Itália, Nárnia, Rivendell, Sevenwaters… principalmente estas últimas, na verdade.


O que é que comeste hoje ao pequeno-almoço?
Um batido com leite, bolachas Maria e 3 yocos… pronto, é neste momento que perco os leitores todos!

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