[Diário de Bordo] Ser portista a 2 de Janeiro de 2016

Sempre fui portista, não sei ser outra coisa. Acho que a partir do momento em que nascemos que não temos bem hipótese de escolha. Principal...

Sempre fui portista, não sei ser outra coisa. Acho que a partir do momento em que nascemos que não temos bem hipótese de escolha. Principalmente quando se vem de uma família em que TODA, TODA a gente é de um determinado clube. A mim calhou-me o Futebol Clube do Porto e tem sido um percurso cheio de orgulho e garra e vitórias, com mais ou menos polémicas pelo meio. 

Nos últimos anos, ser portista tornou-se mais difícil. E não é pelas derrotas, eu fui desportista a minha vida toda, sei bem qual a diferença entre derrotas em que se deixa tudo em campo, até a alma, e derrotas em que parece que o espírito dos jogadores migrou e que apenas estão ali as cascas, quais máquinas mal oleadas que sem o sopro da vida não passam de marionetas.

O Sporting mereceu ganhar hoje, claro que mereceu. Está a jogar bem para caraças, comeu o Porto em contra-mão n vezes, mas o que me custa nem é o Porto ter perdido. É olhar para a equipa e ver que são apenas 11 jogadores a tentarem jogar juntos e não um conjunto de 11 jogadores em que a gana é tão grande que até podem perder, mas não sem destilarem todo o querer no tempo de jogo.

É isto que me deixa triste. Porque eu sei qual é a diferença entre jogar e Querer ganhar e jogar jogando apenas, como se fosse mais um. Quer se queira quer não, a isso chama-se espírito vencedor, espírito comum e numa única direcção por parte de todos. Algo de muito grave se anda a passar no Porto nos últimos anos, mas nesta última época então nem sei que diga. Parecem fantasmas.

E pronto, é este o meu desabafo. Ser portista neste momento é difícil e quem percebe minimamente de desporto ou já foi desportista vai entender o que estou a dizer. E isso tem muito pouco a ver com a qualidade individual dos jogadores, mas antes com uma mentalidade colectiva que me parece inexistente. Gostava que isto mudasse, mesmo que continuemos a perder, ao menos que fique tudo em campo. Tudo. Já chega de apatia. Mas que percebo eu disto? 

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