[7 Anos Blogue Morrighan] O texto da Ana Cláudia Silva

Fotografia Ana Cláudia Silva Há cerca de um mês atrás, eu convidava os leitores a participarem no aniversário com material original, fo...

Fotografia Ana Cláudia Silva
Há cerca de um mês atrás, eu convidava os leitores a participarem no aniversário com material original, fosse livros, textos, o que quisessem. Algumas das contribuições já fora publicadas e eis que agora chega a vez desta carta da Ana Cláudia Silva, uma menina-mulher que quero apresentar com mais detalhe brevemente no blogue e que conheci também há pouco mais de um ano. Temos vivido algumas aventuras juntas e o mais extraordinário é que mesmo sendo tão diferentes uma da outra, partilhamos muitos sonhos e muita vontade de fazer acontecer. Obrigada, querida Ana, por teres tomado esta iniciativa e por teres aceite outro desafio que te propus posteriormente. Tenho a certeza que a nossa "parceria" tão natural ainda vai dar muitos frutos. 
Fiquem então com o texto: 


querido conhecido,

comecei a ouvir-te há pouco tempo.
e tenho muita pena de ter chegado tarde à tua vida.
contudo, a vida é o que é e estou agradecida por estares aí.
comecei a ler-te há pouco tempo. 
e tenho muita pena de estar semi-atrasada nesse teu tempo.
contudo, quero ler todas as letras que desenhas no espaço em branco.
comecei a ver-te há pouco tempo.
e tenho muita pena de te ter ignorado e não te ter provocado antes.
contudo, ainda bem que te vejo, de tempos a tempos, nessa beleza imperial.

não sei se o tempo irá, alguma vez, dizer-te os pensamentos que tenho por ti. 
se, por cada vez que imagino o mar, tu estás lá a a escutá-lo e a conversar muito baixinho.
se, por cada vez que leio um livro, a tua filosofia simplista e barata paira no ar.
se, por cada vez que vejo um filme, tu contas-me toda a história em tom implacável.

desculpa se esta narrativa parece incompleta. na verdade é para ficar assim.
mais vale ter-te aí, com todas as condições limitadas, do que ver-te partir. 

podia telefonar-te. podia contra argumentar as tuas opções. 
todas as tuas escolhas. 
mas perdoa-me.
não consigo escutar as janelas do teu coração. 






o texto foi escrito no meu apartamento, 
num dia qualquer de novembro do presente ano.
a fotografia foi tirada numa praia da Parede. 

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