[Crónica João Pedrosa] Is This It

É sempre complicado falarmos de nós, ainda mais quando não se tem muito para contar. Eu sei que a Sofia vos tem habituado a ser um livr...



É sempre complicado falarmos de nós, ainda mais quando não se tem muito para contar. Eu sei que a Sofia vos tem habituado a ser um livro aberto no que diz respeito à sua vida nos Diários de Bordo e, quem me dera ter uma vida tão interessante como a da Sofia! Mas vou tentar!

Chamo-me João Pedrosa, tenho 28 anos, vivo numa pequena aldeia do concelho de Leiria e sou sócio do Sporting Clube de Portugal (acho que não podia haver melhor cartão de visita para começar). Neste momento integro a estrutura de uma pequena empresa familiar criada pelo meu pai e por um tio há mais de 20 anos, mas o que eu gostava mesmo de falar é do momento que mudou a minha vida e lhe deu outro sentido.

Estávamos em 2003 e eu tinha 16 anos, frequentava um Colégio que se situava numa pequena vila, um pequeno meio, fechado, e onde a informação cultural digna de registo chegava muito raramente. A Internet ainda era ligada ao telefone e fazia aquele barulho de quando se marca um número e demorava um dia a abrir uma página. Eu ouvia música mas sem lhe dar grande importância, ouvia algum metal - o mais comercial, mas sem nunca, na verdade, me conseguir identificar com aquilo. Até que um dia a minha prima que estudava na cidade em Leiria - onde tinha acesso a mais me informação - me chegou  com dois discos e me disse para os ouvir: “Turns On The Bright Lights” dos Interpol e “Is This It” dos Strokes. Foram esses dois discos que mudaram a minha vida, foram esses dois discos que despertaram a minha paixão pela música. Depois desses discos começou uma busca incessante e sem fim por outras bandas. Era uma festa quando a minha prima Elsa, hoje, conhecida como ilustradora Elsa Poderosa me trazia um disco novo: eram meses a ouvir esse disco até a exaustão(como referi a internet não era nada do que é hoje). Ficava acordado até altas horas para poder ouvir os programas de autor que passavam nas rádios e comprava religiosamente o jornal Blitz às terças-feiras, e ainda consegui arranjar um pequeno grupo de melómanos no Colégio onde trocávamos discos.

O meu primeiro concerto foi em 2005 no FadeInFestival, festival organizado por pessoas que são heróis para mim como o Carlos Matos, Hugo Ferreira ou Célia Lopes que mais tarde viria a ter o privilégio de trabalhar com eles na versão alongada do FadeInFestival, mais conhecido por Entremuralhas, que se realiza no Castelo de Leiria. Foram essas pessoas que me ajudaram a abrir a mente em relação a novos horizontes musicais e a ter uma cultura musical mais vasta. 2005 Também foi o ano em que me estreei em grandes festivais e logo num  festival tão emblemático como o de Paredes de Coura, onde nesse ano vi o concerto da minha vida (até hoje): o dos Arcade Fire, e depois disso seguiram-se muitos outros. Assisti de perto ao nascimento da Omnichord Records, a impulsionadora editora da cena musical Leiriense do meu amigo Hugo Ferreira. Em 2015 comecei a escrever críticas discográficas num blog da concorrência chamado Deus Me Livro e, este ano de 2016, já lancei o meu programa de rádio online Frequência Cardíaca. É também com grande gosto e honra que me estreio hoje a escrever para o BranMorrighan!

João Pedrosa

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