Diário da tour internacional do UM AO MOLHE #09

Ui, que dia ontem. Mais um daqueles dias que dificilmente esqueceremos. A boa gente da La Melona sabe mesmo como fazer a festa. ...


Ui, que dia ontem.
Mais um daqueles dias que dificilmente esqueceremos.
A boa gente da La Melona sabe mesmo como fazer a festa.

O UM AO MOLHE foi acolhido em Santiago de Compostela em pleno MelonaFest #2, um festival de 4 dias que acontece em vários espaços da cidade. Ontem houve concertos das 14 às 06.
Escusado será dizer que não foi hoje que pusemos os sonos em dia.

Chegada meio atribulada, mas a sorte deu-nos um lugar mesmo à porta. Foi só descarregar, agarrar uma Estrella (também havia Super Bock, pelo que fomos alternando) e juntámo-nos logo à festa e aos sorrisos dos nossos hermanos.

Os nossos gigs foram dos primeiros, na esplanada do Embora, logo a seguir aos bailantes Esteban & Manuel, que colocaram toda a gente com boa disposição. “Que bela maneira de começar o dia” escutava-se ao lado.

Ainda não tínhamos começado a tocar e já estávamos a lidar com o entusiasmo do pessoal. Agradeciam-nos por trazer o festival, mostraram respeito e admiração pelo que andamos a fazer.
Os elogios à iniciativa têm sido uma constante nesta incursão no estrangeiro. As palavras ajudam, e de que maneira, a combater o desgaste da estrada e as frustrações dos dias menos bons.

Tudo apontava para ser um dia em grande, e foi.
O espaço estava cheio. Pessoas à frente, atrás e ao lado do palco. Foi assim que o Tren Go arrancou pouco tempo passava das 15H00, para transportar toda a gente para a sua viagem de feedbacks e efeitos de guitarra em punho. É engraçado ver como a música dele tem um efeito diferente consoante a hora. Há uma tranquilidade na hipnose do Pedro que passa despercebida nos concertos mais nocturnos.

A seguir arranquei eu. Diverti-me muito e ainda deu para um improviso a partir de uma malha dos 10000 Russos (lançaram álbum novo, vão ouvir) no encore. É outra fruta tocar e ter um mar de gente a dançar à tua frente.

Depois veio a Surma, que voltou a conquistar o público com a sua música. É tiro e queda, a Débora. Por onde passa, deixa marca e a música dela espelha a sua personalidade expansiva e generosa de forma perfeita.

Foi óptimo ter esta data na gira porque deu também para conhecer um pouco melhor a cena musical galega. Sou o primeiro a dizer que se atravessa um momento ímpar de criatividade em Portugal e pelo que vi neste festival, ao lado passa-se o mesmo. Bulto e Fiera, por exemplo, encheram-me mesmo bem as medidas.

Caminhamos, dançámos, convivemos, bebemos, abraçamos, sorrimos e sorriram-nos de volta.

Dia de encher o coração e ainda deu para um de nós confundir as ruas e tentar entrar no prédio errado (não vou dizer quem, para não envergonhar).

Havia muito mais para partilhar, mas a ressaca e os soundchecks dos concertos de hoje pedem-me para parar.

Um grande abraço e respeito ao pessoal da Le Melona.
Que festaza!

Manuel Molarinho aka O Manipulador

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