[Diário de Bordo] A loucura dos últimos dias

Desde que cheguei do Porto, há uma semana, que ainda não parei um bocadinho. Entre trabalhar no doutoramento, preparar aulas, manter o b...


Desde que cheguei do Porto, há uma semana, que ainda não parei um bocadinho. Entre trabalhar no doutoramento, preparar aulas, manter o blogue actualizado e cumprir com a agenda planeada, o sono tem sido pouco, mas tem compensado. Dou por mim a lembrar-me que ainda nem escrevi sobre como foi verdadeiramente a noite no Porto, nem de tantas outras coisas, mas o tempo passa tão depressa e acontece tudo em tão pouco tempo que para viver as coisas em pleno estar agarrada ao computador não é uma hipótese, por isso vou tentar resumir tudo o melhor possível.

Tomei a liberdade de te roubar esta foto, Paulo Homem de Melo! :) 
O aniversário no Maus Hábitos foi tão, tão lindo, que ainda parece que não estou bem em mim. Estiveram lá pessoas que me são tão queridas, conheci outras que ainda só pela net era possível comunicar e todo o feedback recebido foi extremamente positivo. Tendo levado apenas projectos emergentes - Surma, Whales e azul-revolto - confesso que acabo por me orgulhar extremamente do percurso que o impacto do blogue acaba por ter. Sinto-me muito lisonjeada quando vêm ter comigo e reconhecem não só o meu esforço - 100% pro bono - como ainda mostram uma espécie de garantia de respeito pelas minhas escolhas. Nem todos temos os mesmos gostos, eu costumo dizer que às vezes me sinto um bocadinho egoísta nestes dias, porque afinal é o meu gosto pessoal que opera no cartaz. Já aconteceu eu convidar bandas a tocarem em eventos meus porque de outra maneira não as estava a conseguir ver... Eu sei! Soa um bocadinho presunçoso, mas é a maior sinceridade nisto tudo. Quando ainda por cima quem vai ver fica fascinado ou conquistado pelo cartaz, a sensação é maravilhosa. E no Porto foi isso que aconteceu. A Débora Umbelino, aka Surma, por exemplo, conheço desde dois mil e troca ao passo ainda ela estava noutra banda. Se eu já gostava dessa banda, quando se separaram (Surma de um lado a solo e agora Whales enquanto banda do outro) fiquei logo de olho. E a verdade é que se tornaram em dois projectos completamente distintos, mas com um potencial tremendo. Já azul-revolto, por exemplo, também tenho o maior carinho pois fui eu que organizei o seu primeiro concerto ao vivo, o ano passado no Musicbox Lisboa, e tem sido extraordinário ver a sua evolução e como até lá fora já o aceitam tão bem e falam dele. Quando gostamos dos projectos, não é que seja mais fácil, porque nada disto é fácil de organizar, mas no fim tudo é muito, muito, muito gratificante. E a noite terminou com o belo djset do A Boy Named Sue, o meu querido Tiago que é dos melhores djs que alguma vez conheci. Foi bom, estou feliz e de coração cheio, só posso esperar que se volte a repetir! 


Continuando, a Omnichord Records fez 4 anos e lançou um teaser brutal e eu escrevi umas quantas coisas que podem ver e ler aqui. Também já me foi atribuída a cadeira que vou leccionar nos próximos cinco meses - Introdução aos Algoritmos e Estruturas de Dados, aqui no Instituto Superior Técnico - e as reuniões semanais do doutoramento já recomeçaram. Juntando os dois trabalhos que tenho para fazer e ainda a conferência em França daqui a um mês, podem imaginar que trabalhinho é coisa que não me falta mesmo! Mas como no meio disto tudo é a música e a literatura que me vai salvando, convido-vos a visitarem o link das opiniões, que já tem mais algumas, e também a ficarem atentos às galerias que estão para surgir. É que depois de entrevistar os peixe:avião, pude ir ver a apresentação do disco Peso Morto, no Lux, e o meu querido afilhado tirou umas quantas fotografias que estão para breve. Soube mesmo bem! Tirar o stress de cima, ficar fascinada com o processo de construção sonora em palco, sentir a música a entrar no corpo e este a mexer-se naturalmente. A música dos peixe:avião está mais densa, é uma verdade, mas ao mesmo tempo todo este ambiente mais negro, sem se tornar depressivo, roça um pulsar primitivo que se torna irresistível. Toda a sorte do mundo, é o que lhes desejo! 


Ontem foi dia de me estrear a organizar concertos na Casa Independente! E tenho a dizer que foi tudo tão bonito também! Os Few Fingers vieram apresentar o seu belíssimo Burning Hands, com primeira parte da Surma, e fomos todos muito bem recebidos e tratados. Não que esperasse o contrário, mas quando vamos fazendo estas coisas há algum tempo, sentimos a diferença quando existe um ambiente mais familiar, mais personalizado. O Zé, o técnico de som que também fez o aniversário do blogue no Musicbox, foi completamente incansável e fez maravilhas. Também jantámos todos por lá, mesinha conjunta, e a comida estava divinal. Não sei se não foi melhor bacalhau à brás que já comi, mas se não foi está perto disso. E aquelas manteigas caseiras, o pãozinho com o azeite e especiarias... Hum! Foi bom! E depois os concertos começaram, com uma casa bem composta e bem linda, a Surma a deixar toda a gente deslumbrada com o seu projecto a solo e os Few Fingers a darem um concertão que me deliciou também. A verdade é que apesar de ter ouvido o disco milhentas vezes, nunca os tinha visto ao vivo e é toda uma outra dimensão. Gosto muito da veia mais rock que apresentam em banda, não descurando as inevitáveis baladas. Sem dúvida que a Casa Independente se confirmou como o espaço ideal para esta apresentação e, mais uma vez, o feedback foi extremamente positivo. Só posso ficar babada, não acham? 

E já falei tanto que o resumo tornou-se quase numa longa-metragem! Eheheh! No fundo só quero agradecer a todas as pessoas, de todos os meios em que me vou envolvendo, por acreditarem e confiarem em mim, por todo o apoio que leitores e parceiros me dão, por todo o carinho com que os artistas também me tratam, enfim! Por tudo. Porque nada disto se faz sozinho e a motivação vem sempre de vários pequenos gestos que por vezes as pessoas nem dão conta. Espero que tenham um óptimo fim-de-semana, que possam aproveitar este sol maravilhoso! Beijos e até breve! 

0 comentários