Opinião: Fusão, de Julianna Baggott

Fusão Julianna Baggott Editora : Editorial Presença Sinopse: Em Fusão, voltamos a encontrar Pressia, a jovem determinada a desc...

Fusão
Julianna Baggott

Editora: Editorial Presença

Sinopse: Em Fusão, voltamos a encontrar Pressia, a jovem determinada a descobrir os segredos do passado; Lyda, a guerreira; Bradwell, o revolucionário; El Capitan, o guarda e por fim Partridge, um Puro. Juntos organizam um grupo de guerrilha para pôr termo a um plano secreto e diabólico que está a ser arquitetado pela elite científica da Cúpula. Se conseguirem vencer milhares de vidas poderão ser salvas, mas se não, a humanidade corre um grave perigo… 
Este segundo volume da trilogia, iniciada com o volume Puros, é o relato de uma aventura épica mas é também uma história de amor inesquecível.


Opinião: Quase um ano, foi o tempo de espera para termos a continuação de Puros nas mãos. Uma espera que por um lado parece que foi rápida (com tantos livros que tenho sempre por ler), mas que por outro, ao terminar a leitura, parece que foi longa demais. Fusão não só me conquistou como me fez olhar para o volume anterior com outros olhos, ainda mais aguçados. É verdade que as distopias estiveram, e se calhar ainda estão, muito na moda, mas difícil começava a ser encontrar um universo que se destacasse dos demais. Nessa linha, a Editorial Presença tem feito um bom trabalho, tendo publicado Alvorada Vermelha há relativamente pouco tempo e apontando na continuação desta saga (mesmo com o período longo de espera). 

Há uma coisa que é precisa ser dita logo desde início - se não se lembram muito bem do Puros, se calhar vale a pena passarem-lhe uma vista de olhos. Não digo que é preciso reler tudo, embora nunca seja demais, mas pelo menos lerem na diagonal para despertarem a vossa memória a alguns pormenores, pelo menos se ficaram tanto tempo como eu à espera da continuação. É que ao contrário do que muitos autores fazem, Julianna Baggott não teve muito espaço de manobra para relembrar muito do que já se passou e parte do exacto ponto onde acabou o livro anterior. O ritmo vai-se tornando cada vez mais intenso e as últimas 100 páginas foram definitivamente devoradas esta manhã. Não descansei enquanto não tinha o livro dado por terminado. 

A escritora conseguiu criar um mundo complexo sem que seja complicado para o leitor percebê-lo e a todas as suas nuances. As detonações deixaram as pessoas fundidas ao que lhes estava mais próximo nesse momento, formando assim várias "espécies" por entre aqueles que sofreram com elas. Neste volume, temos um maior desenvolvimento em relação às Mães (mães que ficaram fundidas aos filhos em alguma parte do seu corpo ou que os perderam) e sem dúvida que se tornam num grupo de personagens bastante particular e cujo comportamento é bastante curioso. Mas também conhecemos elementos novos, como Fignan, uma pequena caixa que esconde segredos e um conhecimento imenso, para além de uma ferramenta muito útil quando solicitada. 

É de louvar e admirar a capacidade de criação de narrativas paralelas da autora. Os destinos dos vários protagonistas vão-se separando e cruzando, tendo vários pontos de divergência, mas ainda assim nunca perdemos o fio à meada. É um volume recheado de informação, fervilhante no que à acção diz respeito e ainda inclui um ingrediente numa dose bem superior que no livro anterior - romance. Se em Puros parecia que havia um ligeiro vazio, superável, nesse aspecto, em Fusão a opção foi explorar um lado mais emocional e romântico dos personagens principais. Com toda a destruição e perda há, ainda assim, espaço para que laços se fortaleçam e outros provoquem consequências que só no terceiro volume poderemos tomar conhecimento. 

A demanda na luta pela verdade e pela esperança na igualdade prometia sangue e foi sangue que teve. Existem cenários de autêntica destruição, de uma frieza e imagética tão fortes que é impossível não franzirmos os olhos ou sentirmos um aperto na barriga enquanto os lemos - tal qual como se estivéssemos no cinema. Para terminar, quero destacar El Captain/Helmud como os personagens que mais cresceram do volume anterior para este, sendo que os momentos finais apertam-nos mesmo o coração. Que acontecerá a Bradwell? E a Patridge/Lyda? Deuses, o que será de Iralene após ter ajudado Patridge arriscando a sua vida já de si... Suspensa? E, claro, Pressia, de coração e ideologias divididas, que toma uma decisão em tom de desespero e agora ficamos sem saber no que irá resultar. E já me esquecia... Que papel estará ainda guardado para Hastings? Sim, acho que vos estou a provocar. Gostei mesmo desta série e só espero que a possam ler também. Gostei muito! 

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