[Reportagem] Fusing Culture Experience - Dia 2 - Música

O Fusing Culture Experience, tem sido isso mesmo – uma experiência de fusão de culturas numa disposição espacial belíssima e bem coordenada...

O Fusing Culture Experience, tem sido isso mesmo – uma experiência de fusão de culturas numa disposição espacial belíssima e bem coordenada. O espaço na praia é lindíssimo, e ir a um festival com estas condições e diversidade está, de facto, a encher-me as medidas. Andando nisto dos festivais há já muito tempo, consigo ver quando é que algo tem potencial ou não, é apenas comercial ou não, e se realmente se preocupa com quem está lá ou se não passam de meros números. Na minha opinião, o Fusing é um festival para todos, pequenos e graúdos, com espaço e liberdade para todos, mas parece que as pessoas ainda não têm noção disso e, ontem, foi uma desilusão ver tão pouca gente no recinto. Com um cartaz de luxo como este, com tantas actividades extra música, todas elas de valor, custa-me que o festival não esteja a ter a adesão que sempre julguei que fosse ter. Terminada esta nota, passemos ao que interessa, aos concertos!


Fotografia por Sofia Teixeira

Começámos com os Salto, ao início contidos, mas assim que começaram a mostrar o seu trabalho mais recente, pareceram acordar, não só eles como também o público! O Luís Montenegro fez anos e entre temas mais antigos, e outros mais recentes numa onda mais electrónica, acabou por ser uma festa bonita. Para isso também contribui a participação do Ferreira dos Capitão Fausto.




Fotografia por Sofia Teixeira
A abrir o palco Fusing, estiveram os Norton. Este quarteto nortenho, provou o porquê de serem uma afirmação na música alternativa portuguesa e, mesmo a arrancar, puxaram logo de temas bastante fortes, puxando também pelo público e questionando-o se já conheciam Norton ou se já tinham ouvido o novo cd. Se alguém ainda não tinha feito nenhuma das duas coisas, aposto que depois do concerto de ontem vão querer fazer ambas!



Fotografia por Sofia Teixeira
No palco Experience, após os Salto subiu ao palco mais uma banda leiriense – os Nice Weather For Ducks. Estes rapazes foram dos primeiros a darem sinais de que Leiria estava prestes a explodir de boa música e, no seu estilo característico, com os balões, a manta, etc., mostraram o porquê de serem considerados uma grande promessa da música alternativa portuguesa. Leiria Calling a dar cartas, mais uma vez.




Fotografia por Sofia Teixeira

Foi então que chegaram os peixe:avião, num jogo de luzes escuro, sempre envoltos naquela melancolia saudosa que já lhes é característico. Entre músicas mais calmas, cuja ressonância se infiltrava no nosso corpo, e outras mais rítmicas, o concerto deu-se sem percalços e foi bom para conhecer o seu mais recente trabalho.




Fotografia por Sofia Teixeira

De volta ao palco secundário, tive a oportunidade de conhecer os trabalhos de A Velha Mecânica e de Miura. Entre guitarras e baterias fortes, o rock coimbrense fez-se representar sem qualquer timidez e com muita audácia.





Fotografia por Sofia Teixeira

Cícero, cabeça de cartaz, há muito que era esperado, e mal pisou o palco a reacção do público fez-se sentir. Com uma surpresa no baixo, com o nosso artista O Martim, Cícero mostrou-se muito feliz por estar a tocar em Portugal e o concerto não desiludiu. O público esteve ao rubro, entoando as letras, formando uma moldura humana bonita, das mais compostas da noite.





Fotografia por Sofia Teixeira
Existe uma razão para os cabeças de cartaz o serem e, neste caso, os Capitão Fausto fizeram jus a esse mesmo nome. Com o concerto mais explosivo da noite, Tomás e companhia fizeram as delícias dos seus fãs. É daquelas bandas cuja energia e empatia é tão imensa, mesmo sendo tão jovens, que isso passa automaticamente para quem os vê e ouve, fazendo com o que o nosso corpo ganhe vida própria e não pare um segundo. Um gesto muito bonito, foi o apoio e a referência às restantes bandas do cartaz, que Tomás fez questão de mencionar, e ainda o terem convidado o Luís Montenegro a tocar uma música com eles, ganhando assim um bailarino de serviço – o Domingos Coimbra. Já os tinha visto ao vivo, mas apenas numa FNAC e isto superou quaisquer expectativas que pudesse ter.



Fotografia por Sofia Teixeira
Foi com Octa Push que terminei a noite. Ansiosa por vê-los ao vivo, foi um concerto que acabou por usufruir de um público bastante bem disposto, aquecido pelos Capitão Fausto, o que ajudou à dinâmica do concerto. Com mais três convidados, percorram boa parte do seu repertório e mantiveram o público quente com a sua musica pulsante e dançante.




Um dia que apenas pecou pelo pouco público, pois as nossas bandas merecem muito mais. Um bom público faz toda a diferença.

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