[DESTAQUE] Estou Bem Aqui Em Portugal, colectânea Azul de Tróia

Da Azul de Tróia, enquanto estrutura, só conheço o Pedro. Muitos talvez apenas o associem à sua mais que tudo banda Capitães da Areia, m...


Da Azul de Tróia, enquanto estrutura, só conheço o Pedro. Muitos talvez apenas o associem à sua mais que tudo banda Capitães da Areia, mas graças ao que vou fazendo aqui no blogue tive a oportunidade de conhecer outra sua faceta enquanto apaixonado pela música e enquanto empreendedor emotivo naquilo que gosta e acredita. Sei que este é um projecto que lhe é muito pessoal e talvez também por isso sinta um carinho especial pelo mesmo. Gostava de ter mais tempo para poder mergulhar mais profundamente em observações em relação a esta colectânea que agora divulgo, mas como poderão constatar Estou Bem Aqui Em Portugal reflecte todo o talento que tem passado pelas mãos da dupla Pedro e Diogo, descentralizando assim o conceito que só na capital se faz boa música. Espero poder voltar a isto brevemente, entretanto deixo-vos com a declaração de intenções e com o player para a colectânea, que pode ser adquirida através do bandcamp! Toda a sorte do mundo, é o que desejo.

PS: Sim, com iniciativas destas, e de tantas outras que tenho divulgado, está-se bem aqui em Portugal.

DECLARAÇÃO DE INTENÇÕES 

A Azul de Tróia (Companhia Discográfica Portuguesa) surge de um sonho antigo, gigante e azul. Em 2014, é fundada por Pedro de Tróia e Diogo Almeida, gerando o equilíbrio perfeito do assombro de ideias, coração e visão, ao sentido prático, motor de arranque e pés assentes no chão. Dando continuidade ao rebentamento literário-musical que emergiu em 2008, concentramos esforços para provocar ondas maiores, dedicando-nos à difusão do bom nome de todos os artistas que representamos e dos quais gerimos a carreira: promovendo e cuidando dos seus negócios; gerando obras fonográficas que se tornem intemporais na memória e no espaço; e desempenhando as funções que envolvem o agenciamento dos espectáculos ao vivo. A produção de retratos, videoclipes e demais matérias promocionais são intrínsecas e complementares.

O mundo está de pernas para o ar e, muitas vezes, quem cria, atrai e exprime a sua arte em cima do palco, é precisamente quem menos ou nada recebe financeiramente: os artistas. Veemente contra essa posição, trabalhamos por um pequeno mundo melhor, pretendendo a sustentabilidade dos artistas e declarando fim à utopia de que se pode viver da música a tempo inteiro. Não tenhamos dúvidas: quem define a arte é o artista e ele tem de poder existir e perdurar, sem baixar os braços. Só assim é que o legado cultural se tornará mais valioso, resultando num património melhor e num tesouro maior. Se os artistas vivem para a sua obra, então a obra não pode ter um papel secundário na vida de um artista.

Reconhecendo que os holofotes estão em Lisboa e as lamparinas polvilhadas pelo resto do país, temos como propósito a procura de novos valores culturais para as fileiras da música portuguesa, desenvolvendo-os a fim de potenciar as suas criações artísticas, defendendo as suas opções e preservando as identidades, com metas a longo prazo. Não somos uma família mas anunciamos um movimento cultural em plena marcha, aliado à pretensão de criar novas linguagens, uma linha estética englobante e um selo carimbado sem misericórdia. Recusamos o consenso. Aqui não há fronteiras para a liberdade artística e o descaramento está implícito. Plantamos a primazia do pensamento para elevar a claridade, porque a criação é libertária e a parte dominante uma figura abstracta que reside apenas na nossa imaginação.

Tenhamos a audácia de reconhecer que vivemos num país encantador. Portugal está a aprender e depende de quem cá está. Não podemos desistir de ser, por tudo aquilo a que a vida nos obriga. Valorizemo-nos. Há muito caminho a percorrer e percorrê-lo-emos a passo firme e lento, enquanto hasteamos a nossa cultura, procurando mais e participando activamente na educação musical e literária daqueles que nos rodeiam. A memória não pode mais ser curta e o que se faz por cá tem de ser firmado na terra. Não há vergonha em sonhar. Não tememos o ridículo nem a ambição. Existimos com brio, honestidade e distinção, entre o perigo da vertigem e os passos firmes da virtude. Essa mesma grande virtude que está no saber pular a cerca. Procuremos contornar os pesadelos, a fim de tocar no horizonte lá no fundo porque, se são muitos os dilemas sobre os quais nos deparamos, também há rios lindos para atravessar.

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