[Diário de Bordo] The Man Who Knew Infinity

Raramente tenho tempo para ver filmes. Ou melhor, verdade seja dita, raramente tenho disponibilidade mental para me sentar durante duas ...


Raramente tenho tempo para ver filmes. Ou melhor, verdade seja dita, raramente tenho disponibilidade mental para me sentar durante duas horas, quieta e sem fazer mais nada, a ver um filme. Chamem-lhe hiperactividade ou estupidez, mas são raros os momentos em que encontro alguma paz de espírito para o poder fazer. Inesperadamente, ontem acabei por ver este - The Man Who Knew Infinity. Foi um impulso. Vi que era Biografia/Drama, o que normalmente só vejo em casos especiais porque para drama já temos muitas vezes a vida real, mas ainda assim avancei com o mesmo. Srinivasa Aiyangar Ramanujan é o protagonista, um matemático oriundo da Índia que fez descobertas importantíssimas para o mundo em que vivemos hoje. Aliás, um dos seus manuscritos encontrados post mortem está a ser usado para estudos sobre os buracos negros. E daí talvez tenha sido essa a razão pela qual acabei por ver este filme. Talvez por ser sobre um matemático. Talvez por ser sobre a luta de quebrar fronteiras e mostrar que o conhecimento pode vir de qualquer lugar e que deve ser respeitado. Talvez por ser sobre tudo ter um preço, às vezes demasiado elevado. Ou então foi apenas porque sim. 

Não é que seja um filme genial, afinal acaba por cair em imensos lugares comuns da maior parte das biografias dramáticas, mas acho que a sequência narrativa está muito cativante. Gostava de ter sabido mais sobre o próprio matemático em si, em vez de ao de leve ir tocando na sua história pessoal. O filme desenrola-se mais sob a perspectiva do contraste entre culturas e a não aceitação, até que por fim, pelo meio de eventos dramáticos, se vêem obrigados a reconhecer a genialidade de Ramanujan, mas talvez tarde demais. Os planos de imagem e o trabalho fotográfico estão muito bem captados, de tal forma que a emoção é uma constante e até eu, que sou assim meio pedra, deitei umas boas lágrimas. Há ali qualquer coisa na caracterização de Ramanujan que me tocou profundamente. E não tem a ver com o facto de ter deixado a mulher na Índia, e com isso sofrer pela sua ausência, nem tem bem a ver com o facto de não ser aceite logo pela comunidade científica britânica. Penso que a ligação pode estar na dificuldade que ele mostra em expressar de onde é que a maior parte das suas ideias vêm, na vontade louca de ver o seu trabalho concluído e reconhecido, o detestar desenvolver aquelas longas provas matemáticas. Ahahah. Sim, normalmente deixo as provas matemáticas para o meu orientador enquanto eu me dedico à aplicação prática das nossas ideias. 

Acho que qualquer investigador científico de qualquer área se pode de alguma maneira ligar a esta narrativa. Ou não. E apenas o filme teve sorte em apanhar-me num dia mais sensível. Ainda assim, é um filme que se vê bastante bem e que não é perda de tempo nenhum. 

DESCRIÇÃO PÚBLICO
Srinivasa Aiyangar Ramanujan (Dev Patel) nasceu na índia, em 1887. Já na infância, a sua inteligência excepcional deixa todos à sua volta impressionados. Por causa disso, ganha uma bolsa para o Liceu de Kumbakonam, onde desperta a admiração dos professores. Na adolescência começou, por auto-recriação, a estudar séries aritméticas e séries geométricas e com apenas 15 anos conseguiu encontrar soluções de polinómios de terceiro e quarto grau. Com essa idade teve acesso a um livro que marcou a sua vida: "Synopsis of Elementary Results on Pure Mathematics", a obra de George Shoobridge Carr, um professor da Universidade de Cambridge (Inglaterra). O livro apresenta cerca de seis mil teoremas e fórmulas com poucas demonstrações, o que influenciou a maneira de Ramanujan interpretar a Matemática. Aos 16 anos fracassou nos exames de inglês e perdeu a bolsa de estudos. Sem desistir, continuou as suas pesquisas de forma autodidacta. Estudando e trabalhando sozinho, recria tudo o que já fora feito em Matemática. Mais tarde, decidiu frequentar uma universidade local como ouvinte. Os professores, percebendo as suas qualidades, aconselharam-no a enviar os resultados dos seus trabalhos para o grande matemático inglês G. H. Hardy (Jeremy Irons). Em 1913, impressionado com o seu intelecto, Hardy convida-o para ir para Cambridge (Inglaterra). Ali, apesar de todas as dificuldades de adaptação e de algum cepticismo do corpo docente, ele tornou-se professor no Trinity College (Cambridge) e foi agraciado com o ingresso na Royal Society de Ciências. Em 1919, adoeceu com tuberculose e voltou para a Índia…
Com realização e argumento de Matt Brown (“Ropewalk”), “O Homem Que Viu o Infinito” conta a história verídica de Srinivasa Aiyangar Ramanujan (1887 – 1920), um dos mais influentes génios matemáticos do século XX. PÚBLICO

0 comentários