E agora, o que se segue? [Diário de Bordo LII] Desabafos, desabafos

Estou bem, não se preocupem, eu estou bem. Tem sido uma longa viagem nesse sentido, mas aos poucos as coisas endireitam-se. Desde Outubr...


Estou bem, não se preocupem, eu estou bem. Tem sido uma longa viagem nesse sentido, mas aos poucos as coisas endireitam-se. Desde Outubro que a minha vida tem dado tantas voltas que tento nem sequer olhar para trás em demasia para não cair em qualquer espiral parva e desnecessária. Duas mortes num mês, amigo de infância e um dos melhores amigos, é uma dose que nunca imaginei viver, referir que no mês antes andei eu nas urgências, bem, parece que foram há mil vidas, entre tantas outras coisas, fizeram que, quando decidi tirar um dia só para mim, tudo me caísse em cima.

Tenho entrevistas com meses de atraso. Um processo de transcrição consegue demorar entre 2 a 4 horas e só de pensar em reservar tanto tempo para uma única tarefa, também ela desgastante, é o pânico. Tenho tantos discos dos quais quero falar, tantos livros por ler e por vos mostrar... Mas no fim do dia o blogue continua a ser apenas uma actividade pro bono que muito me apraz, mas que não me traz dinheiro nenhum. E é aqui que por vezes a incompreensão de terceiros entra. É que a minha profissão é de engenheira informática, encontro-me a tirar o doutoramento e a dar aulas na faculdade. Se só estas duas actividades são suficientes para deixar qualquer um louco, imaginem juntar o basquetebol e um blogue que, a ser rentável, dava trabalho full time a várias pessoas. Eu compreendo que as pessoas queiram resultados bons e rápidos quando me pedem algo, mas se faço o que faço sem pedir nada em troca, com tanta dedicação, acho que a compreensão é um requisito mínimo para qualquer parceria e colaboração funcionar. 

E eu tenho tido essa compreensão por quem me acompanha há mais tempo, por quem conhece minimamente a minha realidade, mas tenho noção que muitos entrevistados e até, talvez, alguns dos que me pedem entrevistas para os seus artistas não tenham assim tanta noção. Não faz mal, a sério que não, sou super descontraída em relação a essas coisas, mas mais uma vez reforço que não me vou fazer passar por algo que não sou. E se há algo que sei que não sou é super-mulher. Todas estas circunstâncias têm sido de uma carga emocional e uma intensidade muito fortes e não se recuperam num dia, nem dois, nem uma semana nem um mês, por vezes nem numa vida. Mas eu estou confiante que as coisas vão melhorar, mesmo que ao meu próprio ritmo. Quero acreditar de que quem gosta do meu trabalho vai aceitar esperar pela altura certa. Eu só consigo fazer as coisas bem e com entusiasmo quando me sinto em sintonia. Se vou forçar uma disposição, esqueçam, não vai dar certo. 

Vou aproveitar esta onda, mesmo sabendo que poucos vão ler isto, para reforçar a ideia de que, se ao princípio há sempre aquele trabalho de formiga em que temos que mostrar o nosso valor e a nossa qualidade, neste momento eu sinto a necessidade de definir prioridades e ir-me focando por completo nelas. Isto reflecte-se no sentido de preferir trabalhar como deve ser um livro, um autor, um artistas, um disco, do que tentar cobrir divulgações de todos, entrevistas por mail a todos, etc. etc. Até porque sou só uma pessoa e não uma equipa como a maioria pensa. 

Só esta semana cancelei umas três ou quatro entrevistas, uns quantos concertos, porque tive de respeitar que não estava em condições para isso. E porque acho que tenho o direito ao meu espaço. Não tenho abdicado da minha caminhada matinal, daquelas pequenas rotinas que nos fazem sentir confortáveis, e acho que não tenho que me sentir culpada por isso, mesmo que por outro lado sinta uma pressão enorme tanto a nível académico como do blogue. É claro que o nível profissional estará sempre em primeiro lugar, é claro que os meus alunos e o meu doutoramento são prioridades, mas o blogue tem toda esta componente de entrega e de gosto que torna tudo muito  especial.

E, para já, é só isto. Um bla bla bla por puro exorcismo de pensamentos que me andavam a martelar. Prometo que o próximo, pelo menos, será muito mais positivo, pois tenho umas coisas giras a partilhar convosco. Lá vou eu caminhar! (Aquela fotografia inicial faz parte do meu ponto de retorno na caminhada, lindo lindo lindo!) Beijos e até breve! 

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