[Música] Sabe tudo sobre Os Alice - Nova banda de Rock em português!

Os Alice são a nova banda do rock português e chegou ao mundo da música com o álbum Discórdia. Este já teve grande aceitação por parte d...


Os Alice são a nova banda do rock português e chegou ao mundo da música com o álbum Discórdia. Este já teve grande aceitação por parte do público, facto comprovado pelas mais de 14 mil visualizações do videoclipe do seu primeiro single Gato Morto e pelo concerto de estreia esgotado que aconteceu no dia 27 de Junho, no MusicBox Lisboa.




Os Alice são uma banda lisboeta, mais especificamente da linha de Cascais. O projecto foi começado pelo guitarrista, compositor & letrista Diogo Borges, que, depois de alguns anos a tocar em bandas de rock com letras em inglês, decidiu começar uma banda de rock cantado em português com um dos seus melhores amigos, o baixista António Santos. Depois de terem tocado e composto alguns temas em conjunto, conheceram Afonso Alves. A voz e a alma de Afonso convenceram-nos no primeiro instante. Foi a partir desse momento que começou a surgir a matriz do que são hoje os Alice. Passados poucos meses desde que Diogo e António haviam conhecido o seu novo vocalista, estes tiveram oportunidade de contactar um baterista que morava relativamente perto deles e que tinha fama dentro do grupo de amigos de ser um músico competente. Oriundo do heavy metal, Vítor Martins levou a sua bateria para um primeiro ensaio dos então Vida Órfã - nome que a banda detinha antes de a sua formação se completar. Depois de ouvir as músicas algumas vezes, Vítor acreditou no projecto e nos músicos que acabara de conhecer, tendo chamado o seu colega de banda [Vítor & Guilherme tocavam juntos numa banda de Hardcore/Metal antes dos Alice] Guilherme Baptista para ajudar a sua nova banda a gravar umas maquetes da música que estava escrita. As gravações acabaram por correr tão bem que a banda estendeu o convite a Guilherme para permanecer na banda a tempo inteiro enquanto segundo guitarrista, visto terem gostado do seu espírito trabalhador e profissional, realizado nas suas aptidões enquanto não só produtor mas também músico prático.

As entradas de Vítor & Guilherme no grupo marcaram um momento muito importante. Foi o momento em que o grupo começou a olhar para o novo projecto de forma séria e com o objectivo de de facto mudar alguma coisa, fazer algo diferente e ter uma abordagem profissional. O nome Alice surge neste contexto. A origem do nome é um tema sobre o qual a banda mantém algum mistério - assim como o seu significado - se é que o nome tem um significado. A banda revela no entanto que uma das razões de ter escolhido o nome Alice é pelo facto de ser um nome fácil de dizer, fácil de fixar e directo ao assunto - é um nome que dá também ao grupo uma maior credibilidade enquanto banda de Rock do que o nome Vida Órfã.

A banda escreveu o seu primeiro álbum “Discórdia” antes da entrada do vocalista Bernardo Neves. No entanto, o álbum jamais seria o mesmo sem a presença de Bernardo. Bernardo Neves sempre cantou e sempre impressionou. Afonso tinha já assistido a um concerto ao vivo de uma banda anterior de Bernardo, concerto que impressionou Afonso de uma forma muito positiva. Assim, sendo que partilham alguns amigos em comum, Afonso decidiu convidar Bernardo para assistir a um ensaio da banda e pediu aos seus colegas que tentassem imaginar o que seria se integrassem um novo vocalista no grupo. Tanto os membros da banda como Bernardo estavam reticentes com o que representaria a entrada de um novo vocalista. Seria apenas um back vocals? Como se comportaria em palco? Qual dos dois seria o “frontman”? Existiriam duelos de ego? As perguntas eram infinitas, no entanto a banda tremeu com a voz de Bernardo, não só com a sua voz mas também com a sua inigualável musicalidade e capacidade de transformar a melodia mais simples numa música de arrepiar. Ao início, a integração de um segundo vocalista num projecto que já estava delineado apenas para uma voz foi um processo difícil. O álbum teve de ser revisto durante vários meses e foi procurada a melhor forma de integrar a voz do novo vocalista. Bernardo procurou brilhar pouco no primeiro álbum, dando mais destaque ao seu colega Afonso, visto as músicas terem sido escritas para a voz deste. No decorrer do álbum, existem alguns momentos em que Bernardo se destaca, como em “Premissa” ou nos solos de voz que Bernardo interpreta em “Gato Morto” & “Império Intendente”, mas o grosso da interpretação vocal é feita por Afonso. Uma situação que a banda pretende equilibrar em trabalhos futuros.

Após a formação estar fechada e o nome escolhido, estava na altura de gravar um álbum. “Discórdia” foi gravado no Verão de 2013 por Wilson Silva no estúdios WRecords, que deu alguns importantes retoques estruturais aos temas que já tinham sido produzidos por Guilherme Baptista no decorrer do ano de 2013. Após a gravação do álbum foi escolhido o primeiro single, “Gato Morto”, e feito o primeiro videoclip com Ronnie Fortes.

