Entrevista a Carla Ribeiro, Escritora Portuguesa

Anteriormente já vos tinha apresentado a Carla Ribeiro , mas já que tenho entrevistado quase todos os autores, decidi que era justo entrevis...

Anteriormente já vos tinha apresentado a Carla Ribeiro, mas já que tenho entrevistado quase todos os autores, decidi que era justo entrevistar também a Carla.

Aqui fica a sua entrevista:

Sobre mim:
Tenho 23 anos e sou licenciada em Medicina Veterinária. Tenho um fascínio imenso por tudo o que diz respeito à literatura em geral e ao fantástico em particular e, por isso, sou uma leitora compulsiva.
Acho que sempre tive o bichinho da escrita, lembro-me dos meus tempos de miúda e de quando planeava histórias bastante improváveis. Mas comecei a levar a escrita realmente a sério por volta dos meus catorze anos, quando descobri que a poesia podia ser uma excelente forma de expressar emoções e pensamentos. Daí à prosa foi um pequeno salto e a partir daí nunca mais deixei de escrever.


Estilo e Ritmo de escrita:
Tenho um ritmo bastante variável... Quando estou a começar um novo projecto, o mais provável é que tenha uma imagem mental de um momento e muitas vezes começo por escrever essa parte. Depois há a fase de construir o mundo em volta do que imaginei e é provável que passe algum tempo sem escrever nada do projecto em si porque estou a esquematizar o mundo e a história ou a pesquisar alguma coisa relacionada. Quando já tenho uma história estruturada, o enredo começa a avançar até um ponto em que já sei que pontos quero que a história atravesse e como quero que termine. Nessa altura entro em ritmo compulsivo e avanço bastante num dia só.
Depois tenho as minhas manias... Dá mais trabalho, é um facto, mas a não ser que tenha algum prazo para aquilo que estou a escrever, gosto de escrever primeiro à mão - e a preto. Dependendo do tempo, posso ir passando o texto para word à medida que escrevo ou só depois da história completa. E a partir daí começa o ciclo de revisões.

Influências:
Ora aí está uma pergunta difícil. Julgo que, no fundo, tudo me influencia de uma forma ou de outra, tanto as coisas que acontecem comigo e à minha volta como os assuntos que mais me interessam. Tenho um grande fascínio pela mitologia e pelo sobrenatural, daí que isso acabe por se reflectir em algumas das coisas que escrevo.
Em termos de autores mais marcantes e que, de alguma forma, influenciaram a minha vontade de enveredar pela escrita, teria de destacar Edgar Allan Poe e William Shakespeare (que considero os grandes mestres) e também Anne Bishop e Marion Zimmer Bradley.

Que livro mais gostaste de escrever e porquê:
Ah, não conseguiria escolher um. Todos eles me proporcionaram momentos de sonho e de emoção e, por isso, adoro-os a todos. Tenho uma ligação emocional muito forte com as histórias que crio e, por isso, nunca poderia escolher um deles, quando todos marcaram diferentes fases da minha vida.

Aspectos positivos e negativos que encontraste até agora como escritora:
Bem, a escrita em si, enquanto processo criativo, é algo que adoro. Enquanto estou mergulhada na criação do meu mundo, todas as outras preocupações desaparecem e consigo viver e sentir com as personagens que estou a acompanhar. Isso por si só já é um grande factor positivo. Depois há os momentos especiais vividos após a publicação: eventos de apresentação, com amigos e novas pessoas para conhecer, mas também coisas tão simples como aquelas pessoas - às vezes perfeitos desconhecidos - que te contactam e te dizem "li o teu livro e gostei". Podem parecer coisas pequenas, mas sem dúvida que fazem todo o esforço valer a pena.
Aspectos negativos. Eu não diria completamente negativos, mas são aquelas coisas que afectam os nervos! Escolher o caminho da escrita - e querer publicar - pode doer, às vezes. Há sempre recusas, comentários menos bons, apreensões e inseguranças... Mas também é com esses elementos que se aprende e quando finalmente conseguimos, então todas as dificuldades foram compensadas.

Projectos Futuros:
Oh, eu tenho sempre muitos projectos em mente! De momento, estou em fase de revisões num projecto que acabei em Janeiro e, entretanto, vou escrevendo alguns contos. Também já tenho algumas ideias mais extensas, mas estão naquela fase de pesquisa e planeamento.
Provavelmente vou continuar a aventurar-me pelo fantástico. Continua a ser o género onde me sinto mais livre. Mas também estão algures na caixa secreta dos planos algumas ideias para o mundo real. Quem sabe, em breve, não crescem também...

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