Opinião: A Esposa Minúscula de Andrew Kaufman

A Esposa Minúscula Andrew Kaufman Editora : Saída de Emergência Sinopse : Um ladrão entra por um banco dentro armado com uma pi...

A Esposa Minúscula
Andrew Kaufman

Editora: Saída de Emergência

Sinopse: Um ladrão entra por um banco dentro armado com uma pistola pronta a disparar, mas não pede dinheiro. Em vez disso, exige a cada cliente o objecto que tenha para si maior significado. O ladrão parte e todas as vítimas do assalto sobrevivem, mas coisas estranhas começam a suceder-lhes pouco depois: a tatuagem de uma sobrevivente salta-lhe do tornozelo e persegue-a; outra acorda e descobre que é feita de rebuçado; e Stacey Hinterland descobre que encolhe, gradualmente, um pouco a cada dia que passa, e nada que o marido ou o filho possam fazer conseguirá inverter o processo. A Esposa Minúscula é uma fábula sobre como podemos perder-nos nas circunstâncias e encontrar-nos no amor de outra pessoa.


Opinião: São muitas as histórias que existem abordando perspectivas do que pode ser o verdadeiro amor. De como se podem superar adversidades, de como muitas vezes se desperdiça tempo e disposição em desentendimentos inúteis e como muitas vezes só se dá o verdadeiro valor às pessoas (não) amadas quando já é tarde demais. Andrew Kaufman, em A Esposa Minúscula, neste pequeno conto, consegue confrontar o seu leitor com todas estas situações e mais algumas. De uma forma muito subtil e provocando o desassossego à medida que se avança nas páginas, o escritor construiu uma história que põe a nu as emoções humanas, pondo à prova valores como a sinceridade e a capacidade de sacrifício. 

Começando pelo assalto insólito, continuando pelos estranhos acontecimentos e acabando com a esposa minúscula, Stacey,  a calcular o dia do seu desaparecimento, a narrativa mantém não só o interesse e o entusiasmo do leitor, como injecta alguma dose de adrenalina nas veias. Apesar de rápida, a passagem pelas páginas desta obra deixa uma marca inegável. Torna-se fácil lembrarmo-nos que a rotina faz o hábito, e o hábito o conformismo, o desleixo. Será que damos conta do momento em que deixamos de dar valor à pessoa que mais amamos? Em que damos tudo por garantido e não avaliamos os riscos desse desligar e afastar emocional? 

O mais importante para cada pessoa é relativo e algo muito pessoal. Eu talvez consiga dizer o que é que tem mais valor para mim, mas é impensável tentar adivinhar isso para quem quer que me rodeie. A mente humana é um intrincado de ligações e pensamentos, por vezes obscuros e soturnos, difícil de avaliar. Com poucas palavras e de forma simples, Andrew Kaufman soube como abordar estes temas com uma mestria formidável. Gostei muito e recomendo.

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