[DESTAQUE c/ Opinião] Francis Dale com novo disco pela NOS DISCOS

Artwork por João Pedro Fonseca Tenho andado a guardar esta pequena preciosidade para vos mostrar. Falo-vos do novo disco homónimo de F...

Artwork por João Pedro Fonseca

Tenho andado a guardar esta pequena preciosidade para vos mostrar. Falo-vos do novo disco homónimo de Francis Dale, recentemente lançado pela NOS Discos. Começando pela capa, esta foi obra do nosso já conhecido João Pedro Fonseca e, ouvindo o disco e vislumbrando o propósito do mesmo, faz todo o sentido.

É um disco para se ouvir de headphones, daqueles que isolam bem o exterior e nos permitem mergulhar em pleno nas sonoridades. É, também, um disco que sendo português, ao ouvi-lo poderia dizer que estava perante um talento sólido internacional. O ambiente electrónico, as batidas ritmadas e a voz cúmplice transportam-nos para uma zona etérea em que as letras se alinham ao som, preenchendo-nos e deixando-nos vazios, como uma espécie de maré irrequieta.

Diogo Ribeiro, o nome por traz do projecto português, tem uma voz invejável e que encaixa harmoniosamente no género que produz. Não é difícil as músicas ecoarem na nossa mente, mas é ainda mais fácil fecharmos os olhos e deixarmos o corpo expressar-se livremente. Apesar de todo o potencial que as novas tecnologias trouxeram à música electrónica, não deixa de ser necessário ter o condão de fazer com que tudo faça sentido. Ao ouvir este disco, e em tom de brincadeira, fico com a sensação que os astros souberam como se alinhar, resultando em seis músicas versáteis dançáveis, que procuram no pensamento, na reflexão e nas emoções um porto de abrigo. É todo um oceano por explorar. Não se ouve só uma vez, ouvem-se muitas e em loop. Ou pelo menos foi isso que aconteceu comigo. 

Eleanor, a quinta música, já tem vídeo, mas não podia terminar este post sem dizer que a minha preferida é, na verdade,  Poème Électronique. Não sei dizer bem porquê, porque gosto de todas, mas existe algo no ritmo daquela música que mexe verdadeiramente comigo. E a última, Auguries of Spring, é uma espécie de epopeia na despedida, aquela marca de água salgada que fica na nossa pele enquanto nos despedimos de um pôr-do-sol na praia sem a certeza de quando o podemos repetir, com memórias à deriva. Ou assim imagino eu. Na verdade conto-vos estas coisas porque gostava que vós próprios sentísseis a necessidade de ouvir o disco, de o descobrirem livremente e de se deixarem levar por ele.

Brevemente o Diogo fará o lançamento da edição física do CD numa galeria em Lisboa. A edição física será limitada a 50 unidades cada uma criada manualmente pelo João Pedro Fonseca. "É a minha reacção a um mundo no qual a individualidade da peça foi perdida e no qual o acto de comprar um CD foi completamente desprovido de relevância!

Termino com os links e com a vontade de trazer mais sobre este projecto para vocês, brevemente.




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