Entrevista aos Les Crazy Coconuts, Banda Portuguesa

Falar dos Les Crazy Coconuts é, provavelmente, das coisas que faço com mais gosto. Descobri-os em Janeiro deste ano, 2014, através do própr...

Falar dos Les Crazy Coconuts é, provavelmente, das coisas que faço com mais gosto. Descobri-os em Janeiro deste ano, 2014, através do próprio evento organizei dos 5 Anos do Blog Morrighan, e se por vídeo já tinha gostado deles, quando os vi a actuar ao vivo fiquei completamente rendida. Oficialmente são três - o Gil, a Adriana e o Tiago -, mas ultimamente o Hugo também anda com eles e, juntos, como banda, transformam cada concerto num evento único. O género? Bem, quem quiser arriscar que dê o primeiro passo em frente, mas aqui a essência é a genuinidade e a mistura dos teclados com a voz, da bateria com o sapateado, da guitarra com o baixo e, claro, a dança sensual da Adriana! São de Leiria e, desde que actuaram no Morrighan, já vieram a Lisboa outras vezes, tornaram-se parte dos Novos Talentos FNAC 2014 e ainda estão inseridos na fantástica compilação Leiria Calling. Para mim, não existem dúvidas que o futuro lhes será risonho, só espero que outras pessoas que os possam apoiar também dêem conta disso. Para já, fiquemos com a, finalmente, entrevista que lhes fiz no Fusing Culture Experience.

Fotografia por Paulo Gonçalves
A primeira pergunta é a da praxe e está relacionada com a origem da banda, se já se conheciam e como é que nasceram os Les Crazy Coconuts. «Eles queriam conhecer-me. Essa é que é a verdade! Então vieram ter comigo, piscaram-me o olho e disseram "Ah e tal, nós temos uma banda..." (risos) Na, não foi nada disto! (risos) Começou em Paredes de Coura, eu tinha acabado a licenciatura nesse ano e queria fazer um projecto com sapateado. Ainda não sabia bem o que queria, pensei primeiro em fazer uma curta de vídeo-dança, depois fazer uma banda sonora a partir do sapateado, mas entretanto ficou-se apenas pelo projecto de ter uma banda com sapateado. Depois apanhei aquele menino (o Tiago) em Paredes de Coura e espetei-lhe esta tanga toda.» (Adriana)
«Ela drogou-me para eu aceitar! (risos) É verdade!» (Tiago)
«É, ele foi pago! (risos) Mas como ele é seca, tivemos de ir falar com o Gil.» (Adriana)
«Ela inventa sempre alguma coisa diferente a cada pergunta. (risos)» (Gil)
«Tem de ser, senão não tinha piada! Mas a base está lá.» (Adriana)


Não são a primeira banda a inventar uma história, mas não pude deixar de me rir com o sentido de humor destes três. O mais curioso, para mim, era como é que eles teriam conseguido chegar ao som que hoje nos apresentam. Dadas as origens tão diferentes de cada um, e mesmo o facto de serem um projecto único em Portugal, questionava-me como é que teria sido o início da composição das músicas. «Eu levei um chicote. Trabalhem! (risos)» (Adriana) «Ao início não foi fácil, demorámos um bocado até nos encontrarmos.» (Gil e Tiago)
Eles contaram-me que, tanto o Gil como o Tiago, já tinham tido outros projectos, mas ter o sapateado enquanto instrumento musical era uma estreia, tal como para a Adriana era novidade ter o sapateado inserido na música. Em relação à autenticidade do som que acabaram por alcançar, esta é justificada pelo Tiago: «O segredo é não estarmos agarrados a influência nenhuma.» O Gil e a Adriana completam: «Nós não planeamos o que vamos tocar, se vamos fazer um solo ou algo do género.» (Gil) «Quando começamos na brincadeira é quando funciona melhor. "Manda aí um kuduro!!" (risos) E às vezes acontece.» (Adriana)
E com esta resposta, ficámos a saber que quando a Adriana falou com o Gil para se juntar à banda, foi com o propósito de criar uma banda de kuduro progressivo: «E eu aceitei! (risos) Eu não conhecia a Adriana, e ela perguntou-me mesmo se eu queria fazer parte de uma banda de kuduro progressivo. Super séria. Pensei dois segundos e aceitei.»


No Facebook, eles estão caracterizados dentro dos estilos rock/jazzy/pop, mas a Adriana é ainda mais simples a categorizá-los «É o que vocês quiserem, desde que não nos insultem. (risos) Como não temos essas ditas influências directas, também é difícil atribuir um género.»
O primeiro concerto ainda está fresco na memória deste trio e consistiu em apenas duas músicas, no Teatro-Cine de Pombal: «Foi muito bom. O público queria mais, mas com apenas dois meses só tínhamos aquelas duas músicas!»


