[Diário de Bordo] Quando a tua tese de mestrado, feita há quatro anos, do nada, te leva a Londres

Fotografia Nuno Capela A história da minha tese de mestrado é digna daquelas epopeias clássicas. Começou bem, muito bem, contra muitas ...

Fotografia Nuno Capela
A história da minha tese de mestrado é digna daquelas epopeias clássicas. Começou bem, muito bem, contra muitas expectativas, levou um abanão pelo meio, fiquei sem orientadora a meio do semestre da entrega, estive para mandar tudo ao ar, mas a um mês da entrega, não só consegui ter uma ideia solução, como ainda a implementei e escrevi aquelas belas 74 páginas que são a minha tese de mestrado. Tal não seria possível sem o milagre que foi a colaboração com o Francisco Fernandes, que me autorizou a adicionar coisas a um algoritmo que ele tinha inicialmente criado e que por isso iria ter uma utilidade diferente, e sem o milagre que foi ter um novo orientador que mostrou, e mostra ainda hoje, acreditar plenamente em mim - mesmo quando nem eu própria acredito.

A minha tese de mestrado na altura foi desenvolver um algoritmo que alinhasse transcritomas usando o protocolo RNA-Seq, com dados 454. Chinês, sim, mas não adianta muito aprofundar isso por aqui, o que interessa é que na altura obtive resultados super promissores só que mais uma vez quem podia e tinha meios para fazer a coisa evoluir não o fez. Soube mais tarde que o que tinha desenvolvido andava a ser utilizado em laboratórios no Brasil, mas créditos e publicação que fossem devidos, nem por isso. 

Recentemente, após uma visita de uns investigadores do King's College ao Técnico, eles mostraram interesse nesse trabalho e, imaginem só, estavam prestes a organizar um workshop no tema. A deadline era o dia seguinte, que submetesse mal pudesse, e lá fui eu tirar o pó à minha tese. Não só aceitaram como ainda querem que eu vá lá dar uma talk de 20 minutos sobre a mesma. E é isto. Do nada parto para Londres por causa de um trabalho que fiz há quatro anos atrás, que ainda por cima foi doloroso para caraças, mas que agora vê os louros a surgirem. Confesso que nunca esperei vir a obter nada do sucesso que foram os resultados experimentais, mas tenho de admitir que me sinto entusiasmada. 

E sim, eu sei, ainda há uns dias falava de epidemias, simuladores de evolução de populações de bactérias, avaliações de árvores filogenéticas, análises de sentimentos e evoluções de relações nas redes sociais, e agora venho para aqui falar de sequências genómicas e transcritomas e quase que parece que tudo o que faço é de uma esquizofrenia brutal. A verdade é que esta diversidade de temas desafia-me imenso, mesmo que depois ande sempre com tudo atrasado e saltar que nem ping pong de uns assuntos para os outros. E é isto, decidi partilhar mais um bocadinho convosco desta minha vida real, porque isto bem parece que eu é só concertos e farra, mas acreditem que é bem mais do que isso. Beijos! 

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