Opinião: Viver Depois de Ti, de Jojo Moyes

Viver Depois De Ti Jojo Moyes Editora: Porto Editora Sinopse: Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre...


Viver Depois De Ti
Jojo Moyes

Editora: Porto Editora

Sinopse: Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.
Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.
Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.


OPINIÃO: Como alguns de vocês saberão, estou no Japão. Vim para cá trabalhar e por causa do limite de bagagem só trouxe dois livros que andava a ler, mas trouxe o meu Kobo e com ele alguns livros extra. Um deles foi Viver Depois de Ti. Confesso, só li Jojo Moyes uma vez (O Olhar de Sophie) e não é o tipo de leitura que faça com frequência, mas como tinha gostado da sua escrita, decidi atirar-me a este. Estava nos meus cinco dias de pausa do trabalho, e enquanto viajava nos comboios entre as várias cidade do Japão, dei por mim a ficar bastante comprometida com a leitura. Não sabia bem o que esperar, não tinha lido a sinopse (apesar de saber que existe um filme, nunca o procurei), porém senti uma genuinidade tão grande na escrita da autora que acabei por sentir uma empatia muito grande pelos personagens. 

Chegando ao fim, ao contrário de algumas trocas de opiniões que tive com os leitores no Facebook, não senti um choque tão grande, nem me "desmanchei" tanto como tudo poderia fazer crer que ia acontecer. E acho que isso se deve ao facto de eu respeitar grandiosamente o espaço próprio de cada um. Quem já leu certamente sabe do que estou a falar. Não que não me tivesse comovido, não que não tivesse sentido a alma apertadinha apertadinha, mas o respeito que senti foi superior à minha tristeza. É claro que houve lágrimas que, inevitavelmente caíram, mas estas também eram de admiração. 

O ponto forte de todo este romance, a meu ver, é o facto de nos transmitir uma sensação de pés bem assentes na terra. Apesar de ter momentos dignos de contos de fadas, a verdade é que a chamada à realidade é uma constante, o que nos faz sentir que o que estamos a ler, apesar de ser ficção, também podia estar a acontecer connosco. Tenho sentimentos mistos em relação a Louisa. Se por um lado fiquei a admirar a sua persistência e eterna esperança, por outro, do lado pessoal, achei aquela apatia e acomodação em relação ao seu futuro irritante. Will é, a meu ver, o elemento transformador. Enquanto vamos sentindo que Louise vai transformando Will , é este quem provoca as maiores mudanças nela e quem acaba por impulsionar todo o seu potencial. No entanto, ainda em relação a Louise, quem me dera ter a imaginação e a coragem que ela tem para se vestir daquela forma tão extravagante e tão própria. 

Adorei as dinâmicas familiares. Para o bom e para o não tão bom, Jojo Moyes conseguiu imprimir pormenores super importantes em cada uma das famílias. No lado da família abastada todas aquelas interacções mais superficiais, todo aquele tratamento mais frio e distante, os segredos por revelar, Will mais uma vez como a peça que os mantém ligados. Já do lado da Louise, com muitas mais dificuldades e com membros super dependentes de ajuda directa, vemos o quão emocionais todas as mudanças podem ser. Adorei a cena do jantar de anos da Clark com a presença do Will! Sei que vocês também sabem do que estou a falar! E sim, estou a omitir por completo a presença de Patrick no meio disto tudo porque de todos, foi com quem simpatizei  menos. Acho que a culpa não é dele, mais uma vez a escritora foi inteligente em, aos poucos, nos ir distanciando dele.

Resumindo, foi uma leitura super agradável e que, mal regressei a Fukuoka, me fez ficar o dia todo a ler. Valeu a pena.

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