5 Anos Blogue Morrighan – As Perguntas dos Autores – Parte II

Deixando as tuas habituais falsas modéstias de parte, e tendo em conta a projecção que este teu já não tão humilde blogue alcançou, algum...


Deixando as tuas habituais falsas modéstias de parte, e tendo em conta a projecção que este teu já não tão humilde blogue alcançou, alguma vez consideraste a hipótese de distribuíres conteúdo através dele? Ou seja, fazer dele uma plataforma para novos (e quiçá velhos) autores lançarem amostras do seu trabalho? (Filipe Faria)
Claro que sim. Aliás, só nunca o fiz, explicitamente, por não ter conseguido ainda o tempo suficiente para parar e pensar sobre como fazer isso, de forma funcional e eficiente, mas é uma das coisas às quais tenho dispendido tempo do meu pensamento.  Pouco a pouco, vou tendo algumas pessoas a escreverem esporadicamente no blogue, cuja intenção é mesmo mostrar um pouco do seu universo. Não só ligados à literatura, como ao teatro e ao cinema. Conto, brevemente, vir a ter mais alguns “colaboradores”nesse sentido, mas em que a intenção é apenas que se mostrem e não que desenvolvam conteúdo relacionado com o blogue. Penso que seria muito proveitoso os autores serem mais proactivos, mas poucos o são e penso que, tal como disseste, o não tão humilde prende-se com o facto de que, chegada uma altura, é masoquismo andares atrás de autores que não se mexem, que não querem tanto como tu. Nesse sentido, tenho lançado desafios a que ganhem coragem, dêem o primeiro passo e que venham ter comigo, mostrem-me as suas obras e digam-me o que pretendem. Vendo gente com gosto e com garra, dou tudo de mim para ajudar essa pessoa, como bem sabes.

Quem leu mais livros, a Sofia ou o Marcelo? (João Morgado)
A Sofia! Mentira, eu não consigo ler as pilhas de livros que o Marcelo apresenta todos os dias na televisão! Aliás, ultimamente, dou graças se conseguir ler um a dois livros por semana!

Morrighan" começou por ser um blog pessoal, achas que neste momento conserva essa essência e se sim, pensas que um dia a perderá? (Vitor Frazão)
Mais do que nunca, ainda mais do que quando esta pergunta foi feita, em Janeiro deste ano, penso que essa essência se conserva. Primeiro, porque acho que já passei por várias crises existenciais e mais do que nunca acredito no trabalho que desenvolvo. Segundo, porque eu encaro este caminho como se fosse a maturação de um vinho do Porto, quanto mais velho fica, mais experiências tem acumuladas e por isso sabe melhor no que realmente se há-de empenhar ou não. Terceiro, porque acredito em mim e nas pessoas que confiam no meu trabalho. Cada post deste blogue tem uma conotação pessoal. Até mesmo a divulgação de um livro. Hoje em dia só divulgo livros que me interessam ou que por alguma razão quero ajudar divulgar. Ao início construí uma base sólida para que com o tempo, e com o crescimento, meu e do blogue, pudesse realmente dar-me ao luxo de seleccionar. E é o que faço.

O blog cresceu imenso, achas que um dia continuará a fazê-lo além da sua criadora? (Vitor Frazão)
Não acho, tenho a certeza. Ainda há pouco tempo comprei o domínio para mais dois anos e por isso, preparem-se, não tenciono que o blogue desapareça tão cedo.

O meio em que "Morrighan" se insere, particularmente a secção do blog dedicada às leituras, é um pouco agressivo, com imensos elementos desmotivantes ou pelo menos desgastantes. Qual é o motivo (ou motivos) que te faz continuar, no meio de tantas outras responsabilidades?  (Vitor Frazão)
Bem, acho que esta resposta vai buscar as outras duas anteriores, pelo menos em parte. Quando esta pergunta foi feita, em Janeiro, o blogue estava numa espécie de big bang em relação à música. Por causa desse mesmo desgaste, e por a música ser uma paixão que tenho desde que me conheço como gente, acabei por arranjar um equilíbrio em que a minha dedicação à literatura não se satura por ser compensada pela música e vice-versa. O mundo literário português ainda tem muito por onde evoluir, desde editoras a bloggers, passando por leitores e autores, e existem muitos factores desmotivantes e desgastantes que só existem porque as pessoas são mesquinhas e pensam que só elas é que podem ser as supra sumas do que fazem. E nisto refiro-me a cada um dos elementos que compõem este mundo. Penso que o truque aqui é ser-se humilde o suficiente para se saber ocupar o seu lugar, mas não tão arrogante que se ache superior aos outros, nem tão tolo que se ache inferior. Eu estou em paz com a minha postura na blogosfera porque sei que o que faço é de alma em coração. E como acredito no que faço, a motivação vem da concretização que vou obtendo com estas experiências. Apesar dos dissabores, as coisas boas suplantam isso tudo – as pessoas e os laços que se criam, não são sequer quantificáveis.

