[Antevisão] Da electrónica ao free: o Jazz em Agosto continua bem vivo

Sélébéyone Da electrónica ao free: o Jazz em Agosto continua bem vivo O Jazz em Agosto 2017 (de 28 de Julho a 6 de Agosto) prossegue...

Sélébéyone
Da electrónica ao free: o Jazz em Agosto continua bem vivo

O Jazz em Agosto 2017 (de 28 de Julho a 6 de Agosto) prossegue o caminho deste festival, apostado em mostrar músicos e músicas que estabelecem pontes e arriscam novos percursos, mostrando a vitalidade de uma forma musical que sempre se recusou a confinar-se a estereótipos e ameias preconceituosas.

Texto: João Morales

Comecemos por alguns nomes bem conhecidos da actualidade. O festival abre ainda no mês de Julho, a 28 (às 21h 30, hora a que serão quase todos os concertos), com Sélébéyone, novo projecto do saxofonista Steve Lehman, registado em disco em 2016. As vozes do senegalês Gaston Bandimic e HPrizm (histórico do hip hop que assinava High Priest nos Antipop Consortium), bem como as articulações com o rap são as traves-mestras desta aposta, que conta ainda com o contrabaixista Drew Gress. Com alguns acrescentos de electrónica anunciados, Steve Lehman terá ainda oportunidade de mostrar os seus dotes de soprador num concerto a solo. 

Sun of Goldfinger
Os Sun of Goldfinger – trio de peso que alinha David Torn (guitarra) Tim Berne (saxofones) e Chess Smith (baterista que está a tornar-se num músico cada vez mais interessante) – prometem igualmente bons momentos de música e criatividade, aliando energia e capacidade técnica. Será a 29 de Julho.

Peter Brötzmann com Heather Leigh
Senhor de uma sonoridade encorpada, munida de rugidos e desafios quase contínuos, herdeiro do Free Jazz mais musculado, o alemão Peter Brötzmann volta a pisar o palco da Fundação Calouste Gulbenkian a 31 de Julho, apresentando a sua mais recente (e, para alguns, inesperada) relação musical, desta vez com a guitarrista Heather Leigh, especialista em pedal steel guitar. Lançaram recentemente em conjunto o álbum Ears Are Filled With Wonder e a rudeza da abordagem que a americana demonstra explica com alguma facilidade a razão da associação entre ambos.


Sudo Quartet
No âmbito de uma sonoridade que poderia ser designada como improvisação de câmara o super-grupo Sudo Quartet (2 de Agosto), junta quatro improvisadores europeus que dispensam apresentações para quem segue estas sonoridades, juntando o violinista português Carlos Zíngaro, a contrabaixista Joëlle Léandre, o trombonista Sebi Tramontana e o baterista Paul Lovens. Escusado será dizer que poderá ser um dos momentos altos do festival.

Aproveitemos para falar de outras presenças portuguesas no Jazz em Agosto 2017. Life and Other Transient Storms (1 de Agosto), quinteto que integra a trompetista portuguesa Susana Santos Silva (com registo discográfico na Clean Feed), completa-se com a saxofonista Lotte Anker, o pianista Sten Sandell,  Torbjörn Zetterberg no contrabaixo e Jon Fält, na bateria. E em duo, encontraremos os EITR, designação que junta Pedro Sousa (saxofones) e Pedro Lopes (guitarra), improvisadores da nova geração que muito têm já dado nas vistas. Desta vez à tarde, dia 5 de Agosto, às 18h 30m.

Starlite Motel (que actuam a 3 de Agosto) é um imponente quarteto, onde encontramos o organista Jamie Saft (colaborador habitual de John Zorn, característica que deixa adivinhar uma parte das opções sonoras do colectivo), o baixista Ingebrigt Håker Flaten (vindo de projectos como The Thing), Kristoffer Berre Alberts, saxofonista, e o baterista Gard Nilssen. Igualmente quatro são os Human Feel (5 de Agosto), constituídos pelo baterista Jim Black, os saxofonistas Chris Speed e Andrew D’Angelo, e o guitarrista Kurt Rosenwinkel. A aventura começou há muito, em 1987, quando os eram todos ainda estudantes, muito longe da notoriedade que foram conquistando. Após uma longa ausência, regressaram em 2016 com o trabalho Party Favor, que deverá influenciar a prestação em Lisboa.

O quinteto The Fictive Five (4 de Agosto), do saxofonista Larry Ochs (um dos membros do Rova saxofone Quartet), reclama inspiração no trabalho de realizadores de cinema contemporâneos (como Wim Wenders ou Kelly Reichardt) e no artista plástico William Kentridge. O trompetista Nate Wooley, o baterista Harris Eisenstadt e dois contrabaixistas, Ken Filliano e Pascal Niggenkemper (que também terá oportunidade mostrar as suas potencialidades num concerto em formato de solo absoluto, no mesmo dia, às 18h 30m) completam o line up. 

Coax Orchestra
Uma nota muito especial de atenção para o dia 30 de Julho. A noite está entregue à Coax Orchestra, agrupamento que em 2014 surpreendeu com o disco Lent et Sexuel. Trata-se um octeto que abrange do Free Jazz ao Disco, onde evocar nomes como Frank Zappa, John Zorn ou Ornette Coleman não é , de todo, descabido. 

Às 18h 30 do mesmo dia, o líder do projecto, o guitarrista Julien Desprez, apresenta-nos Acapulco Redux, espectáculo que se anuncia “entre o concerto e a performance inspirado pelo filósofo Tristan Garcia, e concebido em parceria com o coreógrafo Grégory Edelein, para explorar a relação entre o som e o corpo por meio de um original desenho de luz”

O festival termina a 6 de Agosto, com um novo projecto do multifacetado trompetista Dave Douglas, com a presença de Shigeto, exímio manipulador de electrónica, num registo que poderá evocar influências como Miles Davis (na sua fase mais eléctrica) ou John Hassell.

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