[Diário de Bordo] Flamingos, Japão e Valter Hugo Mãe

O que é que Flamingos, Japão e Valter Hugo Mãe têm em comum? Perguntam vocês. Ora muito bem, têm-me a mim, por uma ordem talvez um pouco...


O que é que Flamingos, Japão e Valter Hugo Mãe têm em comum? Perguntam vocês. Ora muito bem, têm-me a mim, por uma ordem talvez um pouco diferente. 2016 já foi um ano bastante inacreditável com toda a aventura com a Omnichord Records, em que fiz os festivais de Verão todos com as suas bandas, andei em tour com os First Breath After Coma e com a Surma... Foi do caraças! E o universo tem a sua própria forma de se mover e de nos encaminhar para determinados destinos. Acontece então que, se 2016 foi um ano muito dedicado à música, 2017 está a cobrar a minha dedicação ao doutoramento e a tudo o que diz respeito ao meio académico. Voltei a dar aulas este semestre, já submeti dois artigos, já fui apresentar um terceiro à Croácia e preparo-me agora para um hiato, ainda que académico, de quarenta e cinco dias no Japão. Até lá tenho uma cadeira para fazer (sim, eu sou esse desastre que em vez de fazer as cadeiras logo no primeiro ano teima em adiar isso...), o resto de IAED para leccionar, outro artigo para preparar (até ao final do ano ainda quero submeter mais dois, eu sei, tão ambiciosa, tão irrealista)... Ou seja, uma aventura do caraças. 

Os Vans que vêem na fotografia, podem não acreditar, mas custaram-me 16€ no Freeport. Para além de serem lindos (ou pelo menos é essa a minha opinião agora, ahahah) são super confortáveis. Calçando o 41 (eu sei! que pata!) nunca é muito fácil arranjar calçado confortável, mas há dias em que o universo conjuga a nosso favor e aquele foi um bom dia (obrigada, pai, pela tua paciência infinita!). Andava na dúvida que tipo de calçado devia levar para o Japão, tirando o sapatinho sabrina ou as sapatilhas rasas Nike não tinha muito mais, e esse problema ficou resolvido. Vou de Flamingos! 

Não vão haver festivais de Verão para mim este ano, o que é uma coisa inédita desde 2011. Desde 2011 que vou, pelo menos, a dois ou três festivais (quando não são mais), mas devido às datas em que vou estar no Japão e, possivelmente, na Finlândia (tudo em trabalho!), é-me completamente impossível fazer tal coisa este ano. Acho que em anos anteriores teria ficado furiosa com essa perspectiva, mas talvez a idade esteja realmente a pesar (os 29 estão a chegar, ahahah) porque, na verdade, sinto-me bastante tranquila com isso. Estou muito contente por sentir, finalmente, algum sentido naquilo que quero fazer no futuro e a investigação científica é, sem dúvida, uma das coisas que quero. 

Então e o Valter Hugo Mãe? Pois bem, estava a tentar decidir o que ler a seguir e lembrei-me que o mais recente romance do autor português, Homens Imprudentemente Poéticos, tem o Japão e a cultura japonesa como pano de fundo. Está a ser uma leitura dura, não é fácil entrar na escrita de VHM, muito menos quando tem um lado emocional forte, tão sensível quanto violento, mas está a ser uma boa leitura.

A menina, habitante sobretudo dos sonhos, disse: havíamos de ter um jardim seco. Um de pedras que fizesse o ondulado do mar. Tão bem alinhado que fosse um desenho perfeito por onde poderíamos percorrer os dedos. A criada perguntou: seco. A cega respondeu: teríamos sempre lágrimas para o molhar. E sorriu.

E é isto, malta :) Desculpem-me se as coisas por aqui continuam menos agitadas que o costume, se demoro muito tempo a responder (há dias em que é-me mesmo impossível dedicar muito tempo ao blogue), mas antes de ir embora para o Japão vou tentar preparar algumas surpresas boas, relacionadas com a Feira do Livro de Lisboa e com a iniciativa Porto Editora que já tinha descrito aqui. Já sabem, se tiverem alguma ideia, se houver algum autor com o qual gostassem mesmo muito de falar, digam. Enviem mail para branmorrighan[at]gmail.com e nós tentamos fazer acontecer! Mil beijos e obrigada por continuarem desse lado!


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