O Retrato e o Texto do Gonçalo Amadeu

Retrato Óleo em Tela, Gonçalo Amadeu De vez em quando cruzo-me com pessoas na minha vida que de alguma maneira me enriquecem com a sua ...

Retrato Óleo em Tela, Gonçalo Amadeu
De vez em quando cruzo-me com pessoas na minha vida que de alguma maneira me enriquecem com a sua arte. Conheci o Gonçalo Amadeu através dos Then They Flew, banda à qual pertence e que já tocou num evento do blogue, a segunda noite de An Experimental Jet Set, Trash, and No Star Night. Criei uma ligação muito especial com eles e tenho vindo a descobrir que pelo menos alguns deles têm talento para muito mais do que a música. A seu tempo dou-vos a conhecer as suas artes. Na verdade este post surge porque conheci este texto do Gonçalo, originalmente publicado noutro sítio, que de alguma maneira me fez estremecer o esqueleto. Um abanão em tom de reconhecimento. Dessas coisas que só a arte, escrita, tocada, pintada ou moldada, sabe provocar. Pedi-lhe que escolhesse uma imagem, surpreendeu-me com este retrato também feito por ele. É isto. E é do Gonçalo. E agora é vosso também. 

Descobri tudo.
Vi como se enterravam as tuas raízes na carne dela. A seiva que te alimentava, ensopando-nos os lençóis, deixou-me sem pinga de sangue. Arderam-me os olhos na tua cegueira, ainda assim, olhas-me como se nunca tivesses visto uma estátua. Asseguro-te que acabou.
Tiraste-me a vontade e o medo. Tiraste-me os gritos e os segredos. Foi tudo diluído no sangue. Deixa-me, não me tires da chuva. Não agora, que finalmente aprendi por que choram certas árvores.

Gonçalo Amadeu

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