Opinião: Merlin – Os Anos Perdidos, de T. A. Barron

Merlin – Os Anos Perdidos T. A. Barron Editora : Editorial Presença Sinopse : Antes de ser Merlin, ele era apenas um menino, se...

Merlin – Os Anos Perdidos
T. A. Barron

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Antes de ser Merlin, ele era apenas um menino, sem terra, sem memória, sem nome. Um mar tempestuoso lançara-o para as costas escarpadas do país de Gales, juntamente com uma mulher de extraordinária beleza que dizia ser sua mãe. Cinco anos mais tarde, estão a viver juntos numa aldeia, mas o rapaz sonha descobrir a verdade sobre si próprio e sobre os seus estranhos poderes, e parte em busca das suas origens. Chega a uma ilha, Fincarya, que se assemelha ao paraíso na Terra, mas rapidamente se apercebe de que uma entidade maléfica, em conluio com o rei da ilha, Stangmar, ameaça destruí-la. Sem saber que Fincarya é a sua terra e Stangmar seu pai, o jovem empenha-se na salvação da ilha e do seu povo e, com a ajuda de um grupo de novos amigos – um pequeno falcão; Rhia, uma rapariga que fala com as árvores; e Shim, um gigante que tem o tamanho de um anão -, tenta entrar no castelo rodopiante do rei, enfrentando perigos inimagináveis. Aventura, tesouros, criaturas mirabolantes, florestas frondosas, castelos em ruínas e muita magia num épico fantástico que nos revela os anos de juventude daquele que estava destinado a ser o maior mago de todos os tempos – Merlin!


Opinião: Merlin, um nome que desperta tantas lembranças como curiosidade. Quem é que nunca ouviu falar da lenda do Rei Artur? Ou até da própria versão de Marion Zimmer Bradley - As Brumas de Avalon? Sempre que se trás à superfície o nome daquele que dizem ter sido um grande feiticeiro, a imagem associada é quase sempre de alguém já em idade algo avançada, uma longa barba branca, o seu cajado parecido com um tronco de uma árvore e um sorriso benevolente. Já li tantas versões da lenda, tantas adaptações a série e a filme, que mesmo assim nunca me consegui cansar da capacidade que as pessoas têm de reinventar esta história. No caso deste Merlin - Os Anos Perdidos, despertou-me o facto de ser um livro sobre a infância de Merlin, sobre aqueles anos que dizem terem sido passados n'O Outro Mundo. Dado que a maioria dos contos são sempre já com Merlin crescidinho, despertou-se-me logo o interesse. 

A narrativa começa com uma imagética bastante forte, o autor tem uma grande capacidade de descrever os cenários projectados e a forma como moldou a natureza conquistou a minha admiração. Tudo principia com uma criança sem memória, que não sabe onde se encontra ou quem é, a única esperança é a mulher que avista perto de si. Mas o perigo não tarda e rapidamente ele tem de reagir se quer continuar vivo e ainda proteger aquela desconhecida, que viria a dizer-lhe ser sua mãe. Sem nunca acreditar nela, Emrys inicia um caminho solitário, com medo dos que o rodeiam, sem nunca ser totalmente aceite ou livre. Chegado o dia em que para proteger Branwen, a mulher, os seus poderes despertam de forma trágica e irreversível, ele sabe que nunca mais será o mesmo. Não só provoca a morte, como quase morre, descobrindo uma cegueira que só será ultrapassada abdicando dos seus poderes. Ou assim pensa ele. 

É uma longa-curta viagem esta que vemos o pequeno Merlin percorrer. A partir do momento em que decide descobrir, de vez, o seu passado, o local onde pertence e o seu verdadeiro nome, inicia uma aventura em que no seu decorrer encontra alguns companheiros, muitas adversidades e ainda mais perguntas do que respostas. Tal como em qualquer demanda, também a descoberta do verdadeiro amor, a superação pela amizade, a capacidade de perdoar e de se sacrificar, são elementos fortes no enredo. A escrita é fluida, os diálogos são simples, a construção do mundo está coerente e o ritmo de acção é equilibrado. 

Penso que se tivesse lido este livro há uns dez anos atrás, teria tirado mais gozo dele. Compreendo a comparação que fazem com o Harry Potter, no sentido de aventura e de um menino à procura da sua identidade, mas tirando o facto de envolver magia (da natureza e não como a de Hogwarts), as semelhanças terminam aí. E é aquela certeza de que se for ler o Harry Potter agora, já não tem o mesmo fascínio que teve quando li o livro pela primeira vez há 15 anos atrás. Porém, é uma obra que vale pela sua beleza descritiva, pelo sentido de protecção, por ainda assim manter a vontade de ver que rumo é que o autor irá dar a este Merlin, antes de se tornar no conselheiro de Artur. 

É um livro que se lê bastante bem, mas reforço a ideia que um adulto mais exigente poderá não se entusiasmar muito com a leitura, sendo que uma criança ou um adolescente que goste de lendas antigas, poderá facilmente ficar fascinada. Eu gosto de descobrir estes retellings das lendas celtas, por isso ficou a curiosidade para os próximos capítulos. 

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