[DESTAQUE] Em Abril, pela Bertrand Editora: A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado, de Gonçalo M. Tavares

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado Gonçalo M. Tavares  Género: Literatura / Ficção Formato: 15 x 23,5 cm N.º de págin...


A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado
Gonçalo M. Tavares 

Género: Literatura / Ficção
Formato: 15 x 23,5 cm
N.º de páginas: 128
PVP: € 15,50 
ISBN: 978-972-25-2500-0

No ano em que se assinalam 15 anos desde o lançamento do seu primeiro livro, Gonçalo M. Tavares dá início a um novo mundo literário, o das Mitologias, com o livro: 
A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado é o primeiro livro de um novo mundo, o das Mitologias. Em que consiste este mundo das Mitologias? Gonçalo M. Tavares - Este é um universo que será bem largo. Em A MulherSem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado surgem personagens que estarão também presentes nos livros seguintes. E várias outras personagens irão aparecer. É uma ficção que se passa num tempo mitológico. Um tempo que até pode tocar em acontecimentos da história que reconhecemos, mas que os recoloca numa energia narrativa completamente diferente – em que não interessam datas, nem o antes nem o depois. 

E há uma certa velocidade narrativa. A ideia de que o destino avança sem análises porque não há tempo; as personagens agem ou reagem ao que vai acontecendo. É um regresso ao Era uma Vez colocado num tempo mítico, que mistura datas e  troca ordens narrativas, num espaço sem localização geográfica. Há uma suspensão das leis físicas normais. Há uma outra lógica, outras leis narrativas. É um espaço de liberdade.

O que pretende transmitir através das personagens do seu livro?
Este livro, cada um dos capítulos, pode ter diferentes interpretações. Mas as interpretações pertencem ao leitor. Eu apenas quis escrever o que escrevi. Não há simbolismos, nunca uso simbolismos. Uma coisa não quer significar outra. Os acontecimentos são o que são. Aqui estamos diante de uma narrativa pura, de um contar de acontecimentos. O centro destas mitologias é, em parte, a energia da narrativa tradicional que relata o que aconteceu sem análises. As repetições, as lengalengas, tudo isso me interessa aqui. Nestas mitologias, animais, humanos, natureza, objectos, máquinas e espaços estão ao mesmo nível. Podem ser personagens. Os nomes das personagens estão muitas vezes ligados às suas acções, à sua aparência física. Com excepção dos cinco meninos que têm nomes próprios e que talvez se constituam como uma resistência do humano naquele mundo mítico. Os Cinco-Meninos serão em livros seguintes personagens centrais destas Mitologias.

De que forma este livro se enquadra na sua obra?
Vejo estas Mitologias que agora começam como algo, talvez, paralelo ao Reino. Neste caso, estamos num espaço mitológico e do mundo do impossível, mas talvez A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado seja também um estudo sobre o mal, sobre a desordem, sobre as tentações do humano. Mas, claro, com uma lógica completamente diferente da lógica do mundo real. Há uma suspensão da História. As Mitologias são, de certa maneira, uma segunda História que mistura factos concretos, reais, com ficções puras, com impossibilidades. Mas é mesmo uma nova história, não quer interpretar nem explicar a outra. É uma nova narrativa colocada num lugar onde quase tudo é possível.

LIVRO
Era uma vez um homem de mau-olhado que saiu de casa para ver o mundo. Cruzou-se com homens, objectos, animais e máquinas. Entretanto, uma Revolução avança, um homem alto exige imobilidade, outro homem está dividido em dois. Mães procuram filhos e filhos gritam pela mãe. Não sabemos como tudo aconteceu, mas no final, pelo menos, alguém é castigado de uma forma exemplar. A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado é a obra que inaugura o universo das “Mitologias”. Aqui surgem personagens, situadas em tempos indistintos, que serão também centrais em futuros livros. Mundo de ficção em que Gonçalo M. Tavares recoloca o humano e a história numa dimensão mitológica que distorce para mostrar melhor e, recorrendo à tradição narrativa da oralidade e do fantástico, explorar brilhantemente aquilo que é a natureza humana.

AUTOR
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Publicou o primeiro livro em 2001. É já um dos escritores mais traduzidos da literatura portuguesa. Estão em curso traduções e edições internacionais de todos os seus livros, em mais de 50 países, em algumas das mais prestigiadas editoras. Recebeu importantes prémios em Portugal e no estrangeiro, nos mais diversos géneros literários. Com Aprender a Rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meilleur Livre Étranger 2010 (França), prémio atribuído antes a Robert Musil, Philip Roth, Gabriel García Marquez, Elias Canetti, entre outros. Alguns prémios internacionais: Prémio Portugal Telecom 2007 e 2011 (Brasil), Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália), Prémio Belgrado 2009 (Sérvia), Grand Prix Littéraire Culture 2010 (França), Prix Littéraire Européen 2011 (França). Foi por diversas vezes finalista do Prix Médicis e Prix Femina. Em Portugal recebeu, entre outros, O Grande Prémio do Romance e Novela da APE, Prémio José Saramago, Prémio Fernando Namora. Jerusalém foi o livro mais escolhido pelos críticos do jornal Público para romance da década e Uma Viagem à Índia foi escolhido pelo jornal DN, por diferentes críticos, como uma das 25 obras essenciais da história da literatura portuguesa. O seu último romance Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai venceu o Prémio Tabula 2015, foi finalista do Prémio Oceanos (Brasil) 2016 e do Prémio Pen Ficção. Sobre o livro, Alberto Manguel escreveu, no suplemento Babelia, que ele era «uma memorável epifania». Matteo Perdeu o Emprego, que já havia sido finalista, no Brasil, do Prémio PT, foi, em Novembro de 2016, um dos cinco finalistas do Prix Femina para melhor romance estrangeiro publicado em França. 

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