Opinião: O Lago dos Sonhos (Blackthorne & Grim #1), de Juliet Marillier

O Lago dos Sonhos (Blackthorne & Grim #1) Juliet Marillier Editora : Grupo Planeta Sinopse : Em troca de ajuda para escapar...

O Lago dos Sonhos (Blackthorne & Grim #1)
Juliet Marillier

Editora: Grupo Planeta

Sinopse: Em troca de ajuda para escapar a um longo e injusto encarceramento, a amarga curandeira mágica Blackthorn jurou pôr de lado o seu desejo de vingança contra o homem que destruiu tudo o que lhe era querido. 
Seguida por um companheiro de clausura, um homem grande e silencioso chamado Grim, ela viaja para o norte, rumo a Dalriada. Aqui, viverá na orla de uma misteriosa floresta e terá de cumprir, durante sete anos, a promessa que fez ao seu libertador: aceder a todos os pedidos de socorro que lhe forem dirigidos. Oran, príncipe herdeiro do trono de Dalriada, esperou com ansiedade a chegada da sua noiva, Lady Flidais. Conhece-a apenas por via de um retrato e da poética correspondência que trocaram entre si e que um dia o convenceu de que Flidais era o seu verdadeiro amor.
Oran descobre, porém, que as cartas também mentem, pois, embora igual em aparência à imagem no retrato, a sua noiva vem a revelar-se uma mulher muito diferente da criatura sensível e sonhadora que escreveu aquelas cartas. Nas vésperas do seu casamento, o príncipe não vê saída para a o seu dilema. Mas corre o rumor de que Blackthorn possui um dom extraordinário para a resolução de problemas espinhosos, e ele pede a sua ajuda. Para salvar Oran das suas insidiosas núpcias, Blackthorn e Grim vão precisar de todos os seus recursos: coragem, engenho, astúcia e talvez até um pouco de magia. 


Opinião: Não há ninguém, mas mesmo ninguém, neste mundo como Juliet Marillier. Caindo no perigo de me tornar repetitiva a cada opinião que faço sobre esta escritora, não será exagerado afirmar que nunca li obras tão bem tecidas, com uma tão grande mestria e magia enquanto contadora de estórias. Existem momentos alegres, momentos de profunda tristeza, gargalhadas e lágrimas, um amor imenso que tem sempre um desespero em igual medida a acompanhar. O equilíbrio é a palavra-chave em todas estas obras, mas o que não não tem nada de equilibrado é o poder das emoções provocadas no leitor. A trilogia de Sevenwaters, da mesma autora, é a minha preferida de todos os tempos. Nada depois disso me tem surpreendido ou superado em fascínio. Daí todos estes elogios acabados de serem tecidos pois, apesar de O Lago dos Sonhos não ser superior, estamos perante um livro que nos prende do início ou fim e que volta a revelar uma capacidade única de criação de enredos fortes e personagens que vão desde o mais cativante ao mais odioso. 

As primeiras páginas deixam o leitor logo sobreaviso. Não existe um tactear calmo e apresentador, mas antes um cenário de uma violência e repressão evidentes. A narrativa começa com Blackthorne na primeira pessoa, mas ao longo de toda a obra vai partilhando esse protagonismo com Grim e Oran, sendo que cada perspectiva é fundamental para o encaixe de todas as peças do desafio que será apresentado. São três personagens muito diferentes uns dos outros, mas cujos destinos se entrelaçam em prol da procura da harmonia e de alguma paz. Tal como já nos habituou, Juliet Marillier tem a capacidade de atribuir as maiores cicatrizes e a maior coragem nos habitantes das suas criações. Mesmo após as maiores atrocidades existe uma força brutal que os faz continuar, mesmo que com vista à desistência pelo meio.

Blackthorne é uma personagem feminina magnífica, nada do género cândido e complacente, mas antes uma força da natureza indomável que já viu a sua família a arder, já foi violada e que agora se vê sob uma promessa aos Seres Encantados, cujo objectivo nem sequer consegue compreender. A determinação e a força com vista à vingança serão apenas igualadas pelo papel que Grim vai assumindo na sua vida. Também ele esconde segredos não revelados, mas nada o demoverá no que toca a proteger Blackthorne. E juntos passam por uma série de dificuldades, não só na resistência de Blackthorne a acostumar-se à companhia dele como depois pelas dificuldades e provas a que a população de Dalriada os colocará.

No outro extremo da trama temos Oran, que paralelamente vai descobrindo que afinal pode amar alguém e mal pode esperar pelo dia em que conhecerá Flidais, a sua prometida. Mas o encontro em nada se revela sequer perto dos seus sonhos ou reflecte sequer o calor trocado através de cartas com a sua prometida. Algo está muito errado e quando até o seu melhor amigo parece estar de costas viradas é em Blackthorne e em Grim que deposita as suas confianças.

O desenrolar do enigma tem tanto de mágico como de fervoroso. Só posso falar por mim, mas este foi um daqueles livros que me fez virar página após página de forma constante e viciante; o mundo à minha volta desaparecia e tudo o que via e sentia eram as imagens e as emoções evocadas pela escrita. O fim deixa muito em suspenso, mas quando pousamos o livro o que fica é um sentimento de ternura e de compaixão. Não interessa que idade se tem quando se lê Juliet Marillier, existe um nível de encantamento tal nas suas obras que o difícil é não nos deixarmos absorver por completo. Venha a restante trilogia! Gostei muito. 

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