Ai que ele vem aí...! [Diário de Bordo XXXIX] Especial Bússola, no Sabotage Rock Club

Não tenho tido tempo nenhum para escrever os Diários de Bordo, mas vou aproveitar alguns espaços que vou tendo para falar das coisas que...


Não tenho tido tempo nenhum para escrever os Diários de Bordo, mas vou aproveitar alguns espaços que vou tendo para falar das coisas que não podem deixar de serem faladas. O dia 12 de Dezembro é um desses dias que não pode ficar por registar, o dia em que vi pela primeira vez Bússola ao vivo, no Sabotage Rock Club. Os Bússola são uma banda da nossa, já querida, cidade de Leiria, e se o primeiro single, Come Home, a anteceder o primeiro EP ainda por lançar, foi um sucesso, vê-los ao vivo superou tudo o que podia esperar.

Já devia saber, pelo historial dos últimos anos, que um projecto vindo de Leiria me iria surpreender sempre, mas com os Bússola foi um pouco diferente. Se First Breath After Coma, com o seu espírito jovem, trouxe um novo significado ao post-rock, tornando-o mais cantado e com músicas mais curtas; se os Les Crazy Coconuts trouxeram todo um novo ritmo e estética aliando o sapateado à música electrónica; se os Nice Weather For Ducks ainda hoje são impossíveis de serem comparados pelo seu estilo único; se os The Allstar Project são uma autêntica referência nacional e internacional no que toca ao post-rock puro, para mim dos melhores; com os Bússola, por momentos, fiquei sem chão sólido, antes com uma sensação de leveza, alegria e tristeza ao mesmo tempo, uma melancolia suave de apertar o coração, mas ao mesmo tempo de nos deixar de sorriso nos lábios.

Aqui há uns meses, a Preguiça Magazine escreveu um belíssimo texto sobre os Bússola, que podem ler aqui, e com o qual, depois de os ver ao vivo, porque eu tenho essa necessidade, ainda mais do que ouvir os discos em casa, concordo plenamente. Estes cinco rapazes (homens) têm mesmo um segredo muito bem guardado - a sua música ímpar. Tenho de ser sincera, quem os ouve, sem qualquer informação prévia, dificilmente dirá que são portugueses. Sei que pode parecer preconceituoso afirmar uma coisa destas, mas a começar pela sonoridade, passando pelo sotaque e pela própria maturidade da sincronia entre cada um deles, parece que estamos perante um grupo que nunca fez outra coisa senão tocarem juntos pelo mundo fora.

Adoro o contraste entre as vozes do Pedro Santo e do Nuno Rancho, na música The End of Time por exemplo, não querendo desfazer os restantes. Sendo as que contrastam mais, admiro imenso o poder vocal do Nuno, que consegue manter os agudos sempre afinados, e como a voz mais grave do Pedro transmite uma sensação de conforto, de calor. São poucas as vezes em que encontramos uma banda com tanta harmonia vocal, para não falar na familiaridade entre todos em cima do pequeno palco. E o som do contrabaixo! É realmente um instrumento do qual gosto muito e foi bom encontrar um registo no qual encaixa de forma perfeita. 

Mesmo no desassossego de algumas letras, todo o reportório foi de uma beleza inegável, com fases mais intensas e outras mais descontraídas, e, mais uma vez, foi um orgulho poder presenciar este concerto. Tivemos direito a encore, a duplo encore, enfim, foi uma festa muito bonita. Tenho mesmo muita pena que a indústria musical portuguesa, por vezes, seja tão fechada e viciada, mas continuo na esperança que o verdadeiro talento terá o seu lugar, se não cá em Portugal, certamente lá fora. Até breve, Bússola.




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