As performances ao vivo são, indubitavelmente, a melhor forma de divulgar e de mostrar este projecto. Tendo uma componente visual tão forte, que é difícil passar para um disco, perguntei-lhes como é que encaram a gravação de um: «Nós temos noção que ganhamos mais ao vivo, é a ver. Mas também sabemos que, se tirarmos o sapateado, mesmo assim as músicas continuam a fazer sentido e a ter qualidade. Dá nos dois sentidos. A cena de gravar um disco, já falámos em gravar uns extras com filmagens para completar e perceber de onde vem aquele som que não sabem bem de onde vem, mas que é o sapateado.» (Adriana)
«Uma pessoa que não saiba o que é ao vivo, não vai perceber qual é a essência dos Les Crazy Coconuts, mas não colocamos de parte gravar um disco.» (Gil)


Fotografia por Paulo Gonçalves
Os últimos meses têm sido ricos em concertos, o que tem sido muito bom para a projecção dos Coconuts. Desde o acústico no Morrighan ao ar livre, são várias as salas por que têm passado e a satisfação é notória: «Nós queremos é curtir, desde que me levem a passear está tudo bem. (risos)» (Adriana) Também a resposta ao palco preferido foi dada automaticamente pelo Tiago: «Paredes de Coura! (risos)» Ainda não actuaram lá, aposto que vai acontecer brevemente, mas numa resposta mais a sério eles contaram-nos que não diferenciam os concertos pelos espaços: «Estamos ali para dar sempre tudo. É isto que gostamos de fazer


Todos os inícios têm sempre uma história mais insólita, e com esta malta não foi diferente. Para além de um taxista chateado, ficaram sem carrinha numa das vezes! «No Porto, quando fomos fazer a FNAC de Santa Catarina, ficámos a pé e tivemos de cancelar a FNAC de Leiria.» (Gil)


Algo inacreditável é que nunca pediram o número à Adriana, como é que é possível? «Não percebo, eu bato o pé e aceno, mas nada! (risos) Mas em Espanha um espanhol veio ter comigo, meio em espanhol e meio em inglês, dizer-me que eu era uma deusa do sapateado! Isso foi engraçado.»


À semelhança da maioria dos projectos musicais, todos têm projectos profissionais fora da música. Se fazer da música vida é um objectivo? «Era o sonho!», disseram quase em uníssono. Quando perguntei o que era necessário para esse sonho se tornar realidade, o Tiago e a Adriana oscilaram entre o dinheiro ser ou não a razão principal, mas a verdade é que o dinheiro é sempre uma parte muito importante. «Mesmo para uma tour, é sempre preciso dinheiro.» Ainda fiquei a saber que o maior sonho da Adriana, entretanto, é ter um roadie! «Quando tivermos roadies eu fico feliz! (risos)»


Para além dos discos e dos vídeos, existem outras ideias: «Nós temos várias ideias desde que começámos o projecto e tentamos acrescentá-las aos concertos. Passa por não dar só um concerto, mas antes um espectáculo visual - criar cenários, projecções, fazer algo diferente já que o nosso projecto também é diferente. Usar música, luz, dança...» Para eles é importante, durante um concerto, manter o olhar das pessoas no palco, concentradas no espectáculo. «Hoje em dia, as pessoas também são mais exigentes e ninguém se pode dar ao luxo de ficar sentado à sombra da bananeira à espera que as coisas caiam. Uma pessoa tem de correr atrás das coisas, senão não vale a pena. Para isso fico em casa a ver telenovelas.» (Adriana)


O futuro dos Les Crazy Coconuts irá passar, certamente, pela gravação de um disco, mas para já é tempo de acalmar: «De há dois anos para cá, quase não parámos e o ano passado tivemos mesmo de recusar alguns concertos porque precisávamos de parar para compor mais músicas. Pediam-nos mais tempo, mas não tínhamos mais para mostrar. Neste momento precisamos de parar, fazer uma limpeza ao que temos - faz de conta que é a Páscoa, aquela limpeza que se faz às casas nessa altura! (risos)»

Fotografia por Paulo Gonçalves

Não sei se alguma vez viram o videoclip Belong (podem vê-lo aqui), ou outras fotos em que eles aparecem com umas t-shirts próprias (como o Gil na fotografia acima), mas eu já vi e queria uma para mim! Perguntei-lhes onde é que as poderia comprar... «A culpa é nossa... Nós temos as t-shirts e não as vendemos. Aproveitámos uns saldos para as fazer, mas os tamanhos não saíram lá muito certos...» Pessoal, toca a insistir com eles, aposto que as metem à venda se aparecerem mais interessados! 
Já o videoclip, que merece mesmo ser visto, tem a autoria da prima da Adriana: «Eles tiveram imenso trabalho e sinceramente estávamos à espera que tivesse mais projecção. Talvez tenha sido lançado no timing errado. Mas é um vídeo com qualidade e foi muito divertido. O Gil teve de repetir uma cena umas 30 vezes e no fim usaram o primeiro take! (risos)»


Para terminarem, a missão era deixar a mensagem da praxe ao blogue. «Para além de agradecermos à Sofia o trabalho do seu blogue, que apareçam nos nossos concertos e... Votem em nós! Quando for para votarem! (risos)»


É fazerem like aqui: https://www.facebook.com/lescrazycoconuts



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