Entrevista aos JUBA, Banda Portuguesa

A música portuguesa nunca andou tão saudável, e prova disso é a quantidade de bandas portuguesas - boas - que tenho descoberto nos últimos ...

A música portuguesa nunca andou tão saudável, e prova disso é a quantidade de bandas portuguesas - boas - que tenho descoberto nos últimos tempos. Os JUBA são uma dessas bandas, descoberta através do Tradiio, e recentemente tive a oportunidade de me sentar uns minutos com eles à conversa sobre o seu percurso. Já com o primeiro álbum lançado, produzido nos estúdios de Makoto Yagyu e Fábio Jevelim (banda Paus), Mynah tem dado que falar e o futuro parece-me risonho. Fiquem então com estes quatro jovens rapazes, que ainda estão apenas no início de, espero eu, uma longa carreira.


Fotografia de Núria Murilhas
O início dos JUBA é-nos contado pelo Joel: «O Tomás e o Miguel já tocavam numa banda, e eu e o Isaac tocávamos noutra. Tivemos um concerto onde as duas bandas tocaram juntas e foi aí que nos conhecemos. Na altura virei-me para o Isaac, e disse-lhe "estes putos até tocam bem!" (risos). Depois a nossa banda acabou, a banda deles também, e eu sentia aquela necessidade de continuar a fazer música. Foi então que decidi fazer-lhes um convite, mais ou menos formal, via Facebook (risos), para tentarmos fazer alguma coisa. Já tinha mais ou menos uma ideia do que queria fazer, dos sons que queria explorar, e então encontrámo-nos, num cafezinho, tipo date romântico (risos). Começámos a tocar umas coisas em minha casa, na casa do Miguel, tudo muito acústico. Entretanto, sentimos falta um baterista, daquela punjança que só um baterista traz. Lembrei-me de falar com o Isaac, que é o melhor baterista que eu conheço, pelo menos o mais fofo (risos), e no primeiro ensaio conseguimos logo compor umas quantas músicas e houve logo química. A partir daí continuámos a fazer música até ao álbum e até agora.»


Joel, por Sofia Teixeira
Já o nome JUBA, vem da vontade de terem um nome simples, com apenas quatro letras. Lançado como estava, assim disseram os seus companheiros, Joel explica: «Queríamos um nome que ficasse no ouvido. Chegámos a ter imensos nomes, uma lista enorme, e houve um dia que eu estava na Wikipedia, a ver capitais de países, e encontrei o Sudão do Sul e a sua capital - JUBA. E foi por aí.»


Apesar da sonoridade agora alcançada como imagem de marca, os géneros das músicas das duas bandas anteriores dos elementos dos JUBA eram bastante diferentes. O Joel falou-nos um pouco sobre isso: «No início, ainda antes do Isaac estar a bordo, eu partilhei algumas bandas que andava a ouvir na altura, mas a ideia era fazer uma banda com guitarras limpas, em que a bateria fosse repetitiva, que o baixo assumisse mais a estrutura melódica e as guitarras fossem mais divergentes, que batessem uma com a outra com riffs dissonantes. JUBA acabou por não ser tanto isso, distorcemos mais as guitarras, e entrámos depois mais na onda psicadélica.»


Tomás, por Sofia Teixeira
Na minha opinião, o som de JUBA é muito único e genuíno, perguntei-lhes quais eram as suas influências. Tomás explica: «Não temos nenhuma influência directa.» Miguel adiciona: «Quando fui para a Tailândia também comecei a ouvir coisas mais asiáticas. Que acabámos por usar também um pouco no álbum.» Joel completa: «Quisemos fundir um pouco isso ao rock psicadélico, não sendo aquele rock psicadélico muito declarado, assumindo assim um lado mais indiano/asiático, mais melódico.»


Mynah foi editado o ano passado, em 2013, com a ajuda na gravação e produção do Fábio Jevelim e Makoto Yagyu. Foi unânime a influência dos dois artistas no resultado final do álbum: «Claro que sim. Principalmente, talvez, nas guitarras.», disse-nos o Miguel. «Eu lembro-me de estar na bateria e de eles me dizerem para experimentar algumas coisas diferentes e acabou por funcionar muito melhor.», acrescenta Isaac. A experiência destes dois artistas, acabou também por dar aquela visão de quem está de fora, ajudando-os a compreender o que poderia ser melhorado: «Nós estamos sempre "cá dentro", e fica difícil perceber o que é que fica melhor e o que é que fica pior, e o facto de eles nos poderem ajudar nessa perspectiva foi importante. Tivemos isso tudo em conta antes de escolher onde gravar», afirmou o Tomás. Também o respeito que têm pelo trabalho deles é ponto assente.: «Eles os dois, aquela dupla, têm um selo muito específico nas bandas que gravam com eles e nós também procuramos um bocadinho isso. Ficamos satisfeitos porque temos o selo deles e a mãozinha deles. E as pessoas que conhecem o trabalho deles, reconhecem essa marca no nosso trabalho.»


Isaac, por Sofia Teixeira
Apesar do curto percurso da banda, nomes como o Optimus Alive, Milhões de Festa e Vodafone Mexefest já fazem parte do reportório de locais onde já actuaram. Perguntei-lhes como é que têm sido essas experiências ao vivo, com grandes massas de público: «Os melhores palcos são os festivais. Mas também gostamos de palcos íntimos. Concertos como os de Évora, numa sala pequena, são grandes concertos. O ano passado, no Fusing, tocámos no palco principal, mas ainda estávamos muito afastados do público, este ano foi muito diferente. Até podemos um álbum muito perfeito, com tudo muito arranjadinho, mas se o público não corresponde, não é a mesma coisa. É cliché, mas a verdade é que estamos ali para o público. A nível de montra de exposição da música, os grandes festivais são, sem dúvidas, os melhores palcos. Chegamos a mais pessoas e a pessoas diferentes. Nos palcos pequenos, aquilo é uma união, sentimos aquele clímax entre nós e o público (risos). Clímax é uma boa palavra. (risos)» 


Miguel, por Sofia Teixeira
Há quem diga que ser músico em Portugal não é fácil, e eu quis saber o que pensavam estes quatro rapazes que enfrentam agora o início da sua carreira: «Todos fazemos isto como hobbie, todos temos trabalhos para além da música. Apesar de nos últimos anos ter surgido uma nova vaga de muitas bandas de muito boa qualidade, acho que é muito difícil viver da música. É preciso ter muita coragem para assumir a música como o papel fundamental da vida das pessoas.»(Joel) «Pegando no exemplo do Makoto e do Jevelim, eles na realidade não vivem só de concertos. Se formos a falar de viver na música no sentido de concertos, acho que ninguém vive apenas disso. Eu, falo por mim, por querer viver da música, tentei procurar algo que está relacionado. Fui para televisão e neste momento sou sonoplasta. Na realidade não considero que viva da música, mas vivo do som. (risos)» (Tomás)


O futuro dos JUBA, promete coisas boas: «Neste momento, já estamos a trabalhar no nosso próximo álbum. Os concertos acabaram por algum tempo, também sentimos alguma saturação, já tocamos o Mynah há dois anos, ainda antes de ele sair, já o tocávamos, por isso agora queremos fazer um retiro outra vez. Ir para Sesimbra só os quatro, fazer o álbum e ver o que é que sai dali.» (Miguel)


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Foi muito bom conversar com eles, mesmo com o tempo limitado, e podem ir acompanhando a minha interacção com eles por aqui: http://www.branmorrighan.com/search/label/Juba

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