[Diário de Bordo] Acho que estou apaixonada...

... pela Kim Gordon. Okay, é óbvio que já conheço os Sonic Youth há anos, é claro que sabia que ela e o Thurston tinham uma filha, mas ...



... pela Kim Gordon. Okay, é óbvio que já conheço os Sonic Youth há anos, é claro que sabia que ela e o Thurston tinham uma filha, mas tal como quase tudo na vida me passa ao lado, também as razões pelas quais se tinham separado passaram. E, caramba, que mulher brutal descobri no seu livro - Girl in a Band. Sempre que me desafiam a escrever um livro, debato-me com o tipo de registo que empregaria, caso algum dia o fizesse, porque normalmente sou tão "segue em frente" e tão sem paninhos quentes que acho que o tom não se adequaria a tipo de livro nenhum. Mas foi precisamente esse tipo de colocação que eu idealizava para um livro escrito por mim que encontrei no livro de Kim Gordon. A honestidade brutal, a forma desinibida e ao mesmo tempo tímida de revelar tanto as suas forças como as suas fraquezas, não dão espaço para cinismos ou sequer ambiguidades. E não é qualquer mulher que após ter sido traída consegue falar da sua vida como se apenas fosse mais um facto. E na verdade não foi bem assim que ela falou sobre isso. Nota-se ali uma subtileza e uma raiva adjacente que vê no final da narrativa o seu pequeno grito de independência. Mas o livro está longe de ser sobre a traição do Thurston, mas antes sobre o seu percurso e todo o desenvolvimento da sua psicologia emocional ao longo dos anos. Quando se vem de uma infância em que existe repressão emocional e até algum abuso por parte de quem é próximo, conseguir uma personalidade própria pode ser uma acto de heroísmo. O resto da sua vida fala por si. Hei-de escrever um post só com a opinião do livro, mas enquanto não tenho tempo, aqui fica mais uma marca de 2016, a mostrar que ainda existem referências femininas de uma humanidade brutal e que servem de inspiração. 

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