Mais um Daqueles Posts que Ninguém Gosta de Ler

Uma vez li um comentário mais ou menos assim "Eu acho que os blogues não têm, nem devem, ganhar dinheiro com o que fazem."  ...



Uma vez li um comentário mais ou menos assim "Eu acho que os blogues não têm, nem devem, ganhar dinheiro com o que fazem." 

É engraçado alguém dizer uma coisa destas quando ainda por cima tem dependido de blogues para ou ser conhecido ou tentar vender alguma coisa. Mais engraçado ainda, é os blogues fazerem mexer boa parte da economia cultural, com muita gente a lucrar com o seu trabalho, e as pessoas acharem que um simples obrigada é pagamento mais do que merecido. 

É certo que nunca fiz dinheiro nenhum com o meu Blog BranMorrighan. Também é certo que nunca foi com vista a fazê-lo que o criei e que o continuo a alimentar. Mas quando se discute a possibilidade de receber seja o que for porque realmente trabalhou para isso e lê-se este tipo de afirmação estúpida, a vontade que dá é de boicotar tudo e mais alguma coisa. É um assunto pertinente, claro. As bloggers de moda fazem dinheiro e vivem do que lhes enviam, por exemplo. Eu também vivo dos livros e dos discos que me enviam (sejam físicos ou digitais), alimentam-me a alma e isso não tem preço. Mas quando é evidente que o meu trabalho anda a dar de comer a uns quantos (mesmo que sejam só uns chocolates ou um almoço na tasca) e leio destas coisas... Faz repensar muita coisa. É isso e quando estou horas a trabalhar numa peça, tendo perdido outras quantas na entrevista/no concerto/a ouvir o disco/ler o livro, e depois nem um obrigada por parte do artista se recebe. 

Depois queixam-se. Queixam-se que em Portugal não se vende, queixam-se de serem alvos de críticas de snobismo e elitismo, mas please, julgarem-se superiores a alguém que, voluntariamente, se dedica a divulgar, com consistência, os seus trabalhos... 

Isto tudo porque estava aqui a pensar nos balanços de 2014 e podem crer que no meio das coisas boas todas que tive, e foram muitas, também aprendi muita coisa. Como por exemplo a dizer que não, quando antes de conhecer os ditos cujos teria dito que sim. Dizer não com pena, porque as expectativas eram altas, mas depois o valor humano mostrou-se fútil. E é por isso que 2014 foi um ano muito importante - reeduquei-me. Dizem que se deve separar o artista, enquanto indivíduo, da sua obra. Que não se deve julgar um pelo outro. Concordo até certo ponto, não acho que seja uma relação bidireccional. Podem haver artistas cuja obra não é assim tão boa, mas que compensam sendo grandes ser humanos, e depois há outros cuja obra até pode ser lindíssima, mas que com a sua maneira de ser estragam tudo. 

Enfim, só um desabafo, um de muitos, de muita coisa que vejo e que ainda me consegue surpreender. 

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