[7 Anos Blogue Morrighan] O Texto do Ricardo Graça (Preguiça Magazine)

Há quem pense que sou de Leiria. Não é verdade. Mas se fosse também não havia mal nenhum, pois o que mais conheço é gente cheia de talen...


Há quem pense que sou de Leiria. Não é verdade. Mas se fosse também não havia mal nenhum, pois o que mais conheço é gente cheia de talento da terra do Lis. O Ricardo Graça é uma delas. Pelo meu contacto com as bandas, conheci o seu trabalho fotográfico há mais de dois anos, porém só recentemente tive a oportunidade de o conhecer pessoalmente. É um daqueles "personagens" - vão entender pelo seu texto - que valem a pena pela franqueza e genuinidade. Convidei-o a falar sobre si e sobre a Preguiça Magazine, da qual é um dos criadores. No final têm uma galeria bem bonita que reflecte a capacidade que o Ricardo tem de com uma imagem transmitir a essência musical e estética de cada um dos artistas - a maioria dos quais já passou aqui pelo blogue e alguns ainda vão passar. Fica ainda o link para seguirem a Preguiça! Obrigada, Ricardo, bem sei que andas sempre com trabalho até ao infinito, mas acho que valeu a pena!


Então diz que estamos de parabéns! Yay! Adoro aniversários. Adoro acabar abraçado àquele frio de loiça de um sanitário desconhecido ou acordar a tentar montar o filme da noite anterior com cacos etéreos e dispersos dos meus passos para no fim levar com esta conclusão cruel: Merda, não me lembro de nada! Adoro não, adorava! Agora os aniversários estão cheios de crianças e mais a mania delas de serem o centro das atenções. Será que comeram muitos chocolates? Será que estão a correr suficientemente devagar para não espalharem os dentinhos de leite pelo soalho? Diz que é a vida a seguir o seu curso normal. Está bem. Se assim é, resta-me, com esta mantinha de amansar artroses sobre os joelhos, entoar no tom ao lado, como é meu apanágio, os parabéns ao BranMorrighan, esse blog com nome de Irlandês de Vila Franca, e desejar mais critério nos convites a quem vem pr’aqui contar histórias. Tipo…eu.

Há quem diga que sou fotógrafo, eu continuo com muitas dúvidas. Para mim ainda sou uma estrela rock. Porque raio o facto de só saber o suficiente para tocar a “Dunas“ e mal me há-de impedir de viver o meu sonho de menino. Talvez por isso tenha muito gosto em fotografar música. Essencialmente slows, para não ficar tremido. É o mais perto que consigo estar de fazer um acorde sujo de distorção e lançar-me de cu para a multidão que, em êxtase, daquele êxtase em que o pessoal arranca os cabelos do peito (e quando digo “pessoal” refiro-me a mulheres) e me transporta em peso pela sala, apalpando-me gentilmente. Pelo gosto e pelo dinheiro, que como devem imaginar, chega a rodos. Aliás, escrevo-vos do meu iate enquanto petisco caviar barrado com trufas.

Sou de Leiria, capital lusitana da banda independente, que como todas as bandas estão dependentes dum cocktail astrológico que inclui inclusivamente a qualidade da música mas pouco. Faço parte de um colectivo que quando for grande quer ser como a maluca que gere esta chafarica. A Preguiça Magazine, que é uma espécie de BranMorrighan só que da província e com a sensibilidade de um torno. Tentamos dar a conhecer tudo o que consideramos boa onda, feito por cá ou por pessoal de cá, de uma forma descontraída e bem-disposta. Quando acabarem de ver todos os episódios dos malucos do riso, de limpar o pó por cima de todas as portas de vossa casa e de passar a ferro todas as vossas peúgas, inclusivamente as rotas, e não tiverem mais nada que fazer, não passem por lá, não justifica...

Como fotógrafo, sou considerado, tipo…por mim mesmo, um especialista em fotografar tudo e mais um par de botas, uma espécie de meretriz de alma vendida a quem quiser, ainda por cima a preço de mono da colecção de 1980 nos terceiros saldos da estação numa Primark de vão de escada. Como cirurgião também não sou mau, embora a malta se queixe da insalubridade da garagem de Ermesinde onde opero. Fotografar bandas é como esgrimir o bisturi, o segredo está em que ninguém note que eu não percebo nada do que estou a fazer. É extremamente necessário ser forte na manobra de diversão, para isso, o curso do Chapitô que fiz pela internet à noite é fundamental.

Para terminar este extermínio de credibilidade que aqui se deu, quero-vos deixar uma frase bonita e inteligente que podem usar no vosso mural desde que seja acompanhada de um gato a beijar uma flor ao pôr-do-sol. Aqui vai: a cultura é como uma avó, não basta dizer que gostamos dela, temos de a visitar, temos de a cuidar, de repetir várias vezes quem somos em altos berros e mudar-lhe a fralda ocasionalmente. Porra, até chorei.


GALERIA

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