Entrevista a Rui Madureira, Escritor Português

Hoje em entrevista temos o autor Rui Madureira que lançou há pouco tempo o seu primeiro romance 'Abaddon'. No âmbito do aniversário...

Hoje em entrevista temos o autor Rui Madureira que lançou há pouco tempo o seu primeiro romance 'Abaddon'. No âmbito do aniversário do blog iremos ter o seu livro em passatempo! Curiosos? Fiquem então com a apresentação de Rui Madureira.


1 – Fala-nos um pouco sobre ti:
Sou formado em Psicologia, mas sempre tive uma grande paixão pelo cinema e pela literatura. Penso que as histórias que o cinema e os livros têm para oferecer são aquilo que confere alguma magia às nossas vidas, razão pela qual lhes dou grande importância. Ao longo do meu crescimento fui escrevendo alguns contos e argumentos cinematográficos, de modo que desde cedo me apaixonei pela escrita. Mas “Abaddon” foi o primeiro projeto que encarei com alguma seriedade. Fora do espetro literário, escrevo para o “Portal Cinema” e para o “SCIFIWORLD PORTUGAL” enquanto crítico de cinema, e tenho também a meu cargo uma coluna bimensal no jornal “Maia Hoje”, onde reflito sobre o estado da cultura em geral. Sou ainda membro do “Círculo de Críticos Online Portugueses”.

2 – Estilo e Ritmo de Escrita:
Um romancista passa sempre por 3 fases distintas na escrita das suas obras. São elas a fase do Planeamento, da Escrita propriamente dita e da Revisão. Quando sinto que uma ideia previamente concebida tem finalmente pernas para andar, dedico algum tempo ao planeamento da estrutura narrativa. Esta é a altura em que faço todas as pesquisas e construo um esboço da história. Não avanço para a escrita enquanto não estiver satisfeito com esse esboço inicial. Com o planeamento consumado, passo então para a escrita do livro. E só no fim de tudo é que faço uma revisão geral para detetar eventuais erros e corrigir aspetos que possam estar a mais. Muitos autores preferem escrever de forma descomplexada, corrigindo depois as imperfeições na fase de revisão. O meu ritmo de escrita não é muito elevado porque prefiro perder mais tempo com a escrita do que com a revisão. Geralmente, não escrevo mais do que 3 ou 4 páginas por dia porque gosto que tudo fique o mais perfeito possível logo à primeira. Desta forma, a revisão serve-me mesmo só para corrigir pequenas distrações.

3 – Quais as tuas maiores influências?
Tenho de referir J.R.R. Tolkien e o cinema em geral. Tolkien ensinou-me a olhar para o género do Fantástico com muito carinho. E o cinema fez o resto, ensinando-me constantemente a contar histórias. Para mim, o cinema e a literatura são indissociáveis. As minhas histórias têm uma estrutura muito cinematográfica porque todas elas começam por ser uma simples imagem que se forma na minha cabeça. Quando escrevo, não vejo apenas frases e palavras numa folha em branco. Vejo imagens a rodopiar à minha volta, como se estivesse a viver o meu próprio filme. É um sentimento curioso, que espero que passe para o leitor. Muita gente tem dito que ler “Abaddon” é como ver um filme épico. E isso deixa-me tremendamente satisfeito, pois era mesmo isso que eu pretendia que o leitor sentisse.

4 – Para quem escreves?
Já me aconselharam muitas vezes a escolher um público-alvo antes de começar a escrever as minhas histórias. Mas sou incapaz de fazer isso. Não escrevo para nenhum grupo em particular, nem para nenhuma faixa etária em especial. Escrevo para todos. Tento ser o mais abrangente possível, colocando nas minhas histórias aspetos que toda a gente possa apreciar. Em “Abaddon”, por exemplo, as batalhas épicas poderão agradar a um público mais jovem, mas as mensagens escondidas sobre a religião e a natureza humana serão mais facilmente captadas pelo público adulto.

5 – Conta-nos um pouco sobre a tua obra:
Gosto de definir “Abaddon” como um épico de fantasia sobre o Apocalipse bíblico. Pode dizer-se que se “O Senhor dos Anéis” e “O Exorcista” tivessem um filho, “Abaddon” seria esse filho. Pois as sequências de terror e de possessões demoníacas fazem lembrar “O Exorcista”, enquanto as batalhas em grande escala e os cenários fantasistas remetem o leitor para um mundo muito próximo da Terra Média. A primeira intenção era construir um argumento cinematográfico com esta história. Mas depois reparei que ela tinha grande potencial para se transformar num livro, de modo que abandonei a ideia do argumento e decidi apostar num formato puramente literário.

6 – Porquê a escolha deste tema?
O género do Fantástico sempre me fascinou bastante. E como não sou religioso, sempre encarei a Bíblia como o maior e mais extraordinário livro de fantasia de todos os tempos. Portanto, é apenas natural que as temáticas bíblicas me tenham servido de inspiração para escrever uma história de forte cariz fantástico. Para além disso, o Apocalipse sempre foi um tema que me despertou grande curiosidade. O fim do mundo como o conhecemos é, certamente, um dos tópicos mais interessantes de sempre. E a literatura portuguesa não costuma pegar muito nestes temas, portanto foi também uma oportunidade de escrever algo minimamente fresco e original.

7 – Tens tido feedback dos teus leitores?
Algum, sim. É óbvio que não se pode agradar a toda a gente, mas a grande maioria tem-me dado os parabéns e elogiado o livro quanto baste para me deixar satisfeito. A criatividade e a boa estrutura narrativa têm sido os aspetos mais referenciados. Como já disse, muitos têm elogiado as qualidades cinematográficas do livro, o que me deixa particularmente feliz. Ainda não apanhei nenhuma opinião negativa por essa net fora, o que é muito bom. E quando se tem a aprovação de uma pessoa tão influente como o Dr. Mário Dorminsky (que encheu o livro de elogios e lhe garantiu o apoio do Fantasporto), só se pode mesmo achar que todo o trabalho valeu a pena.

8 – Projetos Futuros:
Estou agora a escrever os últimos capítulos do meu segundo romance. Conto terminá-lo nas próximas semanas. O objetivo é lançá-lo no mercado ainda em 2013, mas vamos a ver. Dependerá de muitos fatores. Em princípio terá como título “Depuração” e será uma típica história de assombrações, ao estilo de “Poltergeist”. Uma espécie de drama familiar com fantasmas à mistura. Continuo no género do Fantástico, portanto, mas num registo totalmente diferente de “Abaddon”.

9 – O que achas do blog Morrighan?
Acho que é um blog muito bem construído e fomentado por alguém que demonstra possuir uma genuína paixão pela literatura. As atualizações são constantes, o que é de louvar, e os textos críticos são sempre bastante aprofundados e informativos. Para além do mais, é um blog muito ligado ao Fantástico. De forma que só poderia receber aplausos da minha parte. Oxalá continue assim por muitos e bons anos.

Sobre Abaddon:

Lucifer – o primeiro anjo criado por Deus e o mais belo de toda a estirpe celestial – decide rebelar-se contra o Pai divino após a misteriosa e muito polémica criação do Homem. As consequências para o Mundo que daí advêm são o mote desta obra. Falámos com o autor sobre este projecto numa conversa que gostaríamos de partilhar convosco.










Muito obrigada Rui! Votos de muito sucesso e até breve!

1 comentários