Alla Prima de Tiago Cadete, na Galeria ZDB, de 27 a 30 de Janeiro às 21h30

© José Carlos Duarte De 27 a 30 de Janeiro 2016, quarta a sábado às 21h30 Rua de O’Século 9, porta 5 Lisboa reservas@zedosbois.org...

© José Carlos Duarte

De 27 a 30 de Janeiro 2016, quarta a sábado às 21h30
Rua de O’Século 9, porta 5 Lisboa
reservas@zedosbois.org | +351 21 3430205

O que Tiago Cadete propõe com “Alla prima” vem de uma inquietude perante o silêncio e imobilidade das imagens. O corpo humano, essa espécie de unidade fundamental da produção de imagens no Ocidente, é tanto o enfoque de sua pesquisa enquanto colecionador de imagens, como o instrumento através do qual o próprio corpo do intérprete se colocará perante o público. O seu olhar diz respeito à construção e invenção do Brasil – quais seriam os movimentos e vozes do grande número de imagens que em mais de cinco séculos foram capazes de criar certas ideias sobre o que seria o Brasil, os brasileiros e a brasilidade?

O termo “alla prima”, dentro da prática de pintura, diz respeito a uma técnica em que o artista enfrenta a tela diretamente, aplicando camadas de tinta sem esperar um tempo de secagem, causando uma espécie de sobreposição tanto de cores, quanto de imagens. De modo dialógico, o corpo do artista aqui responde diretamente a uma série de descrições sobre o que poderiam ser estes “corpos brasileiros”. Para além da narrativa histórica eurocêntrica que criou a teoria das três raças no Brasil – onde as populações africanas, europeias e indígenas seriam ingredientes deste caldeirão cultural –, sua anatomia se transforma num receptáculo de múltiplos criadores, culturas, etnias e proposições plásticas.

Através desta reencenação que se dá de modo transhistórico entre a visualidade e diferentes descrições orais/verbais, o corpo de Tiago Cadete acaba por desenhar uma nova coreografia deveras distante do samba e da alegria tropical comumente atribuída ao que poderia ser a “cultura brasileira”. De repente os trópicos ficam tristes e algumas das tentativas de colonização do Brasil a partir da imagem vem à tona.

Faz-se importante, então, sentir na pele o incômodo dessas poses e constatar que, mais do que uma geografia, o Brasil é um conceito constituído a partir de um corpo fictício que alinhava pedaços esquartejados de muitas vidas silenciadas pelo tempo.

Criação e interpretação Tiago Cadete | Consultor história da arte Raphael Fonseca Figurinos Carlota Lagido | Assistente de projecto Bernardo Almeida  Colaboradores Voz-off Priscila Maia; Raphael Fonseca, Raquel André; Sueli do Sacramento; Jonas Arrabal; Victor Dias; Laura Arbez; Felipe Abdala; Isabel Martins; Júlia Arbex; Breno de Faria | Fotografia de documentação Victor Dias | Fotografia de cena José Carlos Duarte | Residência Centro Coreográfico do Rio de Janeiro | Apoio Eira | Acolhimentos Escola de Mulheres; ZDB | NEGÓCIO; mala voadora/PORTO | Co-produção TEMPS D’IMAGES ‘15


Entrada: 7,5€ | Entrada estudantes em grupo: 5€

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