Opinião: A Torre de Espinhos (Série Blackthorn & Grim #2) , de Juliet Marillier

A Torre de Espinhos Série Blackthorn & Grim #2 Juliet Marillier Editora : Editorial Planeta Portugal Sinopse : Para Black...

A Torre de Espinhos
Série Blackthorn & Grim #2
Juliet Marillier

Editora: Editorial Planeta Portugal

Sinopse: Para Blackthorn e Grim, o regresso à vida tranquila na pequena quinta à beira da Floresta dos Sonhos nunca poderia durar muito. Escassas semanas passaram desde que o mistério do Lago dos Sonhos foi resolvido e já um novo desafio paira no horizonte. O príncipe de Dalriada recebeu um pedido de ajuda da parte de Geiléis, a Senhora de Bann, cujas terras medram sob a força de uma estranha maldição. Uma criatura sem nome instalou-se na velha torre que se ergue numa ilha do rio Bann e, do nascer ao pôr-do-sol, os seus gritos incessantes impedem o gado de crescer, secam os campos e a vontade dos homens e instalam a semente da loucura nos espíritos mais sãos. Cercada de espinhos venenosos, a misteriosa torre encerra um segredo secular. Caberá a Blackthorn e Grim mergulharem nas trevas de um amor impossível e libertarem o povo de Bann do coração tempestuoso de uma rainha do Povo Encantado. Pelo meio, a curandeira e o seu companheiro terão de enfrentar o silêncio de quem sabe e atravessar uma teia de mentiras urdida ao longo de vários séculos. Quem será o estranho habitante da Torre de Espinhos? Um homem, um monstro? Uma força destruidora ou apenas uma vítima? No fim, o amor será a única redenção.


Opinião: Já não existem contadoras de histórias tão boas como Juliet Marillier, ou pelo menos não me tenho cruzado com mais autor nenhum capaz de pegar em lendas tão antigas e transformá-las ou dar-lhes uma nova forma de forma tão apaixonante. Conheci esta autora há quase nove anos atrás, há apenas nove anos atrás, através da minha afilhada académica e foi o casamento perfeito. Alguns meses antes de a ler tinha começado a procurar e estudar fervorosamente todo o tipo de lendas relacionadas com mitologia celta, o que inclui os Encantados e toda uma panóplia de seres com as suas próprias dinâmicas e guerras, até ao seu desaparecimento quando o cristianismo se sobrepôs a tudo o resto. Tendo começado com a Trilogia de Sevenwaters, a fasquia ficou automaticamente elevada para qualquer livro dentro do mesmo género, incluindo da mesma autora.

A Torre de Espinhos, vem dar continuidade a O Lago dos Sonhos, cujos protagonistas Blackthorn e Grim trazem consigo pesos dos seus passados que os esmagam e que influenciam todas as decisões que tomam. Neste volume da série Blackthorn & Grim, vão ser deparados com um novo desafio que acarreta com ele uma série de conflitos que cada um terá de enfrentar por si mesmo, mas que sem o outro o ciclo nunca ficará completo. No centro temos Geiléis e a lenda da torre dos espinhos que vai sendo contada por camadas, de forma muito inteligente, mantendo o leitor cada vez mais agarrado às páginas da obra. 

O que mais admiro em Juliet Marillier é a capacidade que tem de atribuir uma textura emocional incontestável em cada um dos seus personagens. Mesmo com aqueles cujo papel é secundário, mesmo com aqueles pelos quais podemos não sentir empatia, o que nunca acontece, ou raramente acontece, é sentirmos indiferença pelo que estamos a ler. É fácil viajar entre os extremos de estarmos completamente empáticos e a sentirmos ao rubro o que Grim, por exemplo, pensa e sente, mas também é muito, muito fácil, sentirmos aquela emoção de querermos esmagar outras personagens pela sua natureza vil. Geiléis certamente não foi alguém consensual nem constante ao longo da história. Tanto senti empatia como vontade de a esganar, mas também esse jogo faz parte para que a avidez nunca atenue e queiramos chegar ao fim rapidamente. 

Normalmente, a protagonista feminina nos livros de Juliet Marillier é incontestavelmente um dos pontos fortes, mas nesta série não tenho dúvidas que é em Grim que o eixo roda com mais fervor. À parte da trama principal com a torre dos espinhos, foi Grim quem mais evoluiu, quem mais se colocou à prova, com quem mais sofri. Quanto a Blackthorn, começa a ser um pouco... exagerado o facto de ela se manter tão cega, mesmo quando no fim tudo lhe é apresentado de forma tão clara. Resumindo, Juliet Marillier continua com uma mestria inigualável e mergulhar numa das suas obras é entrar numa outra dimensão em que o que está à nossa volta desaparece completamente. Mais do que recomendado! 

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