[7 Anos Blogue Morrighan] 7 Anos e toda uma vida - Parabéns!

Ilustração por Marta Banza Meus queridos leitores,  É com um gosto enorme enorme enorme que partilho este momento de felicidade e ...

Ilustração por Marta Banza

Meus queridos leitores, 

É com um gosto enorme enorme enorme que partilho este momento de felicidade e orgulho convosco. O blogue BranMorrighan faz sete anos, SETE ANOS, ufa!, e sinceramente nunca pensei que chegasse a tanto ou sequer que chegasse às características que agora tem. Sei que todos os anos tenho escrito um "discurso" inicial, prometo que vou tentar não me repetir muito, mas não posso não deixar algumas palavras sobre um dia que significa quanto baste para mim.

Quero começar com a ilustração deste ano, a belíssima imagem que podem ver logo ao início e que é da autoria da Marta Banza. Vou-lhe dedicar um post inteiro, só a ela e com entrevista, durante o dia de hoje. É das pessoas mais queridas que eu conheço e que, quase sem dar conta, tem feito diferença na minha vida. Ela toca piano, ela fotografa, ela toca com o Tio Rex, ela desenrasca amigas chatas que lhe pedem para fazerem parte do aniversário dos seus blogues e sei lá eu mais o quê! Eheheh. Tem um coração de ouro e um talento que ainda só está no início, mas já brilha. Acho que vão gostar de saber mais sobre ela. Sobre a ilustração em si, acho que é auto-explicativa. São sete anos e estão ali representados pelo menos sete elementos que têm feito parte da minha vida ao longo destes anos: a literatura, a mitologia, ciência/ensino, o teatro, a música, o cinema e o desporto. As iniciais que podem ver ali inscritas são uma pequena homenagem a alguém muito especial, a alguém que vocês certamente reconhecerão, caso já sigam o blogue a algum tempo. É uma homenagem ao Luís Miguel Rocha, uma das pessoas mais importantes para mim ao longo dos últimos anos e que tão entusiasta era em relação ao que eu fazia. Cada a aniversário do blogue é especial porque se algum dia ousei começar a organizar eventos, como foi o caso do Auditório Orlando Ribeiro em Janeiro de 2014, foi porque ele me deu o empurrão necessário para arriscar. Lembro-me, inclusive, que devido à sua agenda teve de vir e voltar de avião, só para estar aquelas horas presente. O Luís era um escritor maravilhoso, mas uma pessoa ainda mais extraordinária. Não havendo palavras suficientes para agradecer o quanto ele me apoiou, fica este pequeno memorial como recordação. Obrigada, Luís, por tudo, de coração. Obrigada Marta, por tão solenemente teres conseguido construir uma imagem que ilustra tão bem as áreas onde o blogue tem estado presente, numas mais que outras. 

Sete anos é literalmente uma vida. Acho que nunca partilhei isto convosco, mas há sete anos atrás, tinha eu 20 aninhos, estava na luta pela recuperação do meu joelho (tinha sido operada duas vezes depois de me ter lesionado com a selecção nacional sub20), ainda não sonhava voltar a jogar, a faculdade era um pesadelo e o blogue era uma espécie de escape para os meus devaneios mitológicos e curiosidades várias. Entretanto, tenho 27 anos, uma licenciatura e um mestrado em Engenharia Informática, estou a tirar um doutoramento também em Engenharia Informática, faço investigação há 5 anos na área da bioinformática e das ciências sociais computacionais, dou aulas na faculdade há três anos, voltei a jogar basquetebol, fui duas vezes campeã nacional, voltei a deixar o basquetebol há dois meses, o BranMorrighan ultrapassou qualquer expectativa que pudesse ousar ter, e fiz amigos e criei ligações que só foram possíveis por o ter criado... Onde eu quero chegar é que muitas vezes o tempo passa e nem percebemos bem, até pensarmos nisso, o quanto somos diferentes do que éramos. Sem dúvida que eu sou uma pessoa muito diferente daquela que era há sete anos, até de há um ano atrás. Parecendo que não, e fantasiando um pouco pelos relatos mitológicos, o próprio número sete é conhecido por ser um número especial. Para mim penso que significa que estou a fechar uma espécie de ciclo. Não que o blogue vá acabar, de todo, ou não estaria com esta conversa toda, mas de alguma maneira sinto que estes sete anos foram uma espécie de escola intensiva de crescimento, que a forma como quero encarar as coisas no futuro estão, de certa maneira, moldadas pelos acontecimentos dos últimos sete anos, principalmente do último ano.

