Opinião: Doce Tortura, de Rebecca James

Doce Tortura Rebecca James Editora : Suma de Letras Sinopse : Tim encontra um quarto para alugar, mas há uma condição para que o...

Doce Tortura
Rebecca James

Editora: Suma de Letras

Sinopse: Tim encontra um quarto para alugar, mas há uma condição para que o possa arrendar: Terá de fazer todos os recados à dona do quarto, uma mulher muito reservada e pouco amistosa, que nunca abandona a casa. Começam a acontecer coisas estranhas na casa e, ao mesmo tempo que o desconforto de Tim vai aumentando, crescem também os seus sentimentos pela bela e misteriosa dona da casa. Que tipo de pessoa será: alguém que merece compaixão, alguém para amar ou alguém para temer?


Opinião: Aqui está um livro que me surpreendeu pela positiva. Nunca havia lido Rebecca James e por isso fui sem qualquer tipo de expectativas para esta leitura, sendo que conseguiu prender-me logo desde o início. As páginas eram lidas umas atrás das outras, o tempo passava sem dar conta e quando um livro tem este efeito no leitor raramente é menos do que intrigante. A escritora conseguiu criar um enredo muito interessante, com doses de mistério, suspense e até algum terror, nas doses certas. Este género, apelidado de Thriller Psicológico, tem tido um sucesso crescente em Portugal e Doce Tortura é sem dúvida uma bela adição à biblioteca dos seus apreciadores.

Tim vivia com a ex-namorada (que tem um outro namorado), Lilla, até que a situação se tornou algo como insuportável e, como que caída do céu, eis que surge uma oportunidade barata numa casa imponente e cheia de história - que ele ainda não conhece. Anna, a dona da casa, vive sozinha e sofre de agorafobia. Tim não se sente incomodado por tal e decidi mudar-se. O entendimento inicial não é fácil nem difícil, mas é algo estranho. Anna desaparece durante o dia para o sótão, durante a noite aconteceu coisas estranhas e dormir torna-se cada vez mais complicado, a não ser quando amanhece. "A morte vive aqui", inscrição que aparece pintada dentro de casa a certa altura. O medo é cada vez maior, mas ao mesmo tempo Tim vai descobrindo uma Anna que nunca julgou ser possível existir.

Gostei muito deste livro, para além de ter sido uma leitura bastante rápida pela fluidez do texto, a escritora soube como manter um bom nível curiosidade sobre o que se seguiria. Apesar da narrativa estar na primeira pessoa pela perspectiva de Tim, esta vai tendo alternâncias com uma perspectiva de Anna na terceira pessoa. Ao mesmo tempo que é criando um certo distanciamento, a forma como as descrições estão feitas impõem uma certa dose de receio. Para além de Tim e de Anna, temos então Lilla que é irritante desde o início ao derradeiro fim. Acaba por ser uma espécie de rastilho que vai dizendo ao nosso cérebro que algo não está bem, que há uma peça no meio de tudo que não encaixa. E não posso deixar de mencionar o estranho casal de irmãos, únicos amigos de Anna, que a certa altura também eles contribuem para que a confusão nas nossas ideias se instale. 

Resumindo: uma excelente leitura para qualquer altura do ano e que balanceia bem o thriller com o romance, a maldade inata com uma certa dose de inocência, destacando a sensação de dor e de perda que é bem patente desde o início, mas da qual só temos verdadeira consciência quando Anna revela o ponto de viragem na sua vida, e também o egoísmo e a crueldade de alguém que só pensa em si mesmo sem ligar às consequências do que diz e faz, como no caso de Lilla. Recomendo sem restrições. 

0 comentários