Impossível fazer "Mute" ao novo disco dos You Can't Win, Charlie Brown - "Marrow"

Fotografia Vera Marmelo YOU CAN’T WIN, CHARLIE BROWN “Marrow” chega às lojas dia 7 de Outubro de 2016 Novo trabalho é apresenta...

Fotografia Vera Marmelo
YOU CAN’T WIN, CHARLIE BROWN

“Marrow” chega às lojas dia 7 de Outubro de 2016

Novo trabalho é apresentado ao vivo no dia 13 de Outubro no Lux*
*Oferta de bilhete na compra do disco na Fnac

Recebi um texto todo pomposo a falar do novo disco dos You Can't Win, Charlie Brown. Se pesquisarem notícias sobre a saída do novo disco, certamente encontrá-lo-ão por aí.  A questão é que esta banda é tão querida para mim que não resisti em falar já eu mesma do disco. Sei que normalmente a imprensa gosta de palavras caras e textos complexos, mas eu sou uma miúda de coração na boca e gosto de pensar que as paixões podem ser transmitidas de forma simples. 

Depois de "Chromatic" e "Diffraction/Refraction", vem aí a caminho "Marrow" que foi introduzido através do single, e da primeira canção do mesmo, "Above The Wall". A primeira impressão quando ouvi esta música foi que estava a entrar num universo bastante diferente dos anteriores. A diversidade sonora, já a trazer a nostalgia ao tempo dos jogos de computador antigos, é depois complementada pelo videoclip que confirma esse mesmo conceito. A questão é que no disco, quando a música termina, chega-nos uma Linger On de tonalidade sonora completamente diferente. E à medida que avançamos no disco isto torna-se um fenómeno constante e raro. Raro porque nunca vi músicas com estilos tão diferentes estarem em sequência, mantendo sempre um traço de personalidade tão único e harmonioso.

E depois temos as letras, que juntamente com a parte instrumental, nos levam por várias viagens emocionais. Continuo a ficar fascinada com a capacidade que os You Can't Win Charlie Brown têm de criar uma simbiose entre a parte lírica e de composição musical, em que uma serve tanto para atenuar a outra, como para lhe dar uma intensidade voraz. Utilizam as tonalidades vocais certas nos momentos certos, e esta é uma sensação crescente, que culmina na última canção, Bones. Ou seja, estamos perante um disco que começa muito descontraído com Above The Wall e Linger On, mas que depois caminha tanto à luz do sol como nos escombros nas emoções. É um disco que vive de luz e sombras, que, numa opinião muito pessoal, nos confronta com vários aspectos da nossa personalidade relacional, seja em relação a nós mesmos (Linger On, por exemplo), à nossa postura na vida (a Pro Procrastinator, por exemplo), à nossa postura em relação a alguém que amamos (Mute, a minha preferida, sempre que começa a tocar o meu coração para por uns segundos para depois querer saltar peito fora, ou Joined by the head).

Quando o disco estiver disponível nas plataformas digitais, vou partilhar convosco cada uma das letras, uma a uma, e assim poderão desfrutar em completude este belo disco. 2016 tem sido um ano muito duro para mim, mas é maravilhoso quando encontramos na arte dos outros algum, neste caso muito, conforto. Lá está, não sou uma crítica, não sei falar sobre detalhes técnicos, mas enquanto ouvinte a mim interessam-me as emoções, o reconhecimento e a ligação que crio com as músicas. E nisto, Marrow, é uma relíquia.


Alinhamento Marrow:
1 – Above The Wall
2 – Linger On
3 – Pro Procrastinator
4 – Mute
5 – If I Know You, Like You Know I Do
6 – In The Light There Is No Sun
7 – Joined By The Head
8 – Frida (La Blonde)
9 - Bones

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