Entrevista a Hot Air Balloon, Banda Portuguesa

Hoje em dia, as novas tecnologias são como auto-estradas e aviões que nos levam a qualquer lugar ao encontro das mais variadas coisas. Por ...

Hoje em dia, as novas tecnologias são como auto-estradas e aviões que nos levam a qualquer lugar ao encontro das mais variadas coisas. Por vezes, temos a sorte de, no meio de tanta banalidade, descobrir projectos bonitos, que nos ficam na memória. A música portuguesa nunca antes atravessou uma fase tão rica, diversificada e produtiva. Prova disso é a quantidade, com qualidade, de discos editados este ano, tanto físicos como digitais. Hot Air Balloon foi uma das bandas que descobri neste 2014 e que está prestes a gravar o seu primeiro álbum de longa duração. Esta dupla composta pelo Tiago e pela Sarah são comparados, muitas vezes, com a dupla Angus & Julia Stone, com a banda Cat Power, entre outros. Já deram concertos em vários países da Europa e agora aqui estão eles, no Morrighan, para darem a conhecer um pouco mais sobre eles. Desde que ouvi a Worms que só anseio por um disco deles! 


Têm origem Irlandesa e Portuguesa, mas os Hot Air Balloon formaram-se em Espanha. O que é que vos motivou a criarem este projecto e como é que este acabou por ter origem no nosso país vizinho?
Eu fui estudar para Vigo, a Sarah Jane já vivia lá, conhecemo-nos, e antes da música surgiu um projecto de vida a dois que alimentou o projecto musical.


De onde vem a vossa paixão pela música?
A minha paixão vem desde muito novo, sempre estive ligado à música. Aos seis anos tocava num grupo de cavaquinhos em Joane, depois aprendi a tocar guitarra e estive envolvido em muitos projectos de música mais alternativa. Só mais tarde é que decidi fazer música de uma forma profissional e fiz um curso superior de Guitarra Clássica.
A Sarah Jane também sempre esteve envolvida com a música, a sua Mãe cantava numa banda nos anos 80 na Irlanda e um dos seus tios é músico profissional. Estudou flauta transversal na escola e bateria com um professor particular, sempre teve uma paixão pelo canto. A música na Irlanda é tratada de forma diferente, existe muita e boa educação musical nas próprias escolas, normalmente toda gente sabe tocar um instrumento ou cantar. Os Músicos são respeitados como qualquer outra profissão, existe também uma cultura de música ao Vivo como nunca vi em outro país.


Como é que descrevem a vossa banda e a vossa música?
Por vezes é difícil descrevermos a música que fazemos, quando não pensamos em nenhuma estética ou estilo quando compomos, mas talvez a nossa música caminhe entre o Folk, blues e  a música alternativa.


Quais são as vossas influências?
Blues, o folk e a música alternativa talvez sejam os pontos em comum entre os dois, mas depois vem o jazz o funky o soul, rock a world music a música eletrónica o clássico etc etc…


Actualmente estão a preparar o vosso primeiro álbum. Aproveitaram uma oportunidade para o fazerem agora ou estiveram à espera do momento certo?
Estávamos à espera de ter um número suficiente de músicas originais, que estivessem bastante rodadas em público, para poder gravar. Achamos que agora é o momento.


O que é que sentem quando são comparados com Cat Power e com o duo  Angus & Julia Stone?
Como são artistas que nós gostamos, sentimo-nos felizes, não nos importa ser comparados a artistas que fazem boa música.


Andam agora em tour, mas as gravações do vosso primeiro LP também estão para breve. Ansiosos por terem o vosso primeiro disco cá fora?
Bastante ansiosos, a reacção das pessoas tem sido surpreendente nunca imaginamos que com um ano de existência faríamos mais de 30 concertos por Portugal, Espanha, Irlanda, França e Bélgica.


E as vossas letras, quem é que as escreve? O que é que reflectem?
Normalmente é a Sarah quem escreve. As letras falam sobre coisas muito diversas, as relações entre pessoas, sobre o pensamento positivo, sobre as nossas “prisões” e a maneira como por vezes somos os nossos piores inimigos.


Dos palcos onde já actuaram, houve algum que vos tenha marcado? Porquê?
Bastantes, mas talvez no Galway Fringe Festival na Irlanda, pela organização e pela reacção do público, na Rádio Central em Antuérpia, a Rádio mais alternativa de Antuérpia, dedicaram um programa de duas horas sobre temas relacionados com o nosso nome, em França, na Bretanha, na Créperie a La ferme, em frente a um Castelo,  dos sítios mais lindos que já tocámos, na Associação Jam Circus em Barcelona, na Braga Music Week, no Espaço Compasso no Porto etc…


Que diferenças, a nível de cultura musical, é que sentem entre Portugal e outros países como Inglaterra ou Espanha?
Achamos que em Portugal existe gente muito dinâmica, criativa e talentosa, mas talvez falte as infraestruturas que existem noutros  países. Pensamos que temos tanta qualidade como em qualquer outro país.
Um exemplo que para mim reflecte um pouco o estado da cultura musical em Portugal é a qualidade da nossa televisão pública, transmite a nossa pior música, fazendo de conta que estão a dar voz à nossa tradição.


Sem ser a música, que outras paixões é que têm?
O contacto com a natureza,  os amigos  um bom vinho e uma boa gargalhada.


E ler, gostam? Algum autor e obra preferidos?
Saramago,  Pessoa, de Ernest Hemingway, Jack Kerouac, Tolkien, Isabel Allende etc..


Por onde vão flutuar nos próximos tempos?
Entre Espanha, Portugal e Irlanda, são as nossas casas.


Que mensagem podem deixar ao leitores do Morrighan?
Pés na Terra, cabeça no ar e o coração livre de movimentos :)





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