[Cinema] Opinião: Manhattan Nocturne, de Brian DeCubellis

SINOPSE Porter Wren (Adrien Brody), é um jornalista de tablóides nova-iorquino com um apetite por escândalos. Ele vende morte, tragédi...


SINOPSE
Porter Wren (Adrien Brody), é um jornalista de tablóides nova-iorquino com um apetite por escândalos. Ele vende morte, tragédia e qualquer coisa que passe por verdade. Em casa é um homem modelo, dedicado à esposa (Jennifer Beals). Mas quando uma estranha sedutora (Yvonne Strahovski) lhe pede para investigar o homicídio não solucionado do seu marido, Porter não consegue resistir.

ELENCO: Adrien Brody (O Pianista, Budapest Hotel) | Yvonne Strahovski (Dexter) | Campbell Scott (Spiderman)
REALIZADOR: Brian DeCubellis
GÉNERO: Crime, Drama, Mistério


OPINIÃO
Manhattan Nocturne é um filem baseado no livro Manhattan Night, considerado um dos melhores livros do ano, em 1996, pelo New York Times. Em Portugal, estreia a 13 de Julho e graças à Films4you, pude assistir com antecedência ao mesmo.  

Confesso, tenho um fraquinho pelo Adrian Brody. Já não sei bem qual foi o primeiro filme dele que vi, mas perto de há quinze anos atrás, quando vi O Pianista, houve algo na sua interpretação que me fez, durante algum tempo, procurar toda a sua filmografia. Depois a febre passou e há uns anos que não via nenhuma interpretação sua. Quando reparei que era um dos protagonistas deste filme, e como gosto de uma boa história de drama e mistério, fiquei muito curiosa. O toque noir sempre ficou bem a Brody e o filme, apesar de não ser brilhante, não desiludiu.

Não vou afirmar que Manhattan Nocturne é um dos melhores filmes que já vi, não tem o enredo mais genial, mas é estranhamente viciante. Passados os primeiros minutos de alguma expectativa sobre que rumo o protagonista, Porter, iria tomar, dei por mim vidrada nas possibilidades que cada um dos personagens poderia trazer para a história. Tudo começa com uma troca de olhares sedutores, quando Porter Wren é obrigado a ir a esta festa que celebra a compra do jornal onde trabalha por outras grande empresa, liderada pelo magnata Hobbs. Wren e Caroline Crowley trocam um magnetismo tão grande que se torna previsível que algo de dramático irá sair dali. Tal como se torna inevitável pensar que Hobbs ainda terá algum papel malicioso ali pelo meio, mas isso deixo para vocês, não quero colocar aqui nenhum spoiler.

Penso que o realizador conseguiu juntar ao drama e ao mistério uma componente psicológica muito interessante. Para além das dinâmicas de amor, paixão e traição, através do falecido marido de Crowley (um realizador cinematográfico), explora também dinâmicas algo psicóticas e controladoras, senão abusivas, entre o casal Crowley. Tudo através de repetidas gravações que o realizador fazia questão de manter, mesmo que os presentes não tivessem noção de que estavam a ser filmados. A única excepção era a da própria Carolina que chegou a aceitar um desafio insólito que acabou por se transformar no cerne de todo o plot do filme.

Apesar de todos estes pontos positivos, e desta camada psicológica atractiva que se entranha pouco depois do filme começar, senti que faltou algo mais para sentir um real impacto do filme em mim. Mesmo quando este está prestes a terminar e nos são revelados os segredos finais, dada a aproximação ao estilo noir, senti falta de uma maior intensidade tanto na estética como no fatalismo. Ainda assim, como disse anteriormente e reforçando esse ponto de vista, foi um filme que fluiu bastante bem e que não aborreceu, de todo. Gostei.

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