Qual foi, até agora, a proposta mais "indecente" que tiveste de um leitor/seguidor? (Teresa Lopes Vieira)
Aiiiiiiiii, que pergunta, Teresa! Ahahah! Sabes, um dia abro uma secção no blogue só para estas coisas – coisas indecentes e insólitas. Com os cinco anos e meio do blogue, se soubesse escrever em condições, já dava para escrever um belo livro de aventuras e experiências! Neste momento nem consigo classificar qual a mais indecente. Mas vou pensar nisso.

Na minha opinião, e de todos certamente, é de extrema importância o teu trabalho na divulgação do que é nosso, e principalmente do que é nosso e é pouco conhecido. No entanto, e sem querer descurar a tua divulgação de escritores portugueses, achas que conseguirás entrevistas com escritores muito conceituados internacionalmente? (Bruno Franco)
Já tive a oportunidade de o fazer, tenho feito de vez em quando, mas nem sempre publico no blogue. Aliás, têm-me sido dadas oportunidades para entrevistar uns quantos, mas não quero desvirtuar essa componente do blogue. Uma ou outra de vez em quando, sim, porque não? Mas não quero fazer disso uma coisa regular. Não para já, pelo menos. Um dia que internacionalize o blogue, talvez avance com isso, mas também nessa fase penso que teria de ter uma equipa comigo no blogue e não eu sozinha como é até agora. Ainda assim, como disseste e muito bem, o meu objectivo é o que é nosso e as entrevistas são, claramente, um meio de destaque para isso.

Como te imaginas daqui a novo quinquénio?
a) Uma enigmática espia de olhar mortífero que em breve desvendará uma conspiração de dimensão mundial?
b) Uma deusa celta de ecléctico sentido critico, protagonista da nova grande série de literatura fantástica?
c) Uma temida fazedora de opiniões com cada vez menos tempo e a caneta cada vez mais afiada?
d) Um exemplo de trabalho, perseverança e criatividade, cujo empenho continuará a surpreender-nos e a divulgar o que de melhor se faz em Portugal.
P.S. – Apesar das quatro opções, esta não é uma questão de resposta fechada, nem sequer quando refém de uma bola de basquetebol atirada de forma enfurecida por uma certa jogadora da equipa feminina do Benfica. (Nuno Nepomuceno)

Ahahahah, esta foi a pergunta mais original de todas! E sabes que mais? Dado tudo o que tenho acumulado, vejo-me como todas essas quatro opções. Talvez não tanto a primeira, mas nunca se sabe o que se encontra ao virar da esquina! Daqui a novo quinquénio eu imagino-me rodeada das pessoas que gosto e que ajudam a que o Morrighan seja o que é hoje e o que acho que será, ainda melhor, por essa altura. Com os anos uma pessoa aprende a ser mais analítica, mais selectiva, mais pertinente nas suas observações. As leituras já não são as imediatas só porque uma editora enviou aquele livro, as opiniões deixam de ter paninhos quentes, as relações passam a ser mais sinceras e directas com cada interveniente. Acho que é um processo natural e que nada tem a ver com a perda de humildade, mas sim com o crescimento de cada um. Se eu gostasse do mesmo que gostava quando comecei o blogue, se calhar não era muito bom sinal e se calhar era significado que as centenas de leituras feitas até então não me tinham ensinado nada. Não que veja com maus olhos o que já li, não me arrependo absolutamente de leitura nenhuma por muito ridícula que alguém possa achar, cada uma ajudou-me a tornar naquilo que sou hoje, mas não quer dizer que não procure algo que me satisfaça mais. Sou uma pessoa insatisfeita, inquieta, que quer sempre mais e melhor, mas que nunca deixa de estender a mão a quem precisa. Prova disso é que não nego ajuda a editora ou publicação portuguesa quando ma pedem. Também os autores portugueses terão sempre uma casa no Morrighan, assim queiram tanto como eu cá estarem. Quando não querem, ou esperam que seja eu a fazer tudo, ou não têm a humildade que devem ter, as bolas de basquet são sempre bons arremessos. E o desprezo também. 

0 comentários