Entrevista a Tânia Ganho - Escritora Portuguesa

Boa noite a todos!!! Hoje tenho para vos apresentar a simpática e sempre disponível Tânia Ganho! Foi uma escritora que gostei muito de con...

Boa noite a todos!!!
Hoje tenho para vos apresentar a simpática e sempre disponível Tânia Ganho!
Foi uma escritora que gostei muito de conhecer e que foi sempre impecável comigo. Enviou-me mesmo o seu último livro, A Lucidez do Amor, desde França!! Muito Obrigado Tânia :) Vou ter todo o gosto em lê-lo e em partilhar a minha opinião.
Passemos então a palavra à Tânia:

Sobre mim:
Sou uma contadora de histórias. Como levo uma vida de eremita, vivo virada para o mundo, para os outros, sempre atenta ao que vejo e ouço. Sou uma amiga fiel, uma leitora compulsiva, uma mãe-galinha, uma namorada ciumenta, uma mulher objectiva, uma cabeça no ar, uma portuguesa muito britânica, um ser muito autocrítico. Sou perfeccionista, pontual, desastrada, tropeço em tudo, queimo o jantar com demasiada frequência. Sou orgulhosa, mas sei pedir desculpa quando erro. Sou tradutora de dia, escritora de noite. Sou uma insatisfeita permanente, mas sei reconhecer a felicidade quando ela me bate a porta e deixo-a sempre entrar. Detesto a frase: «Vai-se andando.» Vivo tudo até ao fim, não faço nada pela metade.

Estilo e Ritmo de Escrita:
Gosto muito da maneira como os meus leitores definem o meu estilo: «despretensioso», «límpido», «directo», «simples mas não light». É uma escrita intimista, mas contida, sobre sentimentos intensos, evitando o sentimentalismo. O ritmo é extremamente importante para mim, o texto tem de fluir, a leitura tem de ser um prazer e não um constante tropeçar em obstáculos; detesto frases inúteis, floreados, «palha». Gosto de agarrar o leitor desde a primeira frase e dar-lhe vontade de continuar a ler, talvez por eu própria ter uma capacidade de concentração limitada e facilmente me desinteressar das coisas. Escrevo como vivo: sem tempo a perder com coisas supérfluas, indo directa ao que realmente importa. Quando era mais nova, adorava livros com longas descrições e malabarismos linguísticos, livros que me deslumbrassem… hoje, aprecio cada vez mais a simplicidade e a subtileza, livros que me façam exclamar menos enquanto os leio, mas pensar mais quando os pouso.

Influências:
Como tenho uma profunda paixão pela língua inglesa, as minhas influências passam sobretudo por autores anglófonos, como Ian McEwan, Martin Amis, Kazuo Ishiguro, Doris Lessing, Maya Angelou, Adrienne Rich, Margaret Atwood, Alice Munro, Anaïs Nin, Jenny Diski, Julia Leigh… Já para não falar nos clássicos, Jane Austen, Henry James, Edith Wharton, Somerset Maugham, as irmãs Brontë, E.M. Forster e por aí fora. Se tivesse de escolher autores portugueses que me marcaram muito nos meus «anos de formação», diria Sophia de Mello Breyner, Eça de Queiroz e Jorge de Sena. Os Maias e Sinais de Fogo são dois livros extraordinários!

Projectos Futuros:
Num futuro muito próximo: embalar a casa de Paris, mudar-me para Lisboa, reaprender a viver em Portugal, tomar muitos cafés com os meus amigos e tirar dois meses de férias para escrever o meu quarto romance, porque as personagens «habitam-me» há três anos e estou cheia de vontade de me entregar a elas de uma vez por todas.

Que conselhos dá a quem quer enveredar pela carreira de escritor?
Ler, ler, ler. Para se escrever bem, é preciso ler muito e ler autores variados. É natural passar pela fase das «obsessões» literárias, mas convém descobrir o seu próprio estilo, a sua própria voz, para não cair no pastiche. Depois, é preciso trabalhar muito e corrigir, corrigir, corrigir. Não ter medo de cortar, deitar fora, reescrever. Saber ouvir a opinião dos outros, sem se deixar censurar. Aceitar as críticas, sem se ir abaixo. Ser perseverante. Acreditar no que se faz. Manter-se fiel a si mesmo, escrever aquilo que se tem vontade e não aquilo que se acha que o mercado quer. Olhar mais para os outros e menos para o seu umbigo. Ter o espírito aberto, sem preconceitos. Pensar em letras e não em algarismos.


Apresento-vos agora, os três livros da autora:

A Lucidez do Amor

"Esta é a história de Michael e Paula, cujas vidas se vão desenrolando em paralelo, numa pequena aldeia de França e numa base internacional no meio do deserto tajique, separados por quatro meridianos e cinco mil quilómetros de distância.

Uns meses depois do 11 de Setembro, Michael Adam, piloto da Força Aérea francesa, é enviado para o Afeganistão no âmbito da luta contra o terrorismo. Passados quatro anos, parte novamente em missão, mas desta vez com plena consciência da natureza letal do seu trabalho. É com o inquietante pressentimento de que poderá não regressar a casa que se despede da mulher, Paula, e do filho recém-nascido. Atirada para um mundo sem homens, Paula é obrigada a tornar-se mãe solteira e a criar laços de amizade com o heterogéneo grupo de mulheres que a rodeia e que vive ao ritmo do toque do telefone - até ao dia em que as linhas ficam mudas…

Baseado em quatro personagens profundamente humanas e complexas - o piloto estranhamente supersticioso com licença para matar, a sua mulher artista e impressionável, a sogra africana, sábia e marcada para toda a vida, e o sogro amargo que carrega um pesado segredo dos seus tempos de guerra na Guiné-Bissau -, A Lucidez do Amor é um romance inquietante e cheio de suspense, que questiona o significado do amor, explorando as diferenças que nos separam uns dos outros, mas que podem também unir-nos irrevogavelmente."


A Vida Sem Ti

Ana tem 27 anos, uma colecção de namorados e uma total falta de vocação para casar e ter filhos. Mas quando conhece Richard, um homem vinte e um anos mais velho, divorciado e com dois filhos pequenos, não hesita em fazer as malas e mudar-se para Londres, convicta de que encontrou o amor da sua vida. Para trás deixa um emprego na Universidade, a família que adora e, acima de tudo, a sua independência. Chegada a Inglaterra, descobre que a vida a dois não é a aventura que esperava e que ser mãe dos filhos dos outros não é simplesmente brincar às casinhas. Uma tragédia vem pôr fim aos seus pequenos dramas diários e mostrar que todos escondemos terríveis segredos.

Cuba Libre

Como é que alguém pode saber o que se passa dentro da cabeça de uma mulher que foi educada para fugir à tentação?

Uma mulata de cabelo rapado à beira de uma piscina, numa madrugada em Cuba. Um homem vindo de Bruxelas, na véspera de um casamento. Uma relação de sete anos e o medo do escândalo, numa terra de «gente austera e devota». Duas ilhas estanques no meio do Atlântico. O desejo louco de libertação. Um regresso inesperado a Paris. Dez anos na vida de uma mulher de sexualidade ambígua, em busca do seu rumo no mundo.




Site Oficial da Autora

Obrigado por todo o carinho Tânia!

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