Entrevista a Capicua, Artista Portuguesa [Artista Fusing]

Portugal é um país rico na sua cultura e na sua diversidade e originalidade. Se pode haver aqueles que muitas vezes seguem modas, a verdade...

Portugal é um país rico na sua cultura e na sua diversidade e originalidade. Se pode haver aqueles que muitas vezes seguem modas, a verdade é que os que se destacam acabam por ser aqueles cuja classificação é totalmente dispensável, cuja marca é o seu trabalho único, numa forma de expressão própria, sem adornos, genuína e criativa. Capicua é, para mim, um desses artistas, dessas pessoas que enriquecem o nosso património. Não sendo um estilo de música que ouça constantemente, com Capicua, e principalmente com o seu Sereia Louca, tornou-se impossível não ouvir vezes sem conta. A força das suas letras, a sua postura e a sua força tornam-na numa referência nacional musical. A propósito do Fusing, consegui que no meio da sua agenda impossível me respondesse a umas perguntas por mail. Não sendo o ideal, espero um dia vir a conhecê-la pessoalmente, pois é realmente alguém que admiro. Fiquem então com a Ana - Capicua. Muito obrigada! 

Há quanto tempo, e como, surgiu a Capicua?
A Capicua é a Ana quando faz Rap e a Ana começou a fazer Rap (a sério) desde o final de 2004.


E porquê o nome?
Porque Ana é como as capicuas e também se lê da mesma forma de trás para a frente!


Sobre o primeiro álbum disseste que tinhas o objectivo de chegar ao público da tua idade, e conseguiste. Com o segundo, alcançaste um público muito mais diversificado. E a partir de agora? O que queres alcançar?
Não tenho uma meta muito definida neste momento. A não ser que quero continuar a fazer o que gosto e sendo fiel a mim mesma. O resto vem por arrasto, consoante o mérito e o trabalho.


O teu percurso na sociologia influencia de alguma forma o rap que fazes?
Acho que a nossa formação acaba por influenciar sempre! Acho que no olhar, no espírito crítico,  na vontade de reflectir e questionar a realidade e na tendência para evitar generalizações grosseiras... 


Tencionas regressar um dia à sociologia?
Não há grandes oportunidades neste momento, com tantos cortes na investigação... Acho muito pouco provável voltar, até porque quando se deixa o meio e se pára de acumular curriculum numa determinada área, fica tudo mais complicado... Mas não fico triste com isso. Sou mais feliz a fazer música!


Tens músicas claramente autobiográficas, como a Vayorken. Tudo o que escreves é autobiográfico? Um outro single, Sereia Louca, também o é?
Nem tudo é autobiográfico... Há histórias que se misturam com a minha, há coisas imaginadas, há a minha agenda política pessoal à mistura, os livros, os filmes, a música e tudo o que me rodeia. Acho que a música que faço é sempre uma mescla disso tudo. A “Sereia Louca” começa num sonho, passa pelo Kafka, pelo Mário de Sá Carneiro e pelo Hans Christian Andersen, por mim e pelas mulheres que me rodeiam e, nesse processo, vai ganhando vida própria!


De que forma é que a Capicua, o alterego, influencia ou distorce a biografia da Ana? 
Não influencia nem distorce. A Capicua e a Ana são a mesma pessoa. É como se a Ana vivesse as coisas e a Capicua fosse a sua voz.


Além de quereres ser prof de windsurf, o que é que sempre quiseste fazer, além da música, mas ainda não tiveste oportunidade?
Eu já não quero ser Prof. de Windsurf desde os 7 anos!! Eheheh! Gostava de escrever mais para outras pessoas e acumular trabalho como letrista e também de ter um pequeno negócio ligado à agricultura.


Este Verão vais actuar no Fusing, que tem a particularidade de ser na praia e ter sempre a decorrer desportos náuticos. Vais aproveitar para levar a sereia para o seu habitat natural? Quem sabe pegar na prancha e dares umas lições de windsurf? 
Acho mais provável ir molhar as minhas escamas na água do mar do que me aventurar com uma prancha! Acho que não ia correr bem! 


Quando andas em tour pelos festivais, tens tempo para usufruir o que eles oferecem? Na Figueira da Foz não só haverão desportos náuticos como uma vasta gastronomia e ainda arte urbana em plenas paredes da cidade. O cansaço por essa altura será demasiado ou vais querer dar um olho pelo que se faz no festival fora a música? 
Se tiver tempo claro que sim!! É sempre bom passear um bocadinho antes do concerto para descontrair. Fico sempre nervosa e é uma boa forma de relaxar e conhecer coisas novas!


Depois da febre do Verão, que projectos é que tens em mente para Capicua?
Ainda não tenho planos muito definidos. Estou completamente absorvida pela promoção do “Sereia Louca” e pelos concertos até ao fim do ano e só depois é que vou começar a olhar em frente! 



Queres ganhar bilhetes para o Fusing? Podes fazê-lo aqui: http://www.branmorrighan.com/2014/07/passatempo-especial-ganha-2-passes-para.html

0 comentários