E agora, o que se segue? [Diário de Bordo LXII] O Primeiro dia de Praia e o Cansaço

Olá! Verdade, consegui fazer um dia de praia, mas o título até deveria ser o contrário - o cansaço e o primeiro dia de praia. É que por ...


Olá! Verdade, consegui fazer um dia de praia, mas o título até deveria ser o contrário - o cansaço e o primeiro dia de praia. É que por muito que eu teime em ignorar as minhas limitações, é óbvio que sou um ser humano como qualquer outro e é óbvio que depois dos últimos dois anos a trabalhar em tudo e mais alguma coisa (e não, o meu ordenado não chega sequer aos quatro dígitos - eu sei, por trabalhar tanto pensam que eu ganho balúrdios... not), mais todas as questões pessoais, incluindo de saúde, não será de estranhar que o tilt tenha batido à porta e que por ordens médicas eu tenha de acalmar o ritmo. É completamente frustrante para mim, claro que sim. Tenho saudades de correr de um lado para o outro entre trabalho, aulas, entrevistas, concertos, etc., mas como já devem ter reparado as entrevistas diminuíram drasticamente (ainda tenho algumas com meses para transcrever...), as idas aos concertos também e o trabalho, apesar de lá estar as horas todas, tem rendido menos. "Uau, és um ser humano Sofia, não a super-mulher." Novidade nenhuma, todos sabemos, mas... 

E pronto, uma amiga minha lá me convenceu a tirar a tarde de Sábado e a ir à praia com ela. De Pessoa ao ombro com o "Doce Tortura" lá dentro, eis que deu para apanhar um bocadinho de sol, ler outro tanto e ainda dormir a bela soneca. É claro que uma tarde assim faz maravilhas e soube mesmo muito bem relaxar! Ainda assim, com isto tudo, acho que vale a pena salientar e reforçar que o facto de querermos fazer muito, bem e ainda mais se possível, é bom para nos fazer mexer e ir mais além, mas se forem como eu e deixarem a coisa escalar demais, não é saudável de todo. 

Só vou de férias daqui a uma semana ou duas e sou capaz de cessar a actividade por aqui por completo. Penso que os meus leitores mais fiéis certamente perceberão, e entre andar a meio gás constantemente, correndo o risco de chegar a Setembro e de ainda estar pior, ou fazer um interregno para recarregar baterias e voltar com ainda mais pujança é o mais positivo desde que tenha aprendido a lição e me lembre constantemente que trabalhar, dar aulas, fazer entrevistas, ir a concertos, escrever opiniões de livros e de música, jogar basquetebol, etc., é demais para uma pessoa... Acho que estamos safos! Existe esta tendência para acharmos que se pararmos ficamos para trás, ou que o mundo avança e esquece-se de nós, mas não podemos ignorar que acima de tudo se não tivermos saúde não interessa quem anda como ou de que forma. Não interessa quem gosta, quem não gosta, quem visita ou dá valor. Sem saúde nada interessa. 

Mas estou bem! Não se preocupem, achei apenas que um pouco de reflexão, mesmo para quem possa atravessar crises existenciais parecidas, era necessário para mim mesma. Por vezes não damos conta, mas o cansaço que se acumula pode crescer e tornar-se numa coisa inconsciente e mais feia. Perdemos a vontade e o gosto nas pequenas coisas que antes nos alegravam, tendemos a isolarmo-nos, etc. etc. E ouçam os vossos amigos, mesmo que ao início só lhes queiram chamar nomes e dizer "vocês não percebem". Normalmente essa é a altura em que somos nós que não estamos a perceber! Por isso para os workaholics como eu que andam por aí - respirem fundo e tirem tempo para vocês, para os vossos amigos e acima de tudo para relaxar! 

Abreijos e até já!

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