Entrevista Rápida a Daily Misconceptions - Amanhã Presente no 8º Aniversário BM no Musicbox!

Fotografia Patrícia Pinto João, antes de mais, muito obrigada por fazeres parte de mais um a...

Fotografia Patrícia Pinto

João, antes de mais, muito obrigada por fazeres parte de mais um aniversário BranMorrighan! Começando por aí, de todo o teu já vasto trabalho, com que parte dele é que nos vais deleitar na próxima Sexta-feira?
Em primeiro lugar, muito obrigado pelo convite Sofia, é um prazer fazer parte desta festa de aniversário! Nesta próxima 6ª feira vamos apresentar o nosso último trabalho e primeiro álbum “Our Little Sequence of Dreams”. Não vamos ter tempo para tocar o álbum inteiro mas vamos fazer um apanhado das músicas que nos deram mais pica tocar ao vivo em 2016.

Ainda te lembras como é que Daily Misconceptions começou? Acho que a maioria das pessoas não tem noção que já andas por cá há quase 15 anos! 
É verdade, já lá vai algum tempo, mas na realidade o projecto só arrancou em 2008, quando comecei a tocar ao vivo com Daily Misconceptions. Foi algo que aconteceu de forma natural, sem pensar muito, numa altura em que estava afastado das bandas com que tinha começado a tocar. A única coisa que tinha em mente era fazer a música que me apetecesse, sem ter que a discutir ou de partilhar ideias e opiniões com outras pessoas. Era a minha música e as minhas decisões. Algo por que nunca tinha passado, um caminho novo, desconhecido e estimulante do ponto de vista musical e criativo. 


Ao longo deste tempo lançaste vários EPs, fizeste residências artísticas, remisturas, mas só agora em 2016 é que lançaste o teu primeiro longa-duração: Our Little Sequence of Dreams. Alguma razão em especial para estes timings?
Não. Aconteceu ter uma história para contar, que não cabia num EP.

De todos os trabalhos que lançaste até agora, há algum pelo qual sintas um especial carinho? Que de alguma maneira te tenha marcado de forma diferente dos outros?
Tenho um carinho especial pelo primeiro EP, o “True Project”. Nunca foi tão fácil compor, gravar e misturar música. Parecia um pequeno sonho, daqueles em que acordas rejuvenescido. Dizem que o primeiro nunca se esquece, que fica para sempre no nosso coração. 

Enquanto músico e compositor, o que é que é mais importante para ti que a tua música transmita? 
Honestidade, sinceridade e bom gosto.

Qual é o impacto do teu contacto com a música de outros artistas, através da remistura, naquilo que depois produzes em Daily Misconceptions? 
O impacto é pouco e imediato, fica guardado no momento da remistura. Não passa para o que produzo seguidamente com Daily Misconceptions. A remistura não é como uma colaboração. Vejo a remistura como uma forma de fazer algo diferente e novo, algo que percorre um caminho diferente do de Daily Misconceptions. Quase como se fosse uma viagem no tempo, tanto para o futuro como para o passado. E gosto muito de ver como é que os outros artistas organizam as faixas e os nomes que dão aos ficheiros, isso diverte-me imenso.

Em termos estéticos, vais beber alguma coisa a outros tipos de arte? Como literatura, cinema, pintura, etc.?
Sim, vou beber a muito lado e as artes não são excepção. Não posso dizer em concreto quais, pois variam de conceito em conceito ou de música para música. Depende muito para onde estou virado na altura em que estou a compor.


Tens a Sara Esteves a partilhar palco contigo ao vivo. É ela que dá vida imagética à tua música? Partilham ideias ou parte tudo da Sara?
Sim, é a Sara quem está a cargo do universo imagético e da sinestesia audiovisual dos concertos. Da captação ou recolha de imagens, à sua edição e posterior manipulação ao vivo. Inicialmente, conversamos sobre a ideia e o conceito, ou o ambiente, das músicas e do espectáculo que queremos apresentar ao vivo. Posteriormente, ajustamos as partes, à medida que vamos percebendo o que resulta melhor a cada momento.

Quão importante é esta componente para a identidade de Daily Misconceptions? 
Daily Misconceptions já tinha uma identidade musical bem definida antes de ter uma componente visual. Essa veio directamente da música e não dos espectáculos que são apresentados ao vivo. Até porque desde cedo que colaboro com ilustradores, designers e videastas. Já dei concertos sem qualquer projecção e a identidade mantém-se. Nestes casos, o espaço onde toco ganha destaque, enquanto cenário do concerto. Normalmente também improviso mais. Para o formato que estamos agora a apresentar ao vivo é muito importante, para mim, o cinema expandido da Sara, mas não altera a identidade de Daily Misconceptions. Expande-a. Gosto de quando um concerto é acompanhado por uma forte componente visual. Especialmente quando esta está interligada à música, não sendo exclusivamente representativa e/ou reactiva.   

Olhando para o futuro, quais é que são as tuas expectativas em relação à tua continuidade no universo musical?
Vou compor música para sempre, é algo que não consigo deixar de fazer, faz parte de mim. Não gosto de criar expectativas em relação à minha continuidade no universo musical, isso é algo que eu não posso controlar.



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