[Opinião Teatro] Estreia da peça "Baile" no Teatro São Luiz

Foi na passada Quarta-feira que me dirigi ao Teatro São Luiz para assistir à belíssima estreia da peça "Baile", uma criação d...



Foi na passada Quarta-feira que me dirigi ao Teatro São Luiz para assistir à belíssima estreia da peça "Baile", uma criação de Carla Maciel e Sara Carinhas com direcção musical de Paulo Furtado (The Legendary Tigerman). 

Em palco juntaram-se dez protagonistas - cinco mulheres e cinco homens, elas dedicadas à encenação, eles à música para elas. Destes dez nomes - Ana Brandão, Carla Galvão, Carla Maciel, Manuela Azevedo (Clã) e Sara Carinhas; João Cabrita, Miguel Marques, Pedro Vidal, Nuno Sarafa e Pedro Pinto - muitos já eu reconhecia do universo musical e foi precisamente essa junção mais intrínseca das duas artes - música e teatro - que me levaram ao sempre maravilhoso palco do São Luiz. Sou uma amante de teatro, mas confesso que ultimamente a minha curiosidade tende sempre para projectos não tão convencionais e que desafiem as peças tradicionais. E foi isso mesmo que encontrei naquela noite, uma forma de expressão que entre a dança, a música, a poesia e outras narrativas, conseguiu deslumbrar uma plateia que tanto suspendia a respiração como desatava às gargalhadas, como também não se continha nos aplausos.

Podemos encontrar Sophia de Mello Breyner Anderson por entre as várias referências, com o seu conto Praia, que ajudou na caracterização dos músicos e ainda na construção de toda a peça. Também o reportório musical é de luxo e a harmonia das vozes e das coreografias fizeram com que Baile se tornasse num espectáculo único. Desde o primeiro momento que o jogo de luzes foi fundamental para o ambiente criado e esse esteve simplesmente perfeito. Foi também surpreendente a forma como dava por mim tão focada em certa parte do cenário para de repente outra ser iluminada com outra caracterização sem que tivesse dado conta de qualquer movimentação. Claro que o propósito é esse, mas é preciso que a equipa de toda a peça seja talentosa e esteja bem sincronizada para tudo correr tão bem como correu. 

Gostei da liberdade que a peça emanou, fazendo um brinde à amizade, às memórias que nos assaltam a mente, ao silêncio que é bom sentir sem que seja constrangedor, à força que cada uma daquelas cinco mulheres transmitiu em palco. Também os músicos estiverem irrepreensíveis e foram fundamentais para que a narrativa fosse tão vivida e emotiva. O final foi muito bonito, com todos alinhados em palco e ainda com a junção de Paulo Furtado, director musical desta obra de arte, que fez anos nesse dia. Para quem escolheu permanecer no Teatro São Luiz, a festa continuou no Jardim de Inverno com o meu excelso Paulo Furtado a passar música, juntamente com o seu amigo A Boy Named Sue. Conheço poucos que façam sets de tanta qualidade como este último e foi a primeira vez que vi o Paulo Furtado a passar música, mas tenho a dizer que a combinação foi um sucesso e não tardou a que o espaço se animasse com ainda mais dança. 

Noite bonita e a recordar, mas agora o que importa é que também vocês possam experienciar a peça. Sem dúvida que "Baile" vale a pena e vai estar em cena até 20 de Setembro. Têm esta semana toda para passar por lá, não há desculpas. Com um teatro tão bonito e protagonistas tão valorosos, só quem não vai é que perde.

Podem consultar a descrição, biografias e reportório aqui: http://issuu.com/teatro_sao_luiz/docs/web-folhadesala_baile-16x23

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