Entrevista aos The Leeway, banda do português Pedro Barquinha

Lançaram o seu primeiro trabalho faz 5 de Maio e um dos membros e o português Pedro Barquinha, chamam-se The Leeway e ultimamente têm-se de...

Lançaram o seu primeiro trabalho faz 5 de Maio e um dos membros e o português Pedro Barquinha, chamam-se The Leeway e ultimamente têm-se dedicado à gravação de alguns vídeos mais intimistas com versões desse primeiro trabalho. Em preparação para um novo, chegou a oportunidade de sabermos mais sobre este português e o seu projecto musical, entre o rock, folk e indie, sediado em Brooklyn, Nova Iorque. 


Fala-nos um pouco sobre ti e como é que foste parar a Nova Iorque.
Estudei na ETIC em Lisboa. Na altura o meu instrumento principal era a bateria. Nesse contexto, decidi que queria vir para Nova Iorque estudar música depois do secundário. Fiz uma audição para New School for Jazz and Contemporary Music e entrei. Já estou cá desde 2010 que foi quando comecei o curso lá. Acabei o curso em 2013 com vocação em composição.


A música sempre esteve presente na tua vida? Tocas vários instrumentos, há algum deles que gostes especialmente de explorar e procurar novas sonoridades?
O meu avô era grande fã de música clássica mas sem ser isso, não. Tive um amigo que tocava bateria no 5º ano. Foi ai que comecei a tocar. Depois toquei guitarra durante uns tempos também. Mais recentemente comecei a tocar piano, a cantar e a tocar bandolim. Sempre gostei de experimentar instrumentos diferentes e continuo a ter vontade de expandir o meu repertório de instrumentos. A forma melhor de me tornar bom a escrever para um instrumento é tocá-lo... isso é uma das razões. O Ravel tocava todos os instrumentos da orquestra. Não chegarei a esse ponto e não me estou a comparar ao Ravel, mas é uma boa inspiração!


Como é que surge a ideia de criares os The Leeway? 
No final do curso na New School tive de preparar um recital. Foi nessa altura que eu decidi acabar algumas músicas que tinha começado e orquestrá-las para esse grupo de instrumentos.


Da criação ao EP, como foi todo o processo de composição musical?
Foi mais ou menos uma decisão que eu tomei de criar a banda e de gravar um EP. Falei com os membros todos e marquei o estúdio e acabei de compor as músicas usando a data de estúdio como data limite. 


Será que nos podes guiar pelo disco e falares-nos um pouco de cada uma das seis músicas?
Sim, vou por ordem. O EP gira à volta do tema de relacionamentos mal sucedidos. Isto não foi uma escolha minha, nem é sobre mim na maior parte das vezes, mas é um tema que me vem naturalmente, e é também por sua vez um tema recorrente no Folk/Bluegrass.
1.Come Back - É escrita do ponto de vista de alguém que perdeu alguém numa relação e está a tentar ultrapassar essa fase depois de ter atingido o ponto mais baixo desse processo. Musicalmente, comecei com o “riff” que é tocado pelo banjo e piano. Desse nasceu também a linha que aparece entre linhas no refrão. Acho que a estrutura desta música foi especialmente bem sucedida a nível de ser natural mas imprevisível.
2.If Only - Esta música é uma espécie de ode a dificuldades em fazer um compromisso em relações. A personagem da música tem sentimentos pela pessoa a quem se dirige, mas por experiências passadas não consegue aceitá-lo. Esta foi composta ao piano uns anos antes da banda se formar formalmente.
3.Mother - A letra veio-me bastante naturalmente. Foi inspirada pela ideia de que todos (ou a grande maioria das pessoas) começamos tão perto das nossas mães e tão dependentes delas, mas com o tempo essa relação altera-se.
4.Returning Home - Esta foi composta por mim e pelo Bennett Sullivan que toca banjo na banda. A letra foi composta por uma amiga, a Kat Lee. Esta foi a primeira em que pensei orquestrar para o grupo de instrumentos actual. 
5.Fairest Darling - Composta pelo Mike Robinson que toca guitarra connosco, é a mais tradicional do EP. É também a mais dramática a nível de tema. Não só uma relação acaba como a rapariga morre num barco.
6.Sun is Shining - Sem dúvida a música mais feliz do álbum, de certa forma a servir de remédio ao resto e à Fairest Darling em particular. É a primavera depois do Inverno. Fala de encontrar alguém novo que nos faz feliz depois de termos passado por um mau bocado. Musicalmente, acho uma das mais interessantes tanto a nível de harmonia (acordes) como a nível de estrutura. 


Agora estás a preparar um novo trabalho, mas num ambiente mais intimista. As músicas são as mesmas do EP, mas estão a gravá-las em versão “live”. Porquê essa opção? Será uma espécie de “lembrete” para um disco de longa duração a chegar em breve?
Sim, é como um lembrete do EP. Não tínhamos produzido material nos últimos tempos por isso achámos bem lançar algumas músicas novas e reinterpretações de músicas dos EP num formato casual antes de lançar um álbum completo que virá talvez no início do próximo ano.


Como é que tem sido a receptividade pelos Estados Unidos? Tens conseguido viajar com a banda e levá-la a mais locais, fora de Brooklyn?
Tem sido muito boa. Temos saído de NY às vezes, mas continuamos a construir a nossa base por aqui principalmente. Somos capazes de tocar alguns festivais cá no verão.


E Portugal, é um destino a ter em conta brevemente? Seria muito bom poder ter o vosso trabalho por cá! 
Gostávamos de ir ai na próxima primavera para promover um álbum! 


Tens noção da realidade musical portuguesa? Consegues fazer algum tipo de análise comparativa ou até paralela entre uma indústria e outra?
É difícil para mim manter-me a par do que se passa por ai. Acho que com isso em conta, posso dizer que o que noto mais é a diversidade que existe cá, e o número de projectos presentes em NY que é esmagador. Por um lado a competição cá faz com que seja mais difícil para um músico se destacar, mas quando aparecem oportunidades, elas podem ser muito grandes. Em Portugal talvez seja mais fácil criar uma carreira e ser reconhecido mas é mais difícil continuar a crescer a partir de um certo ponto. 


O que é que gostavas de ainda vir a concretizar no futuro?
Muitas coisas diferentes. Como compositor tenho interesse em música para cinema, em ter projetos clássicos, trabalhar como compositor por comissão, etc.


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