[Divulgação c/ Opinião] Soundtracks VOL.I, de André Barros

DIVULGAÇÃO André Barros estudava Direito e, no último ano começou, de forma autodidacta, a tocar piano. Depois de acabar o curso, res...




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André Barros estudava Direito e, no último ano começou, de forma autodidacta, a tocar piano. Depois de acabar o curso, resolveu apostar num novo rumo de ensino, a produção musical que o levou a rumar à Islândia para trabalhar alguns meses no Sundlaugin Studio (o tal estúdio que os Sigur Rós construÍram nas instalações de uma antiga piscina). Foi lá que privou com nomes como Olafur Arnalds e elementos de Múm, Amiina e Of Monsters & Men e o seu disco de estreia "Circustances" foi mesmo lá finalizado (mistura e masterização).

Entre o universo contemporâneo, o clássico e o de bandas sonoras, André Barros foi apontado pela revista Blitz como uma das principais esperanças nacionais para surpreender em 2014. Nesse ano compôs e interpretou música para cerca de dez filmes e uma coreografia de dança, colaborando com realizadores de países como Estados Unidos, Japão, Índia, Alemanha, Islândia e Espanha.

O novo disco "Soundtracks Vol.I" apresenta algumas das composições que André Barros compôs e gravou no passado ano de 2014 para diversas bandas sonoras e ainda o tema "Gambiarras" que conta com a colaboração (texto e voz) de Valter Hugo Mãe. É por lá que encontramos também os temas do filme "Our Father", de Linda Palmer (que tem Michael Gross - o pai de "Michael J Fox" em "Quem sai aos seus" - no papel principal), que já lhe renderam um galardão para melhor banda sonora no Los Angeles Independent Film Festival Awards e que, depois de ter alcançado boas críticas e alguns prémios em vários festivais, chega agora à edição de 2015 do Festival de Cannes.

Estes são os próximos concertos de apresentação (acompanhado de quarteto de cordas):
2015-06-04  21h00  Lisboa  (CCB)
2015-06-05  21h00  Porto (Casa da Música)
2015-07-02  21h30  Leiria  (Teatro Miguel Franco)
2015-07-16  21h30  Arcos de Valdevez
2015-07-18  21h30  Marinha Grande (Casa da Cultura)




OPINIÃO
Apresentações feitas, não será de estranhar dizer que acho que estamos perante um dos discos mais bonitos do ano. 2015 está a ter uma temporada excelente no que toca a compositores portugueses cheios de qualidade e originalidade, mas no caso de André Barros é preciso acrescentar uma certa elegância, quase sofrida, nos sons que resultam das suas composições em piano e cordas. Mais, dado 16 dos 17 temas terem sido desenvolvidos para bandas sonoras, não será demais enaltecer a responsabilidade assumida. Todos sabemos que uma boa banda sonora pode distinguir um filme mediano de um grande filme. No aspecto cinematográfica, a música consegue ser fundamental nos devidos tempos e não terá sido por acaso que André Barros já ganhou prémios nessa área. Ele sabe o que faz, não sei se de forma consciente, se por instinto, mas sentado ao piano brincar é coisa que não faz.

É impossível ficarmos indiferentes a alguns dos temas. Se Jared e Wounds of Waziristan já andavam a circular antes de eu ter acesso ao disco, sei que mal o coloquei no leitor, a primeira música - Our Father - mostrou desde logo ser um pronúncio de que muito mais, e muito bom, estava para vir. O truque está nos pormenores, nos pequenos sons, naquele roçar cadencioso, quase gentil, dos instrumentos. Flowers On Your Skin, o quarto tema, é dos meus preferidos. É como navegar por um mar tanto tormentoso como pacífico. Reparo agora, enquanto olho para a ficha técnica do disco, que foi criada para uma performance de arte contemporânea de Barcelona. Não me custa nada imaginar algo belo, sofrido ao mesmo tempo, a movimentar-se ao som de cada uma destas notas. Em tom de destaque individual, deixo o último para Gambiarras, uma combinação fortíssima e intensa entre a composição de André Barros e a poesia incontornável de Valter Hugo Mãe. Numa das entrevistas que fiz ao Valter, ele comentava que não devia ser lá muito bom poeta porque como tal não tinha vingado muito na literatura. Digamos que neste pequeno poema a incisão e a força das suas palavras contraria bastante essa noção.

Explorando este disco como ele merece, conseguimos também perceber a carga com que, possivelmente, cada tema foi criado. Cada um dos filmes e documentários para os quais as músicas deste disco foram criadas, com excepção de Gambiarras, estão repletos de uma densidade humana brutal. Para além do filme Our Father temos ainda os documentários e short films: "Culture Clash", "Between Waves", "Two Feet to Fly" e "Le Jardin d'Evald". Uma pequena pesquisa comprovará que é preciso uma dose considerável de sensibilidade para compor para este tipo de obras. 

A minha opinião vale o que vale, mas reitero, ouvirem este disco não só vos deixará mais ricos culturalmente como também vos proporcionará uma viagem única, profunda. Um eco de emoções que tanto podem estar reprimidas como à espera da nota certa para serem expelidas, qual sopro suspenso no tempo. Mais do que recomendado, imperativo será assistir a um concerto ao vivo. 

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