[DESTAQUE] 4 Anos Omnichord Records e um 2016 recheado de talento

Família Les Crazy Coconuts no FLIC 2015 Ainda me lembro como se fosse hoje. Em Setembro de 2013 decidi mergulhar na nova música portug...

Família Les Crazy Coconuts no FLIC 2015

Ainda me lembro como se fosse hoje. Em Setembro de 2013 decidi mergulhar na nova música portuguesa e pouco depois de ter começado e minha demanda na busca do desconhecido, mas que ribombasse em mim qual vulcão pulsante, dei de frente com os First Breath After Coma, da Omnichord Records. Bem sei, não foram a primeira banda editada, mas sim os Nice Weather For Ducks (uns patos bem lindos que adoro com todo o coração), mas quando ouvi algumas músicas e depois os vi na FNAC Chiado, tive a certeza que estava perante uma das novas bandas portuguesas que ainda iria dar muito que falar. Chego a Novembro e estava então a preparar o evento de 5º Aniversário do Blogue, no Auditório Orlando Ribeiro, quando decido pesquisar mais bandas da editora. E é aí que a história começa. Após trocar algumas mensagens com o Hugo Ferreira, descubro os Les Crazy Coconuts. Vejo uns vídeos, deslumbro-me, digo "porra, isto é mesmo muita bom e diferente de tudo o que anda aí" e em Janeiro eles estão a tocar no intervalo do evento, num formato acústico, mas que conquistou todos os presentes. 

Não será demasiado dizer que desde essa altura despertou em mim uma grande curiosidade sobre o que se andava a passar em Leiria. Entretanto, já tinha ouvido quase todas as restantes bandas e o mais incrível é que não tinha desgostado de nenhuma. Isto dá que pensar. Veio o Verão de 2014 e conversa puxa conversa, acabei por estar com alguns dos projectos no Fusing, inclusive numa entrevista conjunta com o Hugo Ferreira e os FBAC, em que comecei a perceber que este movimento que se fazia notar, principalmente depois do lançamento da compilação Leiria Calling, era algo para ficar, evoluir, crescer e conquistar. Veio 2015 e com ele o lançamento de mais quatro discos - André Barros, Les Crazy Coconuts, Few Fingers e Bússola. Estes três últimos projectos posso orgulhar-me de ter visto nascer e que espero agora vê-los chegar onde merecem, o que se aplica a todas as bandas da Omnichord.

Fusing 2014
Verdade seja dita, o meu envolvimento com as bandas da Omnichord foi-se tornando, naturalmente, cada vez maior. Não só pela qualidade dos projectos, por eu gostar e acreditar realmente neles, mas também pelo impulso de os querer ajudar, dentro das minhas possibilidades, a chegarem a um público mais vasto. Não será de estranhar que em todos os eventos que organizei só estiveram presentes bandas de editoras independentes, sendo que quase sempre houve pelo menos uma banda da Omnichord a estar presente. Pode haver quem pense que existe um certo favorecimento, e pois claro que há, dado que é sempre o meu gosto pessoal que está em causa e é por ele que dou a cara e não para agradar a outros, por isso o único favor que tenho feito, se calhar de forma algo egoísta, é a mim mesma. Mas este processo todo levou a que houvesse uma confiança e um à vontade crescente, o que levou a que nos últimos meses se tornasse natural fazer parte de alguns processos inerentes a uma editora discográfica. 

Em Outubro passado fui representar a Omnichord Records ao BIME. Quando o Hugo Ferreira, o grande motor e impulsionador de todo este projecto, me convidou para tal, não tive como recusar. Para além de ter sido uma bela escola sobre a indústria musical europeia e até sul-americana, a oportunidade de aprender, e até de tentar divulgar alguns dos nossos projectos lá fora, tornou-se irresistível. Desde então tenho ajudado a Omnichord com pequenas coisas como marcação de concertos e uma ou outra opinião sobre alguns dos processos criativos. Não sei de que forma poderei alguma vez agradecer a confiança que tanto o Hugo como as bandas têm depositado em mim, mas o que é certo é que há três anos atrás nunca imaginei que uma das consequências do mergulho na nova música portuguesa fosse apaixonar-me tanto por um projecto que sei que sobrevive acima de tudo à base do querer e do amor pelo que se faz. 
www.omnichordrecords.com

Acho importante referir que todo este envolvimento com a Omnichord em vez alguma interferiu com o meu papel enquanto blogger. Na verdade é importante saber separar as águas para não haver mal entendidos. Eu continuo a apoiar e a ajudar uma série de bandas portuguesas que não fazem parte da Omnichord, mas enquanto estrutura num todo, esta tem sido a que tem tido um maior envolvimento da minha parte. Ainda assim, no que ao blogue diz respeito tudo continua igual. Continuo com as minhas entrevistas e discos de seja quem for em que eu acredito, acima de tudo porque faço tudo com a maior honestidade e sinceridade possíveis. Quem me conhece sabe que só me envolvo nas coisas que realmente gosto e que dificilmente faria algo só porque ficaria bem ou me poderia levar a algum lado mais facilmente. Ora, nunca fui de cortar caminho e tem sido muito bom ver tudo a acontecer naturalmente.

Com isto tudo já me alonguei tanto que vou terminar assim em modo ninja partilhando convosco as grandes novidades de 2016!



É que os quatro anos da Omnichord Records trazem consigo uns quantos discos, mas este ano vamos poder ver pelo menos mais cinco: LP de Twin Transistors, LP de First Breath After Coma, LP de Nice Weather For Ducks, EP de Whales, EP de Surma! Vocês não imaginam o que realmente vem aí. Como é que é possível não querer fazer parte disto quando todos os projectos têm tanta qualidade? E digo isto porque já ouvi pelo menos os três primeiros, os outros dois levei ainda agora ao aniversário no Porto (que foi um sucesso!), e estão todos dignos de qualquer grande palco. E ainda tenho esperança que também os The Allstar Project e o André Barros lancem mais qualquer coisa, mas aí já é a minha veia de fã a falar. 

Quero deixar uma última palavra ao Hugo Ferreira, que tantas batalhas tem travado e que tanto trabalho de bastidores tem feito, para enaltecer a sua força de vontade e paixão contagiante. Penso que todas as bandas reconhecem que sem ele dificilmente poderiam ter visto a luz do dia ou sequer ter a oportunidade de lutarem mais facilmente por um lugar numa indústria quase inexistente. Tenho muito orgulho em todos e mesmo sendo uma outsider, afinal nem sequer sou de Leiria, tem sido muito bom sentir que me consideram parte integrante da grande família que é a Omnichord Records. Godspeed!

PS: Relembro que o próximo concerto é esta Sexta-feira, na Casa Independente, com Surma a abrir para Few Fingers, que apresentam o seu Burning Hands! Evento aqui: https://www.facebook.com/events/1512531532376626/

PS2: Quando escrevi este post, este artigo - http://www.vice.com/pt/read/a-omnichord-records-a-factory-do-sculo-xxi - ainda não tinha saído. Vale a pena ler! 

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