Diário da tour internacional do UM AO MOLHE #07

Após 5 concertos de seguida, ao 6o descansamos. O nosso "domingo", o dia off. Acordamos em casa do Jorge em Barcelona que nos ...


Após 5 concertos de seguida, ao 6o descansamos. O nosso "domingo", o dia off. Acordamos em casa do Jorge em Barcelona que nos preparou um batido saudavel e revigorante para o pequeno almoço enquanto eu arrisquei uma omolete (que rapidamente se tornou nuns ovos mexidos) para a malta que acordava lentamente. A Débora que se levanta cedinho é que foi à caça dos ingredientes.

Sao raros os momentos em tour em que podes passear e disfrutar do resto das cidades onde estás por isso aproveitamos o tempo que tinhamos para vermos as vistas sobre a cidade condal a partir do Mont Juic. De seguida fomos à praia e almoçamos as nossas sandes a olhar para o mediterraneo solarengo. Barriguinha cheia e a caminho de Toulouse pelos Pirinéus! Lá para cima ainda havia neve nos cocorutos. A primavera ainda nao tinha derretido tudo e sentia-se uma brisa a modos que refrescante. Lá atravessamos para o lado francês e mal passamos a fronteira caiu cá uma bátega... Camarada, nem lhe digo nem lhe conto. Descemos a montanha até chegar a meio da planície sempre debaixo de chuva e vento intensos o que fez com que viessemos devagarinho e com respeitinho à Natureza.

A entrada em Toulouse - já a noite ia alta - fazia par com o calor humano que recebemos à chegada. A chuva e o vento pararam e a brisa suave da noite primaveril Toulousiana abraçava-nos como os nossos anfitriões. É uma cidade que verdadeiramente gosto e me sinto extremamente confortável. Nos últimos 2 anos devo ter passado por aqui umas 8 vezes se nao me falha a memória. Desde que lá fui com os Russos e Magic Castles foi amor a primeira vista com a vibe da malta que la vive e com os seus edificios de tijolo!

Conseguimos espalhar toda a nossa tralha pela casa do Morgan e da Adele que mal se podia andar. Até ir lavar os dentes era um tetris! Como o Morgan é pior que eu em espalhar pedais pela casa, estava tudo muito bem!
É uma sensação porreira acordares já na cidade onde vais tocar. Podes fazer tudo com mais calma.

A Lisa, a cabeça por trás da Coko Moko, ficou em casa a fazer la bouffe para nós, nada mais nada menos que um ratatouille de alto gabarito internacional que até me deu vontade de fazer uma banda vegan chamada Lettuce Play (pá, como carne na mesma mas o Rodrigo acho que era gajo para tocar nesta banda).

Umas passeatas depois, eram ja horas de fazer o soundcheck e lá fomos nós para o Le Ravelin voltar ao trabalho. Nao pode ser domingo todos os dias! Lá ligo os amps e pela primeira vez desde que me lembro de tocar fui perguntar ao tecnico de som, o Vincent, se achava que estava demasiado alto (nao que acredite nessa coisa de demasiado alto mas como me estão sempre a mandar para a cabeça que toco alto, achei por bem perguntar). Para minha surpresa: "não, está óptimo. Se quiseres podes subir mais". Estando já tudo estupidamente alto, era melhor nao mexer em mais nada, o som no palco estava precisamente no ponto.

Entre os soundchecks e concertos fomos estando pela praça onde assistiamos a jogos de petanca. É mais divertido de ver do que parece.

O público foi-se juntando e começaram a aparecer caras conhecidas destas e de outras andanças. Malta que organizou a primeira Psychedelic Revolution, mítica, no Espace Allegria e muitas outras coisas! Surma começa o seu concerto e os olhos e ouvidos dos presentes ficaram logo colados. O efeito Pied Piper dela fez com que entrassem imediatamente!

Adoro quando podemos ter o material todo montado em palco, permitindo mudanças rapidas e concertos quase non-stop. O Manipulador entra de seguida e pumbas! Ganda concerto outra vez! É bonito de ver o que tocar todos os dias faz às pessoas, cada concerto deles é melhor que o outro e o publico, de facto gostou imenso disto tudo!

Voltei à cozinha para uma segunda dose do supracitado ratatouille enquanto o Manel acabava o set. Até nem tinha fome, mas aquilo estava bué da bom! Quando fui para palco, mal me conseguia mexer pela sala até chegar lá. Estava bastante à pinha. Sem entrar em grandes rodeios, foi dos concertos que mais curti dar com Tren Go! Sound System e já lá vão 11 anos de estrada. Era tudo a dançar e aos berros. La folie! Un bordel! Deu muito gosto!

La Ville Rose é mesmo un sítio onde me sinto bem e onde nos fizeram sentir bem. A cena musical deles é fixe e fervilhante, há uma série de bandas porreiras como os Sound Sweet Sound, Slift ou Hubris, só para falar de alguns. E o trabalho que tanto a Coko Moko ou a Psychedelic Revolution estão a fazer é de grande nível com todos os concertos que marcam num país que se está a fechar em copas com a reacção aos atentados que tem sofrido. Não tenho nenhuma solução brilhante para isto mas tratares toda a gente como potencial criminoso a priori, confiscares os instrumentos de quem toca na rua, seja por diversão ou para se fazer à vida, fechares salas de concertos e espalhares um aparato policial e militar nao sei se sera a melhor opçao como resposta a isto. Mucha policia, poca diversion, repression/un error.

Merci a touts! ❤

Pedro Pestana, Tren Go! Sound System

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