Diário da tour internacional do UM AO MOLHE #12

*Sniff sniff*, acabou a tour. Foi mesmo incrível, não podia ter tido melhores companheiros de viagem e só me apetece repetir. Ai...


*Sniff sniff*, acabou a tour.

Foi mesmo incrível, não podia ter tido melhores companheiros de viagem e só me apetece repetir.

Ainda há muito UM AO MOLHE pela frente, muitos amigos para rever, muitas caras novas para conhecer e muita música fora da caixa para mostrar por esses palcos fora.

Como organizador do festival dá-me um gozo tremendo ajudar estas gerações a circular com a sua música em comunidade mas não vou ser hipócrita, o que eu curto mesmo é tocar, e poder fazê-lo tantos dias seguidos em 3 países diferentes é um sonho.

Ponto assente, há que fazer isto mais vezes. Há espaço lá fora (e cá dentro) para a nossa música.

Mas vamos lá falar do que se passou nos últimos 2 dias da tour internacional.

Acordámos 3ª em Bragança e fomos beber um café com os Biónicos Nuno e Cristina para pôr a conversa em dia. Antes ainda tivemos tempo para ser o ombro de um novo amigo que estava a precisar de desabafar (nada como abraçar um coração partido).

Seguimos para Madrid em direcção ao El Planeta de los Wattios já atrasados, para não variar. Para quem, como eu, odeia chegar atrasado, estar em tour é um exercício de aceitação.

Sem problema, disseram-nos de lá. Temos tempo.

O espaço é um conjunto de salas que são estúdios de uns quantos músicos locais e que volta e meia se converte em sala de concertos. Mas quando chegámos tivemos um problema técnico: os amps estavam a apanhar rádio local. Estranha maneira esta de saber o resultado do Juventus - Barcelona.

Mais estranho só mesmo a solução, ligámos outro amp, que só por estar ligado, aniquilava o sinal que nos chegava. Ninguém sabia porquê. Não interessa. Siga.

Estávamos em cima da hora, às 21H40 começava Surma mas não sem antes começarem a chegar caras conhecidas de Portugal e Espanha para nos verem. Olha o Ni e Maria, olha o David, olha o Ruben, olha o José…

Estava visto que ía ser dia de festa.

Os concertos correram todos bem, houve uivos, danças selvagens na plateia, comentários calorosos e entre os velhos e os novos amigos e as cervejas compradas na seven eleven de esquina, montou-se uma bela festa.

Talvez demasiado bem montada porque às 10 da manhã quando fomos recolher as coisas para seguirmos para Elvas ainda sobravam 4 resistentes. Tendo em conta que estávamos a dormir no espaço teríamos preferido uma festa com hora do Vitinho, mas não se pode ter tudo.

Seguimos cedo para Elvas, tínhamos almoço à nossa espera. Mal chegámos fomos super bem recebidos. A Cátia, o João, o Inácio e a sua longa família de quadrúpedes, fizeram as honras de nos acolher num cenário idílico com um manjar maravilhoso (queijinhos e beterraba incluído) e de a seguir nos mostrarem uma das entradas numa cidade mais bonitas que já vi.

Como diria o Simões, não nos faltou nada. Visitámos um belo apartamento que estava à nossa disposição, soundcheck feito no bar Europa, jantar na bela sede do Elvas (a sala dos espelhos é qualquer coisa) e seguir para os concertos.

Mais uma casa bem composta que começou com mais uma demonstração de sapiência pedaleiró-feedbackó-guitarrística do Tren Go! Sound System.

Partilhava o palco connosco nesta data Little Orange, que trouxe logo a seguir um blues fluído e bem estudado de casa. Ainda não conhecia o trabalho dele ao vivo e gostei muito. Tem o blues na alma.

Depois toquei eu num concerto em que decidi improvisar ainda mais e acabou com a Surma a voltar a deleitar os ouvintes até a polícia aparecer na última música. A não ser que seja para virem para o mosh na fila frente nunca é bom sinal aparecer a polícia. Mas a aparecerem, a última música do festival parece-me o timing perfeito.

O que mais me agradou nesta data foi ver a heterogeneidade de público, sobretudo dos que estavam mais atentos e participativos. Desengane-se quem pense que os mais novos foram os mais expansivos e dançantes.

Conversou-se muito e houve sorrisos para dar e vender. Tudo isto fruto do empenho do Um Coletivo que anda a fazer um trabalho a não perder de vista em Elvas.

Obrigado, Cátia, João, Márcia e Suzana, sentimo-nos em casa.

O pessoal do Europa foi sempre gentil connosco, o João mostrou-se muito entusiasmado com os concertos e ainda nos facilitaram a vida ao máximo para que só tivéssemos de carregar o carro mesmo antes de irmos.

Acordámos no dia seguinte bem dormidos, com um dos melhores banhos das nossas vidas (uma boa pressão de água faz toda a diferença).

Pequeno-almoço e almoço tomado, carrinha carregada, até breves e seguimos para Santarém porque o festival continua hoje. Aproveitamos a bela paisagem da n251 para adocicar os olhos.

Foi uma das melhores experiências da minha vida, sei que também o foi para eles.

E que bom foi poder ir partilhando a experiência por aqui.

Venham mais.

Manuel Molarinho, O Manipulador

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