A banda foi lançada de forma independente nas plataformas online no dia 15 de Março de 2014, mais de um ano depois de as primeiras músicas terem começado a ser escritas. Foi um processo demorado que teve um efeito poderoso no público, que ficou espantado por ver um produto tão bem trabalhado sobre o qual nunca ninguém tinha ouvido falar. O objectivo é simples, conseguir fazer carreira na música portuguesa almejando sempre por criar o melhor produto possível dentro do espectro da música Rock. Enaltecer o português e os portugueses através de música.


A L I C E
“ D I S C Ó R D I A ”
L e t r a - a - L e t r a
por Afonso Alves, Diogo Borges & Guilherme Baptista !!

#01 // Premissa: “A Premissa é uma introdução ao resto do álbum, apresenta-se como uma antevisão da história que se vai desenrolar ao longo do resto dos temas. É também uma reflexão triste e negativa acerca de todos os acontecimentos que vieram dar origem a uma consequência inevitável, a Discórdia, retratada ao longo do decorrer do álbum.”
Letra por Afonso Alves 

#02 // Discórdia: “Discórdia retrata um conflito interno, uma dualidade. Dois seres num mesmo corpo [“trocar a pele”]. A pessoa que causou toda a mágoa não consegue nem quer mudar a sua maneira de ser, mas tudo o que essa pessoa é e representa, vai contra o que a sociedade procura. Representa também a solidão e o facto de, por vezes, ser difícil encontrarmos conforto no nosso próprio habitat. Nós somos exactamente aquilo que vai contra os nossos próprios valores. Somos nós mesmos que nos fazemos duvidar de nós próprios. Muitas vezes, discordamos de nós mesmos.”
Letra por Afonso Alves & Diogo Borges 

#03 // Diabo Na Mão: “Este é um tema com uma sonoridade forte, que pretende mexer com as mentes mais fechadas. Reivindica o facto de não querermos mudar [“por mais que tenhas razão, eu não estou cá para te ouvir”] mesmo sabendo que estamos errados. Tem uma mensagem simples, forte e eficaz.”
Letra por Afonso Alves & Diogo Borges 

#04 // Gato Morto: “Não há como não gostar do Gato Morto, a história de um gato pingado que se encontra à margem da cerca, como muitos outros, e como todos eles não deixa de errar e desiludir todos aqueles envolvidos na sua vida. O refrão é forte e pretende enaltecer a tristeza desse gato que se quer redimir. [“Gato morto” é uma metáfora que pretende representar um jovem que leva uma vida menos bem vista pela sociedade (droga, delitos, etc)]” 
Letra por Afonso Alves & Diogo Borges 

#05 // Império Intendente: “Império Intendente conjuga todos os desajustados de uma designada sociedade: Um dançarino descoordenado, um ébrio que te indica o caminho, um pseudo-intelectual vivido e uma beata alcoolizada. É o prolongar da história do gato morto [representado no tema anterior]. Império Intendente dá-nos a conhecer o mundo dos desajustados e descreve-nos a realidade em que o nosso gato morto vive.”
Letra por Diogo Borges, António Santos & Afonso Alves 

#06 // O Corpo: “O Corpo fala-nos de um sujeito desprovido de alma. Descreve o momento em que só há mais um “corpo louco” que enfrenta uma plateia sem público, ciente da sua banalidade enquanto artista. Confrontado com o seu próprio âmago e vaidade, a sua necessidade de se exprimir não cessa. [O Corpo descreve uma realidade bem presente na indústria da música, fala de um artista cuja arte é vazia e procura apenas um fim: o lucro, seja ele financeiro ou de outra ordem material.]”
Letra por Afonso Alves & Diogo Borges 

07 // Homem Nobre: “Liricamente, pode ser visto como uma realidade à parte do resto do álbum, representa um sentimento patriótico e a necessidade de uma intervenção em Portugal. No entanto pode também ser visto como a aceitação final de uma pessoa que se perde e não sabe quem é - “E quem eu sou(…)” - e finaliza - “Um homem nobre que acaba aqui (…)”. Esta personagem espera por tempos melhores, enaltecendo-se enquanto um nobre mártir. É uma historia que não acaba bem sendo que o personagem representa várias coisas, o país (perdido e com rumo incerto), a música portuguesa (que começa a ser enaltecida por uma nova geração de músicos) ou mesmo o próprio português. [No seu âmago, Homem Nobre foi concebido como um tema de desespero amoroso adolescente. No entanto, foi ganhando proporções de interpretação mais largas, sendo que pode ser visto como um retrato naive da actual situação do país, representando os sacrifícios a que os portugueses têm sido sujeitos. Esta é, claro, uma interpretação secundária que advém da participação do nosso amigo Malabá, que conferiu um tom mais político a um tema que se mostrava nitidamente de cariz amoroso.
É portanto uma letra com duas possíveis interpretações que deixamos à preferência de cada ouvinte.]”
Letra por Afonso Alves, Diogo Borges & Malabá

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