Entrevista a Maria Jorge, Escritora Portuguesa

Hoje tenho mais uma simpática escritora portuguesa, que ainda por cima é minha vizinha e eu não sabia!, para vos apresentar. O seu nome é M...

Hoje tenho mais uma simpática escritora portuguesa, que ainda por cima é minha vizinha e eu não sabia!, para vos apresentar. O seu nome é Maria Jorge e é autora de uma colecção juvenil - 'Os Arqueólegos'! Tem sido com grande gosto que tenho trocado correspondência com esta escritora e é com ainda mais prazer que deixo aqui a sua entrevista.
Conheçam a Maria Jorge!


Fala-nos um pouco sobre ti:
Sou formada em Arqueologia e História e desde que me lembro sempre desejei ser arqueóloga. Aos 10 anos aproveitava as horas sem aulas para ir escavar num terreno que havia no recinto da escola porque na minha ingénua opinião tinha sido um cemitério. Depois surgiu o gosto pela leitura, com os clássicos. (Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Júlio Dinis, etc). Em pouco tempo devorava um livro e o gosto pela escrita veio por arrasto. Vivia cada história que lia e apenas viver o que outro escritor escrevia deixou de ser suficiente. Queria também participar nesse processo de escrita. Queria também inventar histórias e enredos. Com o gosto pela história e pelo modo de vida dos nossos antepassados, começou a surgir o desejo de aliar a História à Escrita. E isso acontece de cada vez que visito um monumento e dou por mim a «viajar» mentalmente para o passado. A pensar como terá sido a vida das pessoas que em tempos ali moraram e a querer viver o mesmo. Mas como é impossível viajar para o passado, a única forma de o fazer é através da escrita. Uma vez disseram-me que um arqueólogo vive no passado, pois eu acho que como arqueóloga e escritora, não só vivo no passado como também num mundo de fantasia.


Estilo e Ritmo de Escrita:
Os leitores dizem que a minha escrita se lê muito bem. Não é carregada de descrições, tem história, aprende-se cultura sem cansar e é como se estivessem a assistir a um filme. Tem ação, aventura, perigos, mistérios o que faz prender desde a primeira até à última página. Na minha opinião, gosto de escrever como leitora que sou. Antes de pensar como escritora, penso como leitora, pois tenho de pensar que é o público que vai ler e de certeza que não querem ler uma história que seja enfadonha. Como escritora, uso de toda a pesquisa e investigação histórica que necessito para cada enredo. Depois, assim que me debruço sobre um livro, não descanso enquanto não o termino. Fico de tal modo envolvida que as ideias surgem em qualquer lugar que esteja. Em viagem, por exemplo, chego a escrever capítulos inteiros no comboio e sou capaz de escrever um livro em apenas 1 ou 2 meses. Por vezes sinto necessidade de estruturar a história de um livro, dependendo da complexidade, organizo-a por capítulos, outras vezes, não o faço e deixo a escrita fluir. Digamos que varia, talvez consoante o estado de espírito em que esteja. Pois já aconteceu não estruturar e conseguir escrever fluentemente sem deixar quaisquer pontas soltas, como também já aconteceu estar com a estrutura organizada, o enredo dos capítulos por tópicos, isto é, saber o que quero escrever e mesmo assim ficar bloqueada devido à inspiração que falha.
Mas por norma quando estou verdadeiramente inspirada escrevo páginas e páginas sem me dar conta, pois parece que ainda não escrevi nada e o final ainda está longe, acabando por ultrapassar o limite de páginas de que gostaria.


Quais as tuas maiores influências?
As minhas influências são tudo o que leio seja prosa ou poesia gosto de tudo um pouco. De qualquer livro tento sempre extrair algo. Como disse comecei pelos clássicos, depois para as coleções juvenis de aventuras, e por fim, para as biografias históricas, isto como escritora. Depois como arqueóloga são as aventuras do Indiana Jones que me influenciam. O lado aventureiro e viajante em busca dos mais variados artefactos que as civilizações antigas nos legaram.


Para quem escreves?
Pode-se pensar que apenas escrevo para os jovens, mas escrevo para todas as idades. Pois ao aliar a História, mostrando um pouco dos acontecimentos e as personagens que fizeram a nossa História e o nosso Património, sinto que com isso crio o interesse para todas as pessoas sejam pequenos ou graúdos quererem ler o que escrevo. Os mais jovens leem pelo gosto da aventura, os mais velhos, pelo gosto da História e poderem recordar o que em tempos derem na escola e já não se lembram ou conhecerem aspetos da História de Portugal que desconheciam. Pois esse é um dos meus principais objetivos além de proporcionar um bom entretenimento é que os leitores possam sempre extrair algo da minha escrita, conhecendo a nossa cultura e história que é tão rica.