Falemos de 2015. 2015 foi dos anos mais extaordinariamente assustadores da minha vida. Aconteceu tanta coisa... Por um lado houve uma evolução e maturação em relação àquilo que eu quero fazer, mas perder dois amigos num ano deixa as suas marcas. Este ano fica precisamente marcado pelo misto agridoce. Muitas conquistas, mas também muita dor. O ano começou com a comemoração do 6º aniversário no Musicbox e foi um sucesso. Ainda fomos ao Maus Hábitos cantar também os parabéns e foi muito bonito. Eis que depois perco um dos meus melhores amigos de infância e um mês depois um dos meus melhores amigos à data. Custa falar no passado, claro que sim. Ainda só estávamos no primeiro trimestre e isto tudo já tinha acontecido. Aliás, pelo meio também eu fui parar às urgência, lembro-me que foi no dia que fui à entrevista na Antena 3...! Não vou continuar com o relato do ano, mas as pessoas mais próximas sabem que tem sido um 2015 imensamente contraditório nas emoções, num equilíbrio precário entre a força e a fraqueza, entre a alegria e a tristeza. Estive para cancelar até qualquer tipo de comemoração de novo aniversário, mas como algumas pessoas me lembraram e muito bem, a tristeza não paga dívidas e isto é algo que eu realmente gosto de fazer.

Tenho tido a sorte imensa de ter comigo pessoas, neste 2015, que me resgataram da tristeza, que me ouviram, que me apoiaram, que sem elas provavelmente me tinha afogado num mar de mágoas e depressão profundas. Este ano em vez de ter pedido mensagens às pessoas, de aniversário do blogue, decidi ser eu a escrever mensagens a algumas pessoas e ao longo do próximo mês é isso que vai acontecer, alguns posts vão aparecer de homenagem a pessoais e locais de 2015 que me fizeram continuar com a determinação e motivação necessárias para levar tudo para a frente. 

Assim sendo, o aniversário deste ano vai ser parecido ao dos anos anteriores, embora mais recatado: o aniversário virtual vai ser de 13 de Dezembro a 13 de Janeiro, com passatempos de parceiros e pontuais colaborações; dia 15 de Janeiro temos festão no Musicbox (anuncio o cartaz talvez ainda hoje) e o Maus Hábitos está agendado para 12 de Fevereiro! Como sabem, está a ser preparada uma nova colectânea muito especial com o projecto Matéria Negra e também nos próximos dias vão ser revelados os ilustradores e os autores dos contos dessa colectânea. Não tenho data para quando vai estar pronta e em que formato, mas a pressa é inimiga da perfeição e por isso a seu tempo tudo irá sendo feito. 

Num resumo prático de 2015 deixo aqui registados alguns momentos muito importantes que me tiveram como mentora e organizadora:
- O 6º Aniversário no Musicbox com Twisted Freak, Azul-Revolto e The Allstar Project
- O 6º Aniversário no Maus Hábitos com Tio Rex, O Abominável, Tales and Melodies e Les Crazy Coconuts
- A colectânea Desassossego da Liberdade com Manuel Jorge Marmelo, Pedro Medina Ribeiro, Carla M Soares, Samuel Pimenta, Nuno Nepomuceno, Eduardo Duarte, André Mateus, Márcia Balsas, Márcia Costa, Cláudia Ferreira, Guillermo de Llera e Noiserv, com actuação de Tio Rex
- An experimental Jet Set, Trash & No Star Night! no Musicbox com Surma, Twin Transistors e Les Crazy Coconuts
- A Harmonia de Não ter Tempo no Musicbox com Tio Rex e Um Corpo Estranho

Sim, foi um ano preenchido e não faço ideia de como será 2016, mas sei que quero ser mais activa na vida real e dedicar-me mais completamente ao que decido fazer. Mesmo em termos de entrevistas e de artigos de opinião conto ser mais selectiva. O meu doutoramento está finalmente a carburar e preciso de me dedicar de corpo e alma também a ele. Como muito e bem não há quem, e como nestes anos também tenho aprendido que muito do que fazemos nem sempre é valorizado, acho que faz parte do crescimento também nos tornarmos mais selectivos naquilo e com quem preenchemos o nosso tempo. 

Chegando finalmente ao fim, YEAH! (aposto que nem meia dúzia vai chegar a estas últimas linhas!), quero dizer-vos que tem sido um prazer estar deste lado, que vou continuar a fazer de tudo para poder intervir na cultura portuguesa e a lutar por aquilo em que acredito. Que a festa que estou a preparar para 15 de Janeiro é muito, muito especial (com direito a actuação única e nunca antes feita), e que conto, como sempre, com o vosso apoio desse lado. Até já e obrigada, muito obrigada pelas vossas manifestações de carinho! 

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