[Playlist da Quinzena] 16 a 31 de Março de 2015 - As Escolhas de Helena Ales Pereira

Helena Ales Pereira Tomei contacto com a Helena por causa do universo em que estou inserida, mas rapidamente percebi que tínhamos muit...

Helena Ales Pereira

Tomei contacto com a Helena por causa do universo em que estou inserida, mas rapidamente percebi que tínhamos muitos mais gostos em comum para além daquela característica óbvia de termos o bichinho de fazer mais e melhor. Quando soube que ainda escrevia sobre música de vez em quando, e porque esta rubrica não se limita a músicos, achei que estava na altura de termos a primeira, de muitas espero, presença feminina no que à Playlist da Quinzena diz respeito. Com o sorriso contagiante da fotografia, deixo-vos mais informações sobre a nossa grande Helena! 
Atual diretora de Comunicação e Marketing na Penguin Random House, foi jornalista durante 17 anos, nos quais se dedicou sobretudo às revistas mensais, onde escrevia “sobre tudo”. Foi a partir de 2008, quando assumiu a edição de uma revista, que passou a escrever quase em exclusivo sobre cinema, teatro, literatura e música. A partir de 2013, passou a colaborar com o site Palco Principal e com a Mutante, e a música passou a ser o seu universo central de trabalho, “mas sempre” a par com os livros. Agora, sobra-lhe pouco tempo para a escrita mas, quando as saudades apertam, ainda se oferece para reportagem de concertos ou crítica musical no Palco, como a reportagem do recente concerto de José González. Ah, e o seu Facebook está sempre a ser alimentado com música. 



Escolhas musicais: Covers

1-Rufus Wainwright – Across the Universe [The Beatles]
Original dos The Beatles do álbum Let it Be (1970). Gosto da versão mais orquestrada do Rufus, acho que fez um excelente trabalho nos arranjos deste tema que ele incluiu no álbum Vibrate: The Best of (2013), embora o tenha gravado originalmente já em 2009.

2-Youth Group – Forever Young [Alphaville]
Além do ‘clássico’ da minha juventude, o que me apaixona nesta músico é o vídeo que retrata bem os anos oitenta: um grupo de miúdos a andar de skate, sem qualquer proteção, numa total liberdade e descontração. Gravada pela banda australiana Youth Group em 2006, já sem a batida mais pop electrónica dos sintetizadores dos Alphaville, é uma canção para ouvir todos os dias!

3-Julia Holter – Don’t Make me Over [Dionne Warwick]
Começa por ser uma versão mais jazzy, só com um contrabaixo e voz, do original escrito por Burt Bacharach e Hal David para a Dionne Warwick (1962), mas depois torna-se uma canção cheia de energia.

4-Arctic Monkeys – Baby, I’m Yours [Barbara Lewis]
Adoro este tema! É daquelas canções que sou capaz de ouvir 10 vezes seguidas! Há duas versões gravadas em 1965: a de Barbara Lewis, nos Estados Unidos, que eu prefiro; e a de Peter and Gordon, no Reuno Unido. Do que eu gosto da versão dos Arctic Monkeys é que é está cheia desta boa onda contagiante que só apetece cantar alto.

5-Cassandra Wilson – Harvest Moon [Neil Young]
Uma canção maravilhosa do álbum homónimo de Neil Young de 1992. Mas a Cassandra Wilson, que a gravou em 1995, canta isto de uma forma tão íntima, tão interiorizada que se sente na pele.

6-Cibelle & Devendra Banhart – London, London [Caetano Veloso]
Uma dupla fantástica a cantar London, London, o terceiro álbum de Caetano Veloso que o músico gravou já no exílio londrino, em 1971. Uma canção brasileira com cheirinho de nostalgia. Gosto do jogo de vozes da Cibelle e do Devendra.

7-Caetano Veloso – Get Out of Town [Cole Porter]
Este tema que Cole Porter compôs em 1938 para o musical Leave it to me! deve ser das canções mais “coverizadas” de sempre. Prefiro esta versão do Caetano, precisamente por causa deste som Bossa Nova que ele lhe acrescenta.

8-Rhiannon Giddens & Iron&Wine – Forever Young [Bob Dylan]
Original de 1974 do Bob Dylan, um dos grandes compositores da música folk, que a compôs para um dos seus filhos. Gosto muito da versão do Eddie Vadder desta canção, mas descobri recentemente esta e eu não consigo ficar indiferente à voz do Sam Beam, dos Iron&Wine.

9-Duran Duran – Lay Lady Lay [Bob Dylan]
Descobri esta música por acaso, numa daquelas minhas deambulações pelo youtube. Faz parte de um álbum só de covers, o Thank You, que os Duran Duran gravaram em 1995, e esta é um original do Bob Dylan de 1969. Adoro a voz arrastada do Simon Le Bon a dizer “lay across my big brass bed...”

10-Patti Smith – Smells Like Teen Spirit [Nirvana]
A grande Patti Smith a cantar os Nirvana. Need to say more?

11- Scott Matthew – Love Will Tear Us Apart [Joy Division]
Scott Matthew inclui esta canção numa colectânea só de versões, o Unlernead (2013), que eu tive oportunidade de ver no final de 2013 no CCB e com quem falei a propósito deste trabalho. Foi dos concertos mais contrastantes que eu já vi: ele é enorme, um conversador nato, que está sempre a dizer piadas e depois entra nestas personagens densas, sofridas, quando canta. É simplesmente avassalador.

12-Jeff Buckley – I Know it’s Over [The Smiths]
Não há nenhuma canção que o Jeff Buckley tenha cantado que não tenha ficado maravilhosa. A voz dele arrasta-nos sempre para lugares etéreos. Pode ser a letra mais triste do mundo ou a mais alegre, ele leva-nos lá. Johnny Marr e Morrisey ter-se-ão sentido, sem dúvida, bem representados nesta versão.




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