Conta-nos um pouco sobre as tuas obras:
Como historiadora, não há livro que escreva que não tenha acontecimentos históricos verdadeiros aliados à ficção. Tenho sempre que aliar a nossa História e é isso que faço na coleção OS ARQUEÓLOGOS aliando também a Arqueologia. A coleção tem por base buscar acontecimentos históricos e lendas relacionadas com um monumento emblemático e juntá-los a uma ficção cheia de aventuras de modo a salvar a História de Portugal e impedir que o seu curso seja alterado. O conceito é sempre o mesmo em todos os livros da coleção, que apesar de terem uma aventura diferente, são sempre a continuação do anterior. O primeiro livro da coleção é a NOLITA E A CRUZ MEDIEVAL, que começa no castelo de Almourol numas escavações onde a Nolita (diminutivo de Noélia, tem 15 anos e sonha ser arqueóloga, ela é a heroína por isso é a mais corajosa e destemida de todos. Não tem problemas em enfrentar qualquer perigo em nome da História de Portugal) junta-se à amiga Lara que juntamente com João coordena as escavações e ao Pedro e Sofia, os estudantes de arqueologia. Nas escavações encontram uma cruz de ouro que parece ser um simples objeto de metal, mas tem poderes mágicos. Os cinco jovens veem-se envolvidos numa aventura pelo mundo medieval em época da Reconquista. Este é o acontecimento histórico narrado neste primeiro volume da saga que apesar de ser uma coleção juvenil, adapta-se a qualquer idade.
Depois há os romances, mas claro está, sempre no género de romance histórico. O último que escrevi é passado na primeira metade do século XX e é uma ficção baseada em factos reais.
Obras com uma ficção unicamente contemporânea, também escrevo, mas a que está completa chegou até às 3 mil páginas e a segunda, vai pelo mesmo caminho.


Como foi o processo de edição?
O processo de edição foi por acaso e por incrível que pareça, muito rápido. Apesar de ter na «gaveta» muita escrita, nunca pensei em editar nada. Mas quando escrevi a Nolita e devido ao conceito da coleção, comecei a falar às pessoas sobre o livro (mas longe de mim pensar que tinha escrito algo de valor). Contudo, aceitei o contacto de uma agente editorial através de uma amiga, e só quando ela me deu a sua apreciação e disse que estava muito bom, é que comecei a ter consciência do que tinha escrito. Começaram a incentivar-me para enviar para editoras, e eu pensei, porque não? Não tenho nada a perder. Fiz uma lista de editoras que possivelmente poderiam ficar interessadas e enviei. Depois, por motivos profissionais, coloquei o assunto de parte ao mesmo tempo que esperava resposta das editoras. Quando voltei a ter um tempinho para me dedicar novamente, fiz nova lista com outras editoras e voltei a enviar. A segunda rodada surtiu mais efeito, porque ao fim de 4 meses estava com um mail da editora para combinar um encontro.


Projectos Futuros:
São imensos! Culpa da criatividade que não deixa de fluir! Primeiro, dar continuidade à coleção OS ARQUEÓLOGOS e seguir com os próximos volumes. Depois, mais romances históricos. Um já está finalizado, outro está em processo de escrita, e pelo menos mais dois estão ainda na memória, mas pretendo passá-los para o papel. É claro que existem muitas mais ideias, mas para já, ainda não.


Pergunta da praxe: O que achas do blog Morrighan?
Acho fantástico! A divulgação de livros, tanto estrangeiros, mas em especial de autores portugueses e o incentivo à leitura com os Passatempos, acho uma ideia maravilhosa que julgo deve dar muito trabalho, mas também deve ser muito prazerosa em nome da literatura. Dou os meus Parabéns à autora pela dedicação e o carinho que deposita em cada opinião de leitura que partilha com o mundo e felicito pelos 4 anos de existência fazendo força para que muito mais venha a perdurar. Deixo-vos com uma das muitas citações que me inspiram: «A leitura engrandece a alma.», Voltaire.


Muito obrigada Maria Jorge pela tua disponibilidade e carinho. Voltamos a 'ver-nos' no aniversário do blog ;) 


SOBRE O NOLITA
Quando a Nolita recebe o convite da sua amiga e arqueóloga Lara para participar numas escavações que decorrem no castelo de Almourol está longe de imaginar o que irá acontecer. Uma cruz de ouro e pedras preciosas proveniente das escavações, que à primeira vista parece ser um simples objeto de metal, esconde poderes inimagináveis e vai levá-la a embarcar numa emocionante aventura pelo mundo medieval.

Mas, no passado, em plena Reconquista e tempo de guerra entre cristãos e muçulmanos, a existência de Nolita vai ser posta em causa e só os seus amigos conseguirão salvá-la e trazê-la sã e salva para o futuro.

1